Polícia

21 de julho de 2018 08:30

Moradores do Henrique Equelman reclamam da violência

Houve mais de vinte arrombamentos no conjunto durante período de um mês

↑ Ataques a residências e estabelecimentos comerciais do conjunto tem ocorrido há cerca de um mês e moradores denunciam o grave problema (Foto: Edilson Omena)

Moradores do conjunto Henrique Equelman, parte alta de Maceió estão aterrorizados. Uma série de arrombamentos a residências e estabelecimentos comerciais tem ocorrido há cerca de um mês. Segundo eles, foram mais de vinte casos.

Um grupo de moradores recebeu a reportagem da Tribuna Independente numa das áreas mais críticas, no entorno do posto de saúde, local que segundo eles, tem servido para consumo de drogas e práticas sexuais durante a noite.

Uma das moradoras, Dona Maria Francisca Barbosa, de 61 anos reside há 29 anos no Henrique Equelman. Ela tem um trailer de lanches no entorno da quadra de esportes do conjunto e foi uma das vítimas das ações criminosas.

“Comprei uma TV grandona para assistir a copa, arrombaram meu trailer e levaram tudo. Fiquei a ver navios. Não fiz boletim de ocorrência, não fiz nada, não sei o que fazer. Sinceramente eu estou com medo e não sei o que pode acontecer mais. Isso tem sido frequente, eu tenho idade, só vivo doente…”, reclama a senhora.

O líder comunitário, Pedro Costa, afirma que recebe diariamente relatos de moradores. Os arrombamentos já ocorreram em comércios e residências, além da igreja católica, posto de saúde e numa escola pública. Segundo ele, assaltos também têm sido constantes.

“Isso está fugindo do controle, ultrapassando os limites. Só pelo que a gente tomou conhecimento foram mais de vinte arrombamentos em casas e comércios. Os casos aqui são absurdos. A gente tem conhecimento de situações envolvendo carroças. O pessoal chega com a carroça, arromba o estabelecimento, coloca tudo em cima da carroça e vai embora. Pessoal que tem lanchonete recebe pedido de entrega, quando o entregador chega os bandidos levam dinheiro, o lanche e a motocicleta. Um rapaz saiu para trabalhar às 6h da manhã e quando voltou a noite não tinha nada em casa. Eu mesmo fechei meu comércio, um depósito de bebidas, por conta dos constantes assaltos”, detalha.

Descaso com o conjunto leva ao desânimo

Para os moradores além da insegurança, o descaso com o conjunto alcança outras áreas.

“Tiraram os postos de policiamento que tinha aqui e o que queremos é uma ronda ostensiva, um posto policial. Alguma coisa que nos deixe mais seguros. O poder público aqui no Henrique Equelman passou longe. Terminal de ônibus sucateado, com apenas uma linha de ônibus para atender todo o conjunto. Limpeza pública também é precária. A gente se sente abandonado, mas a questão da segurança é a pior porque quando o a residência é um bem inviolável, e o cara entra e você não sabe o que pode acontece”, afirmam.

REFORÇO POLICIAL

A Polícia Militar foi procurada para comentar o assunto. Segundo o Tenente-coronel Monteiro responsável pelo 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), que patrulha a região, um trabalho ostensivo só é possível a partir do aumento das estatísticas, isto é, as vítimas precisam informar as ocorrências para que haja o reforço.

“O cidadão precisa registrar a ocorrência, mas ele não registra. Então o pouco efetivo que temos, vamos colocando para onde tem mais ocorrências e a gente vai dando conta do recado. Onde as pessoas vão registrando e a gente vê que há maior incidência, a gente vai mandando. A gente trabalha em cima das estatísticas, mas a população procura imprensa, padre, políticos e só não faz a parte dele que é registrar a ocorrência”, diz.

Ainda segundo o Tenente-Coronel Monteiro é preciso que as vítimas comuniquem os crimes, seja por telefone, presencialmente ou pela internet.

“Pedimos a ajuda deles, porque sem as informações deles fica difícil saber o que eles estão sofrendo. Se passar dias, pode fazer, não tem problema. A gente quer que o cidadão informe. Ele pode ligar 190, passar características, endereço. Ou então se ele não quer ligar para o Copom, ele pode fazer uma ligação anônima pelo 181. A gente quer esse registro para resolver essa situação”, pontua.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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