Política

Ex-prefeito Cristiano Matheus acusa grupo de "tentar lhe destruir"

Ex-gestor cita nomes de empresários e vereadores de Marechal

Por Tribuna Independente 26/07/2017 08h10
Ex-prefeito Cristiano Matheus acusa grupo de 'tentar lhe destruir'
Reprodução - Foto: Assessoria

O ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus (PMDB) prestou esclarecimentos nesta segunda-feira (24), na sede da Polícia Federal (PF), em Maceió. Ele foi alvo da Operação Astaroth, na qual é acusado de desviar R$ 6 milhões de programas do Ministério da Educação.

Para a PF, Cristiano chefiou uma organização criminosa composta por 14 pessoas espalhadas em Alagoas, nas cidades de Pão de Açúcar e Santana do Ipanema, localizadas no Sertão; bem como nos municípios de Nova Olinda do Maranhão e Araguanã, no estado do Maranhão; além de São Benedito do Sul, em Pernambuco.

Ponto a ponto, em entrevista à Tribuna Independente, Cristiano Matheus falou sobre o depoimento e as acusações. O ex-prefeito também citou nomes de pessoas que, segundo ele, querem destruir sua imagem com acusações “infundadas”.

“Todo gestor público, todo o ordenador de despesa tem que estar pronto para qualquer tipo de investigação. Investigação que o MPF e a PF faz é normal para qualquer gestor. Coloquei em meu depoimento nomes de pessoas que fizeram essa denúncia infundada. Pedi para que a polícia também escute o Kleber Malaquias; uma senhora que se diz jornalista, por nome de Maria Aparecida; o empresário Carlos Rodas; e dois vereadores: André Bocão, atual presidente da Câmara, que almeja ser prefeito; e Jorge Mello, filho do Euclides [Mello]. Eles querem a minha destruição. Pessoas têm me falado que eles dizem que só serão felizes se eu for preso”, informou Matheus à reportagem.

O ex-prefeito de Marechal Deodoro concedeu explicações à Polícia Federal acompanhado de seu advogado Fábio Ferrário após as diligências realizadas em sua residência.

Cristiano nega desvio de R$ 6 milhões

Em entrevista coletiva realizada na última quinta-feira (21), o superintendente da PF em Alagoas, Bernardo Gonçalves concedeu  detalhes da operação e a suspeita de que os R$ 6 milhões desviados foram usados para comprar imóveis e montar empresas, em nome de terceiros.

Segundo a PF, Cristiano registrava bens, imóveis e veículos, em nome de “laranjas” e utilizava postos de combustíveis em Alagoas e em outros Estados para a lavagem de verbas federais desviadas da merenda e do transporte escolar.

À Tribuna, Cristiano negou as acusações e disse que nunca existiu uma licitação no valor de R$ 6 milhões de merenda.

“Essa denúncia chegou em setembro quando me afastaram, faltando alguns dias para a eleição. Não houve movimentação. O fato novo é que eles fizeram fotografias de onde eu moro e fizeram ligações a outras pessoas, mas não existe laranja nenhum”.

Ainda em setembro de 2016, já no término de sua passagem à frente da Prefeitura de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus foi afastado do mandato por suspeita de desviar recursos do Fundeb, do Programa Nacional de Transporte Escolar (PNATE) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) – além de contratos de reconstrução da orla lagunar da cidade – em ação impetrada pelo Ministério Público Federal (MPF). A operação Astaroth foi resultado da ação do MPF, que se baseou em auditoria da Controladoria Geral da União (CGU).

Ex-gestor sugere investigações à polícia

Cristiano Matheus também se defendeu das acusações de que teria laranjas nos municípios de Pão de Açúcar e Santana do Ipanema, ambos localizados no Sertão alagoano.

“Quando a acusação fala em Pão de Açúcar, eu respondo. É uma chácara que a minha tia tem lá e foi adquirida em 2006. Eu não era nem deputado federal, imagine prefeito. O único bem que a minha tia tem é essa chácara em Pão de Açúcar, que por sinal está aluagada à prefeitura local porque a minha tia está desempregada. Quer dizer, se eu tivesse nadando em dinheiro, não deixaria que minha tia colocasse seu único bem para alugar. Se ela realmente fosse minha laranja, eu deixava a chácara para finais de semana”, declatou o ex-prefeito.

Em relação a Santana do Ipanema, Cristiano diz que a denúncia é de que ele teria um laranja que havia adquirido um posto de combustíveis em Marechal Deodoro em seu nome.

“Existe um rapaz com nome de Albérico, que foi meu secretário. Ele tem uma casa de ração para animais junto ao irmão dele há mais de 10 anos em Santana do Ipanema. Eles também são donos de um posto que tem aqui na Santa Rita [Marechal]. É muito simples para que a PF ou qualquer um possa descobrir. Esse posto foi inaugurado ainda na minha gestão. O dono do posto era o pai de dois juízes federais. Os dois juízes federais junto ao pai podem dizer quem comprou o posto”, relatou o ex-prefeito.

Outros postos de combustíveis também foram apontados pela PF como comprados por Cristiano Matheus com a verba da educação e que ficam no nos municípios maranhenses de Nova Olinda do Maranhão e Araguanã. Além de que o ex-prefeito também tinha uma residência que foi alvo de buscas, no município de São Benedito do Sul, em Pernambuco.

“Eu nunca fui ao Maranhão. Eu disse ao delegado: se o senhor tiver uma filmagem ou fotografia minha visitando, me apresente. O empresário que ele está se referindo como meu laranja já mora lá pra o Maranhão não sei há quantos anos. É um empresário que é irmão do Varela Tratores do Tabuleiro, em Maceió. Rogério Varela, uma pessoa bem sucedida e que tem a história dele. O que acontece é que meu irmão tinha um terreno aqui em Marechal e que nós vendemos esse terreno agora em fevereiro para março. Foi trocado numa SW4 e o resto ele daria em dinheiro. E nessa história o filho do Rodas com essa turma que eu citei, pegaram e levantaram aqui com um candidato a vereador que é filho do Rogério Varela”, informou.

APARTAMENTO

Sobre as buscas e apreensão realizadas pela PF num apartamento que seria dele, Cristiano explicou que o local era alugado e que já havia entregue o imóvel. “Foi até complicado para a polícia poder entrar no apartamento porque era alugado e eu já tinha entregue há um mês, tanto que a polícia quando chegou lá nem ligou mais pra mim. Ligou pra o proprietário. Mas, ainda existia algumas coisas no quarto da minha filha. No meu quarto não tinha mais nada. Só no quarto da minha filha que tinha alguma papelada. As  minhas coisas estão onde eu moro que é em Marechal”.

Por fim, o ex-gestor garante que a sua consciência está tranquila e segue à disposição da Justiça.