Polícia
Vingança teria motivado sequência de crimes que terminou com morte de adolescente em Maceió
Polícia Civil concluiu investigações sobre os assassinatos de Binho, de 31 anos, e Maria Vitória, de 15; apuração aponta uma cadeia de retaliações entre os envolvidos
Uma sequência de vinganças e retaliações é apontada pela Polícia Civil de Alagoas como a principal explicação para dois homicídios investigados em Maceió. Os inquéritos sobre as mortes de um homem conhecido como Binho, de 31 anos, assassinado em abril, e da adolescente Maria Vitória Cardoso da Silva, de 15, morta em julho, foram concluídos após a análise de provas técnicas e depoimentos.
Segundo o delegado Arthur César, responsável pelas investigações, os dois casos estariam ligados por uma série de conflitos iniciada após uma agressão sofrida pela adolescente.
Conforme a investigação, Maria Vitória teria sido agredida por uma mulher e dois homens após deixar a residência onde vivia. A polícia trabalha com a possibilidade de que Binho estivesse entre os autores da agressão.
A adolescente teria decidido se vingar do grupo. Para os investigadores, essa reação acabou relacionada à morte de Binho, ocorrida em 22 de abril.
O homem mantinha uma relação anterior com a mulher que, posteriormente, passou a ser apontada como uma das envolvidas no sequestro de Maria Vitória.
A Polícia Civil acredita que a morte de Binho desencadeou uma nova onda de retaliações.
A investigação aponta que Maria Vitória acabou se reencontrando com a mulher que seria alvo de sua vingança. Segundo a Polícia Civil, imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que a adolescente é abordada em uma rua e colocada à força dentro de um veículo.
As imagens foram encaminhadas à Justiça, mas não foram divulgadas pela polícia.
A jovem teria sido levada para a região da Grota do Belo Monte, onde, de acordo com a investigação, foi torturada e assassinada.
O corpo foi posteriormente deixado em uma área utilizada para descarte irregular de lixo, na Avenida Juca Sampaio, no bairro do Jacintinho.
Maria Vitória foi morta em 1º de julho. O exame pericial apontou perfurações provocadas por arma branca como causa da morte. Também foram identificadas lesões no rosto, principalmente na região próxima aos olhos, além de arranhões nas costas, compatíveis, segundo a investigação, com a possibilidade de a vítima ter sido arrastada.
Polícia aponta participação de três homens e uma mulher
A mulher apontada como envolvida no sequestro e assassinato da adolescente foi indiciada pela Polícia Civil. Dois homens também são investigados por participação direta na execução.
Um deles, de 31 anos, foi preso preventivamente no dia 4 de agosto, no Jacintinho. A prisão ocorreu na mesma região onde o corpo da adolescente foi localizado.
Antes disso, em 23 de julho, uma mulher de 31 anos já havia sido presa preventivamente por suspeita de envolvimento no sequestro e homicídio.
A polícia ainda procura um terceiro homem que teria participação no crime.
De acordo com o delegado, outras pessoas ligadas ao sistema prisional também podem ter participado de uma espécie de julgamento informal contra Maria Vitória. Esses envolvidos, porém, ainda não foram identificados oficialmente.
Homem que aparece com carrinho não é suspeito de homicídio
Durante as investigações, imagens também mostraram um homem empurrando um carrinho de mão com um saco branco e deixando o material em uma área de descarte.
Apesar da cena ter chamado a atenção durante o caso, a Polícia Civil esclareceu que ele não participou do assassinato da adolescente.
Segundo o delegado, o homem teria acreditado que estava ajudando a transportar o corpo de um cachorro. Depois, teria sido ameaçado por integrantes do tráfico da região, que o impediram de sair de casa e determinaram que se desfizesse das roupas utilizadas naquele dia para dificultar sua identificação.
Para a Polícia Civil, os dois homicídios estão inseridos em uma sequência de conflitos pessoais e vinganças que se prolongou por meses.
Embora os investigados não tenham confessado formalmente todas as motivações apontadas pela polícia, os investigadores afirmam ter reunido elementos técnicos e testemunhais que sustentam a linha adotada nos inquéritos.
Com a conclusão das investigações, os procedimentos foram encaminhados para as medidas cabíveis no âmbito da Justiça.
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