Polícia
Fraude usa nome de advogado para exigir Pix em Alagoas
Especialista alerta que criminosos acessam dados públicos, se passam por profissionais da Justiça e prometem liberar valores
Clientes que aguardam decisões judiciais têm sido alvo de um golpe que utiliza fotos e nomes de advogados reais para pedir transferências bancárias com a promessa de liberação de valores de processos. O alerta foi feito pela advogada e conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Alagoas (OAB/AL) Danielly Godoy, durante bate-papo no programa TH Entrevista.
O golpe em que criminosos se passam por advogados para pedir transferências bancárias já atingiu centenas de pessoas em Alagoas. Dados recentes citados pela advogada apontam que cerca de 900 ocorrências foram registradas no estado por vítimas que procuraram a polícia para denunciar o crime.
Segundo a advogada, o número pode ser ainda maior, já que muitas pessoas não registram boletim de ocorrência após perceberem que foram enganadas.
Segundo a advogada, os criminosos utilizam imagens de profissionais da advocacia, logomarcas de escritórios e números de telefone diferentes para abordar as vítimas por mensagem ou ligação.
De acordo com Danielly Godoy, o contato geralmente começa com a informação de que o processo teve decisão favorável. Em seguida, os golpistas afirmam que existe um valor disponível, mas condicionam a liberação do dinheiro ao pagamento antecipado.
“Eles dizem que o processo foi ganho e que existe um valor para ser liberado, mas que a pessoa precisa fazer um pagamento antes. Isso não existe. Se pediram dinheiro antes de você receber, é golpe”, afirmou. A advogada relatou que a fraude tem atingido tanto clientes quanto profissionais da área jurídica. Conforme explicou, os criminosos usam a imagem de advogados para dar aparência de credibilidade à abordagem.
Vítimas
Segundo Danielly Godoy, os golpistas utilizam informações disponíveis em processos judiciais para localizar possíveis vítimas. “Os processos são públicos. Eles entram pelo CPF do cliente, identificam quem é o advogado e passam a usar a foto desse profissional para se passar por ele”, disse.
A advogada explicou que muitas vítimas aguardam decisões judiciais há meses ou anos e acabam sendo abordadas no momento de expectativa pelo resultado. Conforme pontuou, os criminosos exploram esse cenário para convencer as pessoas a realizar transferências via PIX. “Eles se aproveitam da ansiedade de quem está esperando uma resposta da Justiça”, acrescentou.
Golpe
De acordo com a advogada, os golpistas passaram a adotar novas estratégias para aumentar a credibilidade da fraude. Entre elas, a participação de uma segunda pessoa que se apresenta como juiz ou promotor.
Segundo ela, em alguns casos os criminosos realizam chamadas de vídeo para reforçar a narrativa de que o processo foi julgado. “Eles chegam a dizer que um juiz vai falar com a pessoa. Aparece alguém dizendo que é o juiz do processo e que o valor será liberado”, mencionou.
Danielly Godoy reforçou que nenhum juiz entra em contato direto com partes de um processo para tratar de pagamentos. “Não existe essa possibilidade. Ninguém da Justiça vai ligar para você pedindo depósito”, ressaltou.
O que fazer
Caso a vítima já tenha realizado transferência, a advogada recomenda procurar imediatamente o banco e registrar ocorrência policial. “Faça um boletim de ocorrência e procure o gerente do banco para tentar bloquear ou recuperar o valor”, orientou.
Ela também recomenda que o caso seja comunicado à OAB e ao advogado responsável pelo processo. Para evitar fraudes, Danielly Godoy sugere que os clientes salvem corretamente o contato do advogado e confirmem qualquer solicitação financeira. “Desconfie sempre e nunca deposite dinheiro antes de receber qualquer valor do processo”, concluiu.
A entrevista completa está disponível no canal Tribuna Hoje no YouTube, no site do Tribuna Hoje e na programação do canal 12 – TV COM da Net/Claro, com exibição às 10h, 16h e 20h.
Confira no link abaixo:
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