Polícia

Em Alagoas, servidores públicos são investigados por esquema de fraude em sorteios habitacionais

Operação Teto de Vidro identifica mais de 50 vítimas e indícios de lavagem de dinheiro envolvendo funcionários municipais e estaduais

Por Lucas França 09/06/2026 13h42 - Atualizado em 09/06/2026 18h17
Em Alagoas, servidores públicos são investigados por esquema de fraude em sorteios habitacionais
Entre os investigados, estão servidores públicos municipais e estaduais, responsáveis por atrair vítimas e dar aparente credibilidade às promessas de favorecimento - Foto: PC/AL

Durante coletiva nesta terça-feira (9), a Polícia Civil de Alagoas detalhou a segunda fase da Operação Teto de Vidro, que apura um esquema criminoso voltado a golpes em pessoas interessadas em sorteios habitacionais. Entre os investigados, estão servidores públicos municipais e estaduais, responsáveis por atrair vítimas e dar aparente credibilidade às promessas de favorecimento.

Segundo a delegada Michelly Santos, um dos suspeitos é servidor comissionado de uma secretaria municipal, mas atuava de forma isolada, sem envolvimento da administração ou da própria pasta. “O município e a secretaria não tinham conhecimento das ações desse servidor. Ele usava seu cargo apenas para transmitir confiança às vítimas”, explicou a delegada.

De acordo com as investigações, os suspeitos prometiam prioridade em sorteios de unidades habitacionais mediante pagamento de valores, sem qualquer participação de órgãos oficiais ou manipulação dos resultados. O esquema ainda contava com uma rede de captação de vítimas, algumas das quais passaram a indicar novos participantes, ampliando o alcance da fraude.

A primeira fase da operação resultou na prisão do líder da organização, que permanece detido. Nesta segunda etapa, as ações se concentraram em rastrear movimentações financeiras e identificar pessoas que receberam recursos do esquema. Documentos apreendidos em residências de investigados apontam aquisição de veículos de luxo, imóveis e outros bens, reforçando a suspeita de lavagem de dinheiro.

Até o momento, cerca de R$ 500 mil em prejuízos foram formalmente comprovados, mas os investigadores acreditam que o montante total seja muito maior. Com a autorização da Justiça, foram adotadas medidas cautelares como afastamento de funções públicas, bloqueio de bens e monitoramento das atividades dos suspeitos.

A Polícia Civil continua analisando documentos e movimentações patrimoniais para identificar novos envolvidos e recuperar recursos obtidos de forma ilícita. Novas fases da Operação Teto de Vidro não estão descartadas.