Polícia
Operação mira fraude em sistema público de AL e prende suspeito no Ceará
Investigação aponta uso de credencial de servidor afastado para enganar usuários e cobrar pagamentos indevidos
Uma credencial de acesso vinculada a um servidor afastado das atividades foi usada para entrar no sistema de atendimento de um órgão público de Alagoas e aplicar golpes contra usuários. A descoberta levou a Polícia Civil de Alagoas ao município de Icó, no Ceará, onde um suspeito foi preso nesta quinta-feira (3) durante a Operação Atendimento Fantasma.
A ação foi coordenada pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) e pela Divisão Especial de Combate à Corrupção (Deccor). Foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital.
Segundo a investigação, o suspeito acessava o ambiente virtual de atendimento usando indevidamente a credencial e se apresentava às vítimas como funcionário responsável pelo serviço. Ele alegava problemas na emissão de documentos e orientava os usuários a fazer pagamentos por uma modalidade que não era utilizada oficialmente pelo órgão.
Em alguns casos, documentos falsos em PDF eram enviados para dar aparência de legitimidade às cobranças. Até agora, dois pagamentos feitos por vítimas foram confirmados.
VPN não impediu identificação
Para tentar esconder a origem dos acessos, o investigado utilizava redes privadas virtuais (VPN). A investigação cibernética, porém, conseguiu identificar um endereço de IP utilizado em uma das conexões.
A partir desse dado e de outras informações técnicas, os policiais chegaram à identificação do suspeito.
De acordo com a delegada Maria Eduarda, responsável pela operação, os mandados foram cumpridos no endereço ligado ao investigado, em Icó.
“Foram apreendidos aparelhos eletrônicos e uma motocicleta utilizada pelo investigado.”
Além da prisão e da busca, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 8.618, valor correspondente às fraudes confirmadas até o momento, e autorizou a quebra dos sigilos bancário e de dados telemáticos.
Servidor teve credencial usada sem autorização
No início da apuração, a Polícia Civil chegou a investigar a possibilidade de participação do titular da credencial utilizada nos acessos. Segundo a delegada Ana Beatriz Silva, os primeiros elementos levantaram suspeitas de crimes como peculato e inserção de dados falsos em sistema.
“Os elementos posteriormente reunidos afastaram o envolvimento do titular da credencial nos fatos e indicaram que suas informações de acesso teriam sido utilizadas indevidamente por terceiros.”
Com o avanço da investigação, a suspeita sobre o servidor foi afastada. Permanecem sob apuração, em tese, os crimes de fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de capitais.
Segundo a polícia, os valores eram transferidos por contas de terceiros e intermediadoras de pagamento, o que dificultava a identificação dos beneficiários finais.
As investigações continuam para identificar possíveis outros envolvidos, incluindo pessoas e empresas que possam ter sido usadas para receber ou movimentar o dinheiro obtido com as fraudes.
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