Política

17 de janeiro de 2018 08:08

Vereador afirma que prefeito conseguiu driblar a Justiça

Arnaldo Higino Lessa pôs seu filho Igor como vice em sua chapa

↑ Arnaldo Higino foi preso em flagrante acusado de receber propina (Foto: Roberto Baía/arquivo)

O fato de Arnaldo Higino Lessa (PRB) ter colocado como vice seu próprio filho Igor Higino (PRB) é, para o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Anderson Vera Cruz (SD), uma forma de ludibriar a Justiça.

Preso em novembro, Arnaldo Higino Lessa foi solto no dia 26 de dezembro, mas não reassumiu oficialmente o comando da Prefeitura de Campo Grande.

“Arnaldo não tem leitura, não é alfabetizado, mas mesmo assim conseguiu dar um drible na Justiça do estado. Se eu sou candidato tenho que arrumar um vice que some na minha chapa, correto? Mas como um filho soma numa chapa? Ele sabia que, diante de tudo que cometia, um dia tudo poderia vir a tona. Nesse caso, ele continua no comando da cidade, tendo o filho como atual prefeito”, afirma Anderson Vera Cruz.

Para o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, não é o prefeito em exercício quem comanda o Poder Executivo da cidade.

“Arnaldo segue mandando na Prefeitura”, afirma Anderson Vera Cruz.

Como mostra de que o prefeito em exercício de Campo Grande, Hugo Higino, não é de fato o comandante do Poder Executivo da cidade, o vereador resume seu comportamento desde que assumiu o cargo, após a prisão de seu pai.

“O vice-prefeito, que é filho do Arnaldo, no dia da posse disse que iria fazer o que tem de ser feito, mas quando o pai dele foi solto, não fez nada do que prometeu. Arnaldo está atrapalhando a atuação do filho, que é comandado pelo pai. Arnaldo está afastado, mas como é o pai do prefeito em exercício, continua mandando”, comenta o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande.

 

Após recesso, Câmara pode cassar gestor

 

Além de estar afastado judicialmente do mandato de prefeito, Arnaldo Higino Lessa pode ser cassado nos próximos meses. Em fevereiro, quando a Câmara Municipal de Campo Grande retorna do recesso, uma Comissão Processante será instalada cujo resultado pode pôr fim a seu mandato.

Segundo o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Anderson Vera Cruz, toda a documentação já está pronta para a instauração da Comissão. “Nós vamos instalar a Comissão em fevereiro e toda sua documentação já está pronta, só falta a Câmara voltar do recesso”, relata o vereador.

A depender da composição política da Câmara Municipal de Campo Grande, o prefeito Arnaldo Higino deve ser mesmo cassado pelos parlamentares. Dos nove vereadores, cinco são da oposição.

“Eu fui eleito com a maioria dos votos presidente da Câmara e, até para eles [situação] é muito delicado. Foi um flagrante, com vídeo do prefeito recebendo propina. Não foi uma simples prisão. Somos cinco certos, mas não sei como eles estão lá. Se eu fosse situação, nesse caso seria oposição. Não existe argumento contra fatos. Não sei como eles estão se virando, a coisa tá feia com funcionários sem receber. A cidade está caótica”, diz Anderson Vera Cruz.

 

 

MP Estadual recorre de soltura de Arnaldo Higino

 

O Ministério Público Estadual (MPE) recursou da decisão monocrática, concedida pelo desembargador Celyrio Accioly, que soltou o prefeito de Campo Grande Arnaldo Higino Lessa (PRB), no último dia 26 de dezembro. O gestor foi flagrado recebendo propina do proprietário de uma empresa que prestava serviços à Prefeitura, com direito a vídeo divulgado pelo próprio MPE.

Segundo o MPE, o prejuízo causado pelo prefeito é de meio milhão de reais.

“Assinado pelo procurador de justiça Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, que estava na função de procurador-geral substituto, e pelo promotor de justiça Luciano Romero da Matta, o recurso foi interposto no último dia 10 e, agora, aguarda apreciação do próprio desembargador que revogou a prisão preventiva, homologada anteriormente pelo desembargador Sebastião Costa Filho, logo após Arnaldo Higino ser preso em flagrante no momento em que recebia o dinheiro fruto de cobrança de propina”, explica a assessoria de comunicação do MPE.

“[…] a medida alternativa à prisão adotada em decisão ora recorrida se mostrou absolutamente ineficaz. Uma prova disso é a decisão do prefeito em suspender pagamento do 13º salário dos servidores. Arnaldo Higino continua no comando da Prefeitura de Campo Grande. Não há como crer que medidas como o impedimento de ausentar-se da comarca, a proibição de frequentar a sede da Prefeitura ou aproximar-se de servidores possam ser úteis ao caso”, argumenta o procurador.

CASO

O prefeito de Campo Grande Arnaldo Higino Lessa foi preso no dia 24 de novembro, no momento em que recebia propina de um empresário que prestava serviço à Prefeitura. Segundo ele, o gestor o chantageava.

A prisão em flagrante foi realizada pelo procurador-geral de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça Neto e de equipes do Grupo de Combate Estadual às Organizações Criminosas (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e aos Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Conexos (Gaesf) do MPE.

Segundo a investigação do MPE, foram desviados, pelo menos, R$ 500 mil.

Fonte: Tribuna Hoje, com Tribuna Independente / Carlos Amaral

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