Polícia

Golpe da falsa renda extra usa nomes de grandes empresas para atrair vítimas

Criminosos abordam pessoas pelo WhatsApp, prometem ganhos de até R$ 1,5 mil por dia e depois exigem depósitos via Pix para liberar supostas comissões

Por Lucas França com Tribuna Hoje 30/07/2026 11h43 - Atualizado em 30/07/2026 11h55
Golpe da falsa renda extra usa nomes de grandes empresas para atrair vítimas
Anúncios nas redes sociais podem ser na verdade golpes virtuais - Foto: Reprodução

Uma mensagem inesperada no WhatsApp ou até anúncios no Instagram com a promessa de ganhar dinheiro trabalhando poucos minutos por dia pode ser o início de um golpe. Criminosos têm utilizado nomes de grandes empresas, como Shopee, Mercado Livre, Shein e Temu, para oferecer falsas oportunidades de renda extra e convencer vítimas a realizar depósitos via Pix. Alagoas registrou 7.828 casos de golpes financeiros virtuais apenas em 2025.

O golpe segue um roteiro que tem se repetido. A pessoa recebe uma proposta para realizar tarefas simples pelo celular, como clicar em pedidos, avaliar produtos ou ajudar lojas a melhorar as vendas. Os ganhos prometidos podem chegar a centenas de reais por dia.

Em uma apuração do Portal Tribuna Hoje, um suposta recrutador que se identificou como "Daniela" afirmou ser "recepcionista oficial da Shopee, Temu e Mercado Livre" e ofereceu uma oportunidade de trabalho remoto. "Você trabalha em casa usando seu celular por 15 a 30 minutos e ganha entre R$ 300 e R$ 800 em comissão por dia", dizia uma das mensagens.

Recrutador envia prints de supostos ganhos de outras pessoas (Foto: Reoprodução)



Na conversa, a suposta recrutadora também prometeu ganhos de R$ 300 em um dia e até R$ 1.800 em seis dias. Após demonstrar interesse, a 'pessoa' foi direcionada para uma plataforma por meio de um link que imitava o nome da Shopee, mas não correspondia ao endereço oficial da empresa.

Depois do cadastro, o contato informou que havia um bônus de R$ 10 disponível na conta. A quantia seria liberada para saque após a realização de uma tarefa. Na sequência, veio a exigência de depósito. Segundo a mensagem, seria necessário colocar R$ 26 na plataforma para iniciar as atividades e receber comissões que poderiam chegar a R$ 900.

"Esses R$ 26 são apenas para aceitar pedidos e iniciar o trabalho. O pagamento e as comissões podem ser sacados imediatamente em até 10 minutos após a conclusão do trabalho, e seu depósito é garantido", afirmou o suposto recrutador.

Para convencer a vítima, também foi apresentado um suposto comprovante de saque. A mensagem dizia que outro participante havia depositado R$ 26 e conseguido retirar cerca de R$ 289. A dinâmica é característica do chamado ''Golpe da Renda Extra''. Primeiro, os criminosos oferecem tarefas simples e podem até fazer pequenos pagamentos para conquistar a confiança da vítima. Depois, passam a exigir depósitos para liberar atividades com valores maiores ou permitir o saque de um suposto saldo.

Um passo a passo de como se cadastrar é enviado via WhatsApp (Foto: Redes sociais)



Em alguns casos, as vítimas também são colocadas em grupos de mensagens onde aparecem falsos comprovantes de ganhos, criando a impressão de que outras pessoas estão lucrando com a atividade.

Golpes virtuais preocupam consumidores


O Procon Maceió alerta para diferentes tipos de fraudes praticadas no ambiente digital. Entre elas estão a clonagem do WhatsApp, perfis falsos de lojas, sites fraudulentos de compras, falso suporte bancário e mensagens com links maliciosos para roubo de dados.

Segundo o coordenador de Atendimento do Procon Maceió, Pedro Vinícius, denunciar as tentativas de fraude ajuda a evitar novas vítimas. "A denúncia é uma forma de proteção coletiva. Além de buscar a reparação individual, o consumidor ajuda a mapear golpes que estão se espalhando e permite que o órgão atue preventivamente, inclusive em campanhas de orientação e fiscalização", afirmou.

Outra modalidade que tem preocupado as autoridades é o golpe do falso advogado. Nesse caso, criminosos utilizam fotos e nomes de profissionais reais para informar às vítimas que existem valores a receber em processos judiciais. Em seguida, exigem pagamentos antecipados, geralmente via Pix, para supostamente liberar o dinheiro.

O criminoso tenta de todo jeito mostrar que você está fazendo um bom negócio (Foto: Reprodução)



Quem fizer uma transferência para golpistas deve procurar imediatamente o banco e informar a fraude. Também é importante solicitar orientação sobre o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix.

A vítima deve registrar um Boletim de Ocorrência e guardar provas, como prints das conversas, números de telefone, links utilizados pelos criminosos e comprovantes das transferências.

A recomendação é não realizar novos pagamentos para tentar recuperar o dinheiro perdido. Os criminosos podem continuar exigindo depósitos sob a justificativa de liberar o saldo ou corrigir algum suposto erro na plataforma.

Para evitar esse tipo de fraude, a orientação é desconfiar de ofertas de trabalho que chegam inesperadamente por  aplicativos de mensagem, principalmente quando prometem ganhos elevados por tarefas simples ou exigem qualquer pagamento para começar.

Empresas legítimas não costumam cobrar valores para contratar trabalhadores ou liberar salários e comissões. Antes de fornecer dados ou clicar em links, o consumidor deve verificar a oferta nos canais oficiais da empresa mencionada.