Polícia
Polícia aponta esquema de R$ 300 milhões ligado à família de Vitinho
Operação da Dracco cumpriu mandados contra familiares e empresas, apreendeu R$ 90 mil em espécie e afirma que estrutura financeira ajudou a manter investigado foragido
Mais de R$ 300 milhões teriam sido movimentados, nos últimos quatro anos, por uma organização criminosa investigada pela Polícia Civil de Alagoas. Segundo a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), o grupo seria liderado pelo pai de Victor Bruno da Silva Santos, conhecido como Vitinho, preso nessa sexta-feira (10) e investigado pelo estupro de Maria Daniela Ferreira Alves, ocorrido em Coité do Nóia, em dezembro de 2024.
As informações foram divulgadas durante entrevista coletiva. De acordo com a Polícia Civil, a investigação identificou indícios de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, fraudes financeiras e utilização de empresas e pessoas interpostas para ocultar a origem dos recursos.
De acordo com o delegado José Carlos dos Santos, responsável pelo inquérito, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão em residências de familiares e em empresas ligadas ao grupo, entre elas lojas de veículos.
As diligências resultaram na apreensão de dois veículos, cerca de R$ 90 mil em espécie, celulares, computadores e documentos contábeis e fiscais que, segundo a investigação, registram a movimentação financeira das empresas.
O material será submetido à perícia e incorporado ao inquérito que apura crimes financeiros praticados pela organização. A Polícia Civil também solicitou à Justiça o bloqueio de contas bancárias de integrantes da família, empresas e pessoas investigadas por atuar como "laranjas" na movimentação dos recursos.
Cerco levou à localização do foragido
Durante a operação, os policiais chegaram aos endereços dos familiares de Vitinho. Conforme o delegado Igor Diego, diretor da Dracco (Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), diante da intensificação das buscas, a família informou onde o investigado estava escondido, na zona rural de Taquarana, interior de Alagoas.
Vitinho foi localizado pelos policiais, conduzido ao fórum do município, onde participou de audiência de instrução e julgamento relacionada ao processo por estupro, e, em seguida, levado para a Delegacia Geral, em Maceió. No local, foi cumprido também um mandado de prisão temporária expedido no âmbito da investigação sobre os crimes financeiros.
Após os procedimentos, ele foi encaminhado para audiência de custódia e deverá permanecer à disposição da Justiça antes da transferência para o sistema prisional.
Caso ganhou repercussão após denúncia da família da vítima
Vitor Bruno é investigado por estuprar e agredir Maria Daniela Ferreira, de 19 anos, durante uma confraternização realizada em dezembro de 2024, em uma chácara da família, na zona rural de Coité do Noia.
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Segundo a investigação, a jovem sofreu violência sexual, agressões físicas, foi asfixiada e teve traumatismo craniano. Ela permaneceu cinco dias em coma e convive com sequelas neurológicas. Exames apontaram ainda a presença de substâncias, entre elas Diazepam, Haloperidol, Fenitoína e Prometazina, medicamentos com efeito sedativo frequentemente associados à incapacitação de vítimas em crimes sexuais.
O caso voltou a ganhar repercussão neste ano após familiares da vítima cobrarem celeridade na responsabilização dos envolvidos.
Estrutura financeira passou a ser alvo da Dracco
O delegado José Carlos afirmou que a investigação financeira teve origem nas diligências realizadas pela equipe de Capturas durante as tentativas de localizar Vitinho.
Segundo ele, a análise de dados bancários autorizada pela Justiça revelou movimentações incompatíveis com o faturamento declarado pelas empresas investigadas.
De acordo com a polícia, duas empresas do grupo apresentavam recolhimento reduzido de impostos, enquanto movimentavam valores milionários. A suspeita é de que o esquema utilizasse empresas e pessoas físicas para ocultar recursos e reduzir a carga tributária.
A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para identificar todos os integrantes da organização e responsabilizar os envolvidos pelos crimes financeiros.
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