Política

26 de janeiro de 2018 07:55

Candidatura de Lula é de resistência, diz PT

Presidente do partido em Alagoas afirma que desistência é referendar ataque à democracia

↑ Ricardo Barbosa participou do ato que contou com a presença do ex-presidente Lula em São Paulo (Foto: Sandro Lima)

Mesmo após o resultado do julgamento pelo Tribunal Federal da 4ª Região (TRF4), na quarta-feira (24), em Porto Alegre, o PT decidiu manter Lula candidato à Presidência da República. Segundo o presidente estadual da legenda, Ricardo Barbosa, essa será uma candidatura de resistência.

A direção executiva nacional do PT foi concluída na tarde de quinta-feira (25) e teve em seu encerramento um discurso de Lula. De acordo com Ricardo Barbosa, o ex-presidente comparou o momento com o Dia do Fico, de dom Pedro I.

“Ele [Lula] disse ‘se houve o Dia do Fico, hoje é o Dia do Aceito’”, relata o dirigente estadual do PT.

Para ele, a tática do partido é acertada porque, na visão da legenda, ter Lula candidato significa não aceitar imposição dos “golpistas”.

“É óbvio porque é uma tática de resistência. Se Lula não é candidato, tendo em vista a ameaça a sua candidatura, o PT praticamente referenda o ataque à democracia, que hoje quer se impor. Ou seja, tem eleições? Tem. É democrático? É. Mas com os candidatos que eles, os golpistas, quiserem. Com as regras que eles quiserem. A candidatura do Lula é um marco importante nesse debate, porque diz que para se respeitar democracia. Não adianta você dizer que existem eleições democráticas no Brasil quando impõem quem é candidato e quem não é”, afirma Ricardo Barbosa.

PSDB

Principal antagonista nas eleições presidências do PT nas últimas duas décadas, o PSDB, por meio de sua assessoria de comunicação em Alagoas, afirma considerar o resultado do julgamento de Lula com “serenidade, uma vez que foi conduzido como determina o sistema jurídico nacional”.

Contudo, em relação à manutenção da candidatura de Lula à Presidência da República, a legenda preferiu fazer comentário direto.

“Sobre eleição, é precoce dizer se será ‘fácil’ ou ‘difícil’, uma vez que ainda não foram postas as candidaturas de modo oficial. Aliás, não existe eleição ‘fácil’ ou ‘difícil’. Cada eleição tem uma história diferente da outra, construída ao longo da campanha e a qual somente se encerra com o resultado final”, diz o PSDB.

A reportagem tentou saber a opinião pessoal do ex-governador Teotonio Vilela Filho, Mas até o fechamento dessa edição não houve resposta.

 

Ex-presidente pode aglutinar partidos de esquerda, diz Paulão

 

Os partidos de esquerda nunca disputaram unidos as eleições, mas na defesa de que o ex-presidente concorra em outubro, essa realidade foi diferente. Mesmos partidos com pré-candidatos como PSOL, PCdoB e PDT defenderam que Lula tenha o direito a disputar a eleição presidencial, uma vez que todos fazem análise de que o julgamento do petista foi político e não jurídico.

Para o deputado federal Paulão (PT), Lula na disputa pode aglutinar os partidos de esquerda, mas ressalta o direito de eles lançarem candidatos.

“Politicamente, o nome que mais pesa é ele, não só no PT, mas no campo democrático e popular. Seja para compor ou não, porque eles têm direito a lançarem candidatos”, pontua.

PDT

A reportagem tentou contatar o deputado federal Ronaldo Lessa para saber sua opinião sobre o julgamento de Lula e a manutenção de sua candidatura, mas não houve resposta. Contudo, o presidente nacional do partido, Carlo Lupi, publicou nota sobre o tema.

“Foi uma decisão foi injusta. “Não existem provas concretas sobre o que Lula foi acusado, julgado e condenado. […] acho que o aumento da pena serviu para dar uma imagem de dureza do Tribunal Regional Federal da 4° Região – e desta forma transformar a decisão de Moro em branda – dando maior legitimidade ao processo”, diz Carlos Lupi, que reafirmou a candidatura de Ciro Gomes. “É Irreversível”.

 

Para cientista político, tática petista está politicamente correta

 

Para o cientista político Ranulfo Paranhos, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a estratégia do PT em manter a candidatura de Lula está correta.

“Essencialmente, a estratégia está correta. Não se pode, antes do jogo acabar, apresentar desistência. Isso desmobiliza o partido e eles precisam manter bancada no Congresso”, diz o cientista político.

Ranulfo Paranho ressalta que é forte a possibilidade de diminuição da bancada petista no Congresso Nacional, tanto que muito senadores da legenda devem concorrer à Câmara dos Deputados neste ano.

“Desistência retira a possibilidade dos candidatos se elegerem”, completa.

Contudo, ele não acredita que a candidatura de Lula passe pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“O Tribunal Superior Eleitoral não deve rejeitar decisão do TRF4, mas apesar disso, a posição do PT, repito, está politicamente correta. Não é mentira do partido, é estratégia de manutenção da sigla. E além do mais, a discussão nas ruas é se foi julgamento justo ou não, e o volume de pessoas para cada posição não se pode mensurar. Esse é papel da política: conquistar corações e mentes”, analisa Ranulfo Paranhos.

CONDENAÇÃO

Lula teve a condenação de Sérgio Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá, em São Paulo, mantida pelo TRF4, que aumentou sua pena para doze anos e um mês de prisão.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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