Polícia

Cabeça encontrada em Coqueiro Seco era de jovem trans reconhecida pela família

Corpo de Manu, de 19 anos, foi localizado horas depois em uma ribanceira; Polícia Civil investiga o crime

Por Lucas França com Tribuna Hoje 12/02/2026 10h46
Cabeça encontrada em Coqueiro Seco era de jovem trans reconhecida pela família
Vítima usava o nome social de Manu - Foto: Reprodução/TV Asa Branca


A cabeça encontrada na quarta-feira (11), em Coqueiro Seco, na região metropolitana de Maceió, era da jovem trans Jhonata Amaro da Silva, de 19 anos, conhecida pelo nome social Manu. A vítima foi reconhecida por familiares durante as buscas realizadas após seu desaparecimento.

Manu estava desaparecida desde o último sábado (7). Segundo informações apuradas, o próprio pai da jovem encontrou a cabeça da filha durante as buscas. Horas depois, o corpo foi localizado pelo Corpo de Bombeiros em uma ribanceira de aproximadamente 200 metros, na região da Fazenda das Flores, no mesmo município. O corpo foi recolhido e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

De acordo com a Polícia Civil, a perícia identificou ao menos seis perfurações provocadas por disparos de arma de fogo — cinco na cabeça e uma no tórax. No local onde o corpo foi encontrado não havia estojos de munição nem arma de fogo. Próximo à cabeça da vítima, a Perícia Oficial apreendeu uma faca que pode ter sido utilizada na decapitação. O material passará por exames técnicos.

Ainda conforme apuração, um suspeito chegou a se apresentar espontaneamente à polícia, prestou depoimento e foi liberado. Até o momento, ninguém foi preso. A motivação do crime segue desconhecida, e o caso é investigado pela Polícia Civil.

O Conselho Estadual de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos da População LGBTQIA+ de Alagoas divulgou nota de repúdio, classificando o crime como motivo de indignação e dor. O órgão cobrou das autoridades uma investigação rigorosa, célere e transparente para que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.

Manu era estudante e ex-integrante da quadrilha junina Brilho Lunar. Nas redes sociais, o grupo publicou uma homenagem destacando a alegria e o carinho que ela transmitia. Em um trecho da mensagem, a quadrilha afirmou que Manu “foi brilho, foi afeto, foi alegria compartilhada” e que sua presença marcava os ensaios e apresentações.