Polícia

29 de novembro de 2018 18:53

Acusado de matar Silvânio Barbosa conta que cometeu o crime por sobrevivência

Henrique Mateus da Silva Souza, de 18 anos, crê que morreria se vereador pedisse socorro

↑ Henrique Matheus da Silva Souza, 18 anos, é acusado de matar o vereador Silvânio Barbosa (MDB), é paraibano e teria vindo a Alagoas para trabalhar como vendedor ambulante (Foto: Cortesia)

Em entrevista divulgada pela TV Ponta Verde nesta quinta-feira (29), o acusado de matar o vereador por Maceió Silvânio Barbosa, encontrado morto em 8 de setembro, disse que cometeu o crime porque acreditava que, se o político pedisse socorro, ele seria morto. Além disso, Henrique Mateus da Silva Sousa, de 18 anos, afirmou que nunca fez nada do tipo e que estava drogado no dia.

A entrevista foi realizada no presídio de segurança máxima do Agreste, localizado em Girau do Ponciano, interior alagoano, onde Henrique está detido. Ele, que trabalhava vendendo cadeiras e tapetes, diz que o crime não foi premeditado. “Não, eu tava drogado, algumas partes eu lembro, algumas partes eu não lembro. Ele me chamou para a gente ir numa praia. Eu andava com uma faca, que meu patrão disse que a cidade lá [Maceió] é muito perigosa, a segunda cidade mais perigosa, sem ser o Rio de Janeiro. Aí eu fui e levei a faca na mão. Quando cheguei lá, ele quis fazer relação sexual, eu não sou dessas coisas. Eu tinha tomado um remédio azul lá, eu fiquei transformado. Foi um remédio que era pra ficar acordado a noite toda, como eu gostava do WhatsApp, passava a noite no WhatsApp, aí ele tinha me dado esse remédio, fazia cinco dias que eu estava usando drogas”, relatou.

Henrique nega que tenha ocorrido relação sexual entre ele e o vereador. “Lá, dentro do quarto dele, foi aonde eu furei ele. Começou a brigar comigo, brigando, pediu socorro umas duas vezes, aí eu pedi pra ele, se alguém tivesse me encontrado dentro do apartamento, eu não estaria aqui. Eu não forcei, eu disse ‘pera aí, fique calado, eu vou embora e você grita socorro’. Quando eu vinha saindo, ele vinha atrás de mim. Aí foi onde eu segurei ele. Que se eu tivesse saído, ele tivesse gritado, talvez eu não tivesse aqui porque quem mora no condomínio dele me linchava”, afirmou.

Ele relata que uma pessoa chegou a bater na porta do apartamento e chamou pelo nome do vereador, assustando Henrique. “Ele fez ‘vá embora que você vai ser preso e vai morrer’”, nesse momento, Silvânio Barbosa já estava ferido. “Ele falou que eu ia ser preso e ia morrer, eu pedi pra ir embora. Aí ele disse ‘vá, saia pela porta e vá embora’. Eu disse ‘cadê a chave do carro?’ Ele disse ‘não, não vá no carro que você não sabe andar não’. Eu disse ‘eu sei, cadê a chave do carro’. Ele disse ‘tá lá em cima’. Aí eu peguei, quando vinha saindo ele veio atrás de mim e eu segurei ele”, afirmou o acusado.

Fuga e prisão

Henrique diz que quem o prendeu foi a polícia de Pombal e que ele foi levado algemado após receber ordem de prisão. Porém ao chegar à delegacia, pessoas que não eram da polícia do local teriam levado ele para uma sala e começaram a bater nele para conseguir a confissão. “Quando chegou na delegacia, chegou uns caras de fora, aí me levaram para uma sala. Me botou um saco na cabeça, começaram a me bater, pra eu dizer. Eu disse que não precisava bater em mim, me levantei e comecei a contar a história verdadeira”, detalhou o jovem.

Início do relacionamento com Silvânio

Henrique disse que conheceu Silvânio por meio do seu trabalho, vendendo cadeiras e tapetes. O vereador teria comprado mercadorias com ele e pegou o número de contato para troca de mensagens. “Eu tava trabalhando, vendendo cadeira, tapete, essas coisas, ele chegou lá e pediu meu número para poder mandar mensagem pra mim, pra eu mandar a foto da cadeira pra ele, aí foi daí que ele me chamou pra sair”, disse.

O acusado disse estar arrependido e chega a chorar em frente às câmeras quando pede perdão aos familiares do vereador. Ele também relata ter sido ameaçado de morte, porém não quis dizer por quem. “Me arrependo desde o dia que eu fiz isso. Peço a atenção deles [parentes de Silvânio] para pedir desculpa. Que se forem ferir alguém da minha família, que me fira, que me disseram que no dia que eu sair ou então aqui dentro mesmo vão mandar me matar. Quem me ameaçou tá desculpado”, ressaltou o jovem, que está prestes a completar 19 anos.

Fonte: Tribuna Hoje / Texto: Bruno Martins

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