Polícia

21 de maio de 2020 14:08

Violência sexual nem sempre deixa vestígios no corpo das vítimas, alerta juíza

Em aproximadamente 70% dos casos o testemunho da vítima é a única prova

↑ (Imagem: Dicom TJ/AL)

Apesar de causar grandes transtornos psicológicos, principalmente em crianças e adolescentes, nem sempre violências sexuais deixam vestígios no corpo da vítima. Em aproximadamente 70% dos casos, a palavra da vítima é a única prova de que ocorreu o crime, afirma a juíza Juliana Batistela, da 14ª Vara Criminal da Capital – Crimes Contra Populações Vulneráveis.

“Considerando que o abuso pode ocorrer sem toques, ou mesmo sem conjunção carnal, muitas vezes não deixará vestígios. Não adianta fazer exame de corpo de delito, porque não haverá indícios. A violência física não é comumente utilizada na prática do abuso sexual contra crianças e adolescentes. Nem mesmo o ato sexual em si, muitas vezes, provoca lesões corporais. Nesses casos, as maiores consequências são as psicológicas”, revelou a magistrada.

De acordo com Juliana Batistela, é frequente que crianças e adolescentes sejam abusadas com introdução e manipulação de dedos nos órgãos genitais, com práticas de sexo oral e outras condutas que não deixam marcas no corpo, sendo muito importante para as investigações a palavra da vítima.

“É fundamental o cuidado das pessoas que vão ouvi-la pelas primeiras vezes acerca do acontecimento, a fim de que não haja qualquer tipo de indução de respostas ou de inserção de memórias falsas na criança”, comentou.

A magistrada revela ainda que a violência sexual infantojuvenil é algo comum e silencioso na sociedade, ocorrendo nas ruas, redes sociais e em lares de todas as classes sociais, embora seja mais frequente em camadas mais vulneráveis, desprovidas de recursos materiais e subjetivos.

Principais abusadores

O abuso sexual normalmente ocorre dentro ou perto da casa da vítima ou do abusador e o crime costuma ser praticado, em 85% dos casos, por pessoas conhecidas, como pais, padrastos, parentes, vizinhos, amigos da família, babás, professores e médicos.

A juíza Juliana Batistela destaca que os crimes sexuais são praticados por pessoas de todos os níveis socioeconômicos, religiosos e étnicos. “Na maioria das vezes, são indivíduos aparentemente normais e queridos por crianças e adolescentes. A maioria dos autores de violência sexual é heterossexual e também mantém relações sexuais com adultos”, contou.

Ainda segundo a juíza, raramente a criança mente sobre os abusos sofridos e costumam revelar os crimes a pessoas que confiam e as apoiam. Apenas em 6% dos casos são fictícios e, nestas situações, em geral, são inventados por crianças maiores.

Sinais de abuso

Não são todas as vítimas de violência sexual que apresentam sintomas, mas a maioria dá alguns sinais físicos e psicológicos. A vítima pode apresentar agressividade, rebeldia, irritabilidade, condutas sexuais precoces, repetição dos atos sexuais que foram feitos contra eles, dores no estômago, disfunção renal, dores de cabeça, dificuldade de urinar ou defecar, dores nas regiões íntimas, dificuldade em relacionamentos, de ter ligação afetiva ou amorosa.

Também podem ocorrer dificuldade nos estudos, distúrbios alimentares, depressão, desinteresse pelas brincadeiras, crises de choro, sentimento de culpa, vergonha, falta de autoestima, tendências suicidas, dificuldades em relação ao sono, envolvimento com prostituição, mudanças de comportamento e de vocabulário, além do uso de drogas.

Fonte: Dicom TJ/AL / Texto: Robertta Farias

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