Polícia

Trabalhadores da Ufal entram em greve nesta sexta-feira

Por Valdete Calheiros - repórter / Tribuna Independente 27/02/2026 08h42
Trabalhadores da Ufal entram em greve nesta sexta-feira
O reitor Josealdo Tonholo esteve reunido com a equipe e a coordenadora-geral do Sintufal Nadja Lopes sobre a paralisação da categoria - Foto: Ascom Sintufal

Começa hoje, por tempo indeterminado, a paralisação dos técnicos administrativos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Os trabalhadores decidiram pela greve, em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas (Sintufal), realizada no auditório do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), na última terça-feira.

A categoria denuncia o descumprimento do acordo de greve firmado em 2024 e também rebate o Projeto de Lei 6170/2025, apontado pelos servidores como ameaça a direitos da carreira.

Entre as principais reivindicações estão o cumprimento integral do acordo de 2024, a defesa da jornada de 30 horas e da flexibilização já implementada em setores das instituições, a inclusão dos aposentados nos benefícios da carreira e a rejeição à reforma administrativa e à PEC 38, conhecida como PEC da Reforma Administrativa.

A deliberação ocorre no contexto da greve nacional dos técnicos administrativos em educação. Com a adesão da Ufal, ao menos 30 Instituições Federais de Ensino Superior em todo o país passam a integrar o movimento. A paralisação acontece na segunda semana de volta às aulas da instituição.

Segundo o Sintufal, a greve afeta as atividades administrativas e de apoio acadêmico da universidade e principalmente o funcionamento do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA).

O movimento reivindica pautas unificadas da categoria em âmbito nacional, que vêm sendo discutidas desde o início do ano com o governo federal. A paralisação segue orientação do comando nacional de greve e deve ocorrer nos próximos dias, até nova deliberação em assembleia.

A assembleia aprovou, também, a indicação do servidor aposentado Bartolomeu Rodrigues de Moura para participar do Comando Nacional de Greve da Fasubra, em Brasília.

Logo após a assembleia, o Sintufal enviou ofício ao reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, comunicando a decisão da categoria, com cópias enviadas para a Superintendência do HUPAA/Ufal/Ebserh, a Divisão de Gestão de Pessoas (Divgp) do HUPAA e o Departamento de Administração de Pessoal da Ufal. Ontem, o reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, se reuniu com a vice-reitora, Eliane Aparecida Holanda Cavalcanti, o pró-reitor de Gestão de Pessoas e do Trabalho da Ufal, Wellington da Silva Pereira e a coordenadora geral do Sintufal, Nadja Lopes dos Santos.

Na avaliação do reitor, a paralisação é um momento muito rico de discussão acerca do trabalho na universidade. “É um movimento justo e que tem que ser ouvido”.
Segundo Josealdo Tonholo, a greve aborda basicamente os compromissos não assumidos pelo governo federal, quando da outra greve de 2024. “O que foi pactuado na greve passada, não foi cumprido”.

Coincidentemente, acrescentou o reitor, esta semana ele estava em Brasília em uma reunião na Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) com o ministro Guilherme Boulos, da secretária-geral da Presidência da República.

O reitor contou que conversou abertamente com o ministro Boulos sobre a situação do não cumprimento do que foi pactuado na greve passada pela Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Segundo ele, o ministro se colocou à disposição, para chamar a ministra Esther Dweck e a equipe do MGI para conversar, para retomar a pauta de conversa e para que haja o cumprimento daquilo que já foi pactuado.

“A greve acontece em um momento muito impróprio do país, em que deveria, nesse momento, estar pensando o futuro do país, mas infelizmente é um instrumento que a gente tem para questionar o governo. É um momento de reflexão, um momento de mobilização e a gente vai estar atento junto ao nosso Sindicato, na conversa que for necessária, na intermediação junto ao governo federal, junto ao Ministério da Educação, junto ao MGI”, resumiu. Para a coordenadora-geral do Sintufal, Nadja Lopes, a reunião foi muito produtiva, porque o reitor compreendeu e se colocou do lado do trabalhador reconhecendo a importância do movimento.

“Ele reconheceu que nós não estamos em uma greve reivindicando novas pautas, mas sim um acordo que já tinha sido firmado na greve de 2024 e que foi descumprido pelo governo”, frisou.

Também estiveram presentes à reunião, o coordenador de Comunicação e Formação Política Sindical do Sintufal, Ricardo José Oliveira Ferro (Moresi), o diretor do Departamento de Administração de Pessoal da Ufal (DAP), José Clebson Farias, a diretora-adjunta do DAP, Elma Fabiane da Silva Santos, o chefe de Gabinete da Ufal, João Paulo Fonseca de Almeida.