Política

Ministério das Cidades só tem proposta pós-chuva para municípios alagoanos

Representantes de Brasília, em reunião na AMA, só ofereceram a prefeitos cadastros em programas do governo

Por Tribuna Independente 01/06/2017 08h34
Ministério das Cidades só tem proposta pós-chuva para municípios alagoanos
Reprodução - Foto: Assessoria

Pessoas desalojadas, escolas fechadas – e as abertas servindo como abrigo –, vias destruídas, tratores, falta de mantimentos, colchões, roupas e medicamentos. Esses são alguns dos problemas que a população das cidades atingidas fortemente pelas recentes chuvas está passando, mas a comitiva do Ministério das Cidades (MCid) que esteve ontem (31) em Alagoas não tinha resposta a essas demandas.

Em reunião realizada ontem (31) na sede da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), no período da tarde, os três enviados de Brasília apenas apresentaram formas de os prefeitos convocados para o encontro cadastrarem os desalojados em programas do governo, em especial o “Cartão Reforma”.

Segundo Álvaro Lourenço, diretor do Departamento de Habitação do MCid, as obras a serem feitas pelo “Cartão Reforma” devem estar na faixa de preço entre R$ 2 mil e R$ 9 mil e realizadas por meio de mutirão.

“Queremos que os prefeitos nos enviem por e-mail o relatório de quantas pessoas serão cadastradas no programa e também enviaremos uma equipe, para uma manhã ou tarde, para treinar o pessoal das prefeituras a atuar junto ao programa”, diz.

O inverno propriamente dito ainda nem começou e mais chuvas podem ocorrer, e com elas mais estragos nas cidades alagoanas. Portanto, esses levantamentos correm sério risco de caducarem.

Segundo a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), a previsão é que o inverno seja chuvoso, em menor intensidade.

Em Marechal, estudantes podem ficar sem aula em 2017

Os estudantes da rede pública de Marechal Deodoro correm o risco de só voltarem às aulas em 2018. Essa possibilidade foi revelada pelo secretário de Educação da cidade, Marcelo Beltrão, durante a reunião na AMA com os membros do MCid.

“Muitas escolas foram destruídas e as que estão inteiras servem de abrigo, fora o material didático que, em boa parte, foi destruído pela chuva. Não vemos, hoje, possibilidade de as aulas voltarem nesse ano”, diz Marcelo Beltrão.

Prefeito de uma das cidades mais afetadas pela chuva, Renato Filho (PSDB), chegou a elogiar o que foi apresentado pelos membros do MCid, mas destacou que nada atende à demanda de agora.

“Tudo que falaram aqui é muito bom se realmente funcionar como disseram, mas não ajuda a resolver o que estamos passando agora. Pilar está com cerca de mil desabrigados, nossa via principal caiu, três mil alunos sem aula, e as obras que precisamos fazer são de nível de governo federal. Vamos ver o que vem do Ministério da Integração Nacional [MI]”, diz Renato Filho. O MI é quem cuidará das demandas emergenciais.

CEF

O superintendente da Caixa Econômica Federal (CEF) em Alagoas, Kleber Paz, negou haver algum programa específico de construção de casas para os desabrigados. “Mas eles poderão ter prioridade em empreendimentos futuros. Também estamos buscando dar celeridade às obras em andamento”.

Necessariamente, os beneficiários dos conjuntos em construção não perderam suas casas nas chuvas.

Entidade tem ajudado em levantamentos

O presidente da AMA, Hugo Wanderley, afirmou na reunião entre prefeitos e representantes do MCid que a entidade está ajudando os gestores a realizarem os levantamentos dos estragos causados pela chuva.

“Também é preciso que os municípios se ajudem, porque os custos dos reparos é muito grande e todos sabemos a situação financeira das prefeituras”, pontua.

Ele também ressaltou que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) garantiu que irá reconstruir as escolas destruídas pela chuva, “o mais rápido possível”.

Foram convocados os 27 municípios que decretaram situação de emergência e estiveram presentes, com os prefeitos ou representantes das administrações, as cidades de Satuba; Pilar; Jacuípe; Chã Preta; Quebrangulo; Viçosa; Colônia Leopoldina; Joaquim Gomes; Marechal Deodoro; Coruripe; Atalaia; Rio Largo; Maceió; e Coqueiro Seco.

“Nesse momento [ontem à tarde], o governador Renan Filho [PMDB] está reunido com sua equipe para ver como vai auxiliar os municípios com material de higiene, água e outras questões emergenciais”, destaca.

Como forma de mostrar como os prefeitos podem se ajudar, o presidente da AMA – que é prefeito de Cacimbinhas – ofereceu tratores de sua cidade aos demais, após reclamação dos presentes de falta de recursos e da burocracia para a ajuda estadual ou federal se concretizar. “Precisamos entender que as coisas não podem ser feitas de qualquer maneira”, declarou.

Contas de prefeitura podem estourar após estragos da chuva em Jacuípe

O prefeito de Jacuípe, Amaro Ferreira da Silva Júnior – mais conhecido como Carro Velho – destacou na reunião de ontem com membros do Ministério das Cidades, realizada na sede da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), que as contas da Prefeitura estão prestes a estourar devido aos problemas causados pela chuva. “Meu orçamento de combustível, por exemplo, já passou do previsto. É preciso ver uma forma de a ajuda federal vir logo, pois elas costumam demorar”.