Política

26 de fevereiro de 2017 08:37

Municípios alagoanos investem em Carnaval mais “enxuto” em 2017

Prefeitos não abrem mão em gerar economia, mas com atrações em conta

O país do Carnaval passa por uma das maiores crises econômicas dos últimos anos e a festa popular mais celebrada pelos brasileiros pode não acontecer em dezenas de cidades.

Em Alagoas, apesar da crise, algumas prefeituras já confirmaram que vai ter carnaval, só que com investimentos mais baixos. São os casos dos municípios de Jequiá da Praia, Murici, São José da Laje e Barra de São Miguel, que têm tradição em realizar estes festejos.

Em Jequiá da Praia, a prefeita Jeannyne Beltrão (PRB) confirmou que a festa terá um custo menor que as edições anteriores.

“Vai ser um Carnaval mais barato. Conseguimos economizar mais de 30% para realizar essa festividade. Na cidade só teremos blocos de rua e que a prefeitura ajuda. Mas, nós colocamos bandas pequenas para fazer shows todas as noites no Centro de Jequiá. Agora nós temos uma tradição de um grande arrastão que sempre acontece no domingo de carnaval e ele será mantido”, explicou a prefeita, acrescentando que a festa projeta renda para o município.

Mesmo com o alerta do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre a promoção do Carnaval financiado com recursos públicos, vários municípios esqueceram a crise econômica e não abriram mão de ‘alegrar’ a população. Para isso, vão bancar os festejos carnavalescos. É o caso de São José da Laje, onde o prefeito Bruno Rodrigo (PMDB) ressaltou que não poderia cancelar a festa que mais movimenta economicamente o município.

“O carnaval será realizado normalmente porque nos planejamos bem desde o ano passado. Será uma programação enxuta. Mais de 130 mil pessoas passam pelo município durante o carnaval e isso nos garante renda”, declara Bruno.

Cidades conseguem atrair mais turistas

Um fator preocupante para as populações é a questão da escassez da água que afeta muitas cidades alagoanas. Em Murici, cidade administrada por Olavo Neto (PMDB), a Justiça proibiu a distribuição e utilização de tinta de qualquer cor dentro ou fora dos blocos carnavalescos durante as festividades no município. Há 65 anos promovendo a alegria na cidade, o Tudo Azul já faz parte da identidade cultural da população.

“O Bloco Tudo Azul este ano continuará seguindo toda a sua tradição. Seguindo determinação judicial, o bloco não contará com o tradicional banho de tinta azul, mas não deixará de ter o brilho de todos os anos”, garante o prefeito.

Outra cidade marcada pela tradição da festa carnavalesca é a Barra de São Miguel. A cidade que tem como prefeito, José Medeiros Nicolau, mais conhecido como Zezeco (PMDB) também vai apertar os cintos na edição do carnaval deste ano. Foi o que informou a assessoria de comunicação do município, que confirmou que o evento terá contenção de despesas.

“Será um evento com um custo menor. Vale ressaltar que a Barra sempre tem dificuldade no Carnaval devido ao número de pessoas que recebe. Isso porque a quantidade de pessoas no município ultrapassa mais de dez vezes o número de habitantes”, ressalta a prefeitura.

ORIENTAÇÃO E ECONOMIA

Em contato com a Tribuna Independente, o presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Hugo Wanderley, disse que a instituição fez um levantamento da situação de todas as cidades.

“O cenário atual da crise econômica sugere que nós tenhamos cautela na aplicação do recurso como um todo. Mas a gente sabe que alguns municípios têm uma cultura do carnaval e que abri com a festa a economia das cidades é movimentada positivamente. Então, cada cidade tem uma particularidade, uma realidade diferente. Na maioria dos municípios que não tem tradição, os prefeitos não vão realizar a festa. Nos municípios onde existe a tradição, o prefeito fica mais amarrado de fazer uma mudança abrupta na programação. Mas todos os prefeitos sem exceção enxugaram os gastos. A AMA orientou”, garantiu Wanderley.

A Tribuna Independente ouviu o economista Cid Olival para saber se a realização do carnaval gera benefícios econômicos para essas cidades. Segundo ele, há uma tendência de diminuição da arrecadação por parte dos municípios, por conta da situação de queda do consumo por parte da população, por conta da situação da crise econômica.

“De modo geral o município precisa ter muita clareza do que acontece com a situação financeira dele para realizar ou não uma festividade como essa. Até mesmo porque envolve gastos vultosos.

Agora como o Carnaval é uma festividade de rua, popular, o estímulo para que a festa se realize indiscutivelmente vai gerar algum tipo de renda pra economia local. Até mesmo porque em Alagoas temos basicamente uma particularidade nessas cidades que realizam o Carnaval que é associar a atividade carnavalesca com uma proximidade da praia. Então você estimularia com pouco recurso, uma atividade econômica dentro do município e com isso você atrairia muitos turistas, além de pessoas de outros municípios de Alagoas que não desfrutam do carnaval em suas localidades. Sobretudo porque os investimentos que são alocados para realizar o carnaval normalmente não são de custos muito elevados. A não ser de investimentos, a exemplo da Bahia que você vai ter trios elétricos, aí sim você tem um custo extremamente elevado”, explicou o economista.

Fonte: Tribuna Independente

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