Polícia
PF prende dono do Banco Master em nova fase da Operação Compliance Zero
Investigação autorizada pelo STF apura fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado; Banco Central apoia apurações
A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (4), em São Paulo, o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, durante a terceira etapa da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a comercialização de títulos de crédito falsificados. A ofensiva foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, cumprida na capital paulista e em Minas Gerais, com apoio do Banco Central do Brasil, e inclui acusações de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e atuação de organização criminosa.
De acordo com a PF, há indícios de que o grupo investigado teria estruturado operações financeiras simuladas para ofertar títulos sem lastro real, afetando o sistema financeiro e investidores. O nome da operação faz referência à ausência de mecanismos internos eficazes de controle e integridade — elemento considerado central na apuração de possíveis crimes de gestão fraudulenta e manipulação de mercado.
Contra Vorcaro foi expedido mandado de prisão preventiva, já cumprido, e ele foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. O cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, também é alvo de ordem judicial de prisão, mas ainda não havia sido localizado até a última atualização oficial.
Ao todo, foram determinadas quatro prisões preventivas e 15 mandados de busca e apreensão. As decisões judiciais também impõem medidas cautelares como afastamento de funções públicas e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. Segundo os investigadores, o objetivo é interromper a movimentação de ativos supostamente vinculados às irregularidades e assegurar eventual ressarcimento ao sistema financeiro.
Reflexos e contexto para Alagoas
O Maceió Previdência — fundo de pensão dos servidores públicos de Maceió — aplicou montantes significativos em letras financeiras emitidas pelo Banco Master antes da liquidação extrajudicial da instituição financeira decretada em novembro de 2025 pelo Banco Central do Brasil. Esses papéis representam cerca de R$ 97 milhões do patrimônio do Iprev, o que o coloca entre os maiores volumes aplicados por regimes próprios de previdência no país nesse tipo de ativo — e que não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O investimento no Banco Master tem sido alvo de questionamentos e denúncias políticas e administrativas em Maceió, com vereadores e ex-autoridades apontando possíveis irregularidades no processo de aprovação da aplicação e na governança do fundo. Autoridades municipais têm defendido que os pagamentos de aposentadorias e pensões permanecem garantidos, enquanto o Iprev acompanha a situação com órgãos reguladores à medida que o processo de liquidação do banco avança.
Mais lidas
-
1Suspense policial espanhol
Colisão Implacável explicado: o que realmente acontece no final confuso do filme da Netflix?
-
2Tetra
Eleitores de Lula celebram quarta vitória do presidente em ato na orla de Maceió
-
3Novo sistema
Radares em rodovias estaduais de Alagoas começam a multar neste domingo (1º)
-
4Sertão de Alagoas
Pai de suspeito de feminicídio diz que dívida de R$ 1,5 mil teria motivado assassinato em Santana do Ipanema
-
5Nota de esclarecimento
Laudo aponta mais de 20 golpes de faca no corpo de mulher assassinada em Santana do Ipanema




