Polícia

1 de fevereiro de 2017 20:02

Suspeito de chacina no Pilar achava que vítima havia matado sua irmã

José Ailton da Silva está foragido; polícia pede ajuda da população através do 181

Na tarde desta quarta-feira (1º), a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) apresentou rápida resposta à brutal chacina que ocorreu na madrugada do mesmo dia em Pilar, região metropolitana de Maceió. O crime ocorreu em retaliação ao assassinato de Sandra Maria da Silva, de 21 anos, irmã do suspeito de tráfico de drogas José Ailton da Silva, ocorrido na noite de terça-feira (31), cinco horas antes da chacina que deixou três pessoas mortas, entre elas uma criança de dois anos de idade. José Ailton e um comparsa teriam cometido os homicídios acreditando que uma das vítimas, uma menor de 17 anos, seria envolvida com a morte de Sandra, ideia que a polícia garantiu não ter fundamento.

José Ailton é suspeito de vários homicídios na região de Pilar. Do início de 2016 até a noite de terça, haviam ocorrido seis assassinatos na cidade. José Ailton teria participação em três deles, segundo a Polícia Civil. A foto dele está sendo divulgada pela SSP-AL para que a população ajude com informações que levem à sua captura por meio do Disque Denúncia, no número 181. O sigilo é garantido. “Não vamos descansar enquanto não colocarmos a mão nele”, garantiu o delegado de Pilar, José Carlos dos Santos.

(Foto: Bruno Martins)

José Ailton da Silva está foragido

Na operação realizada logo após a chacina, foram detidas quatro pessoas. Apenas uma delas tem envolvimento direto e é considerada suspeita do delito durante a madrugada de quarta: Elisabete da Silva, de 41 anos; Ronilda Daiane da Silva, de 17 anos, que estava gestante de três meses; e a criança de dois anos, Guilherme Miguel S. Porfírio. Pai e filho da família que morava no mesmo endereço das vítimas conseguiram fugir.

Foram detidos: Emiro Bezerra, de 42 anos; Geraldo Messias da Silva, de 32 anos; Jailton Mário da Silva, de 34 anos; e Wedson Santos da Silva, de 31 anos.

Wedson é o suspeito de ter participação no triplo homicídio. Todos foram detidos em uma residência em que drogas e armas foram apreendidas. Os quatro vão responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. A Wedson também será incluída a responsabilização pela chacina e ele deve ter o crime de homicídio acrescentado à sua ficha.

Segundo a investigação da Polícia Civil, Ailton e Wedson participaram efetivamente da chacina por conta da morte de Sandra Maria. O delegado José Carlos afirmou que a polícia está em campo para resolver o caso desde as duas horas da manhã com apoio da Asfixia da PC. O homicídio de Sandra teria sido relacionado com inimizades de José Ailton, traficante conhecido, chefe da localidade ‘Rua do Forno’.

Ele disse em coletiva que pai e filho da família relataram o fato. “Chegaram muito aflitos numa situação estarrecedora dizendo que dois indivíduos tinham invadido a casa deles e que as mulheres ficaram para trás. Nos deslocamos para lá e foi muito forte o que a gente viu. Eu tive o desprazer de participar do local de crime lá da chacina de Guaxuma. Só não digo que era comparável porque Guaxuma envolvia arma branca, que é muito brutal. Ver a criança, ver a gestante era de deixar indignado e deixar a gente com mais vontade de resolver o caso”, disse o delegado.

Várias testemunhas relataram que José Ailton fazia questão de anunciar aos quatro cantos o que ele faz, para se auto-promover. “Nós não tivemos dificuldade alguma de obter provas, não teremos dificuldade de obter provas técnicas porque nós isolamos o local do crime muito bem. Imagino que vamos obter digitais, obter DNA porque deixaram sandálias, boné e marcas em azulejos”, pontuou José Carlos.

Na casa de José Ailton onde funciona a boca de fumo, a polícia não o encontrou. Mas achou onde ficavam guardadas armas e drogas. “Foram apreendidos quase 2,5 kg de maconha, uma certa quantidade de crack, uma pequena quantidade de cocaína (20 gramas), em torno de R$ 400 em dinheiro, duas armas de fogo, uma delas utilizada num homicídio de domingo, e uma espingarda 12 de fabricação artesanal”, descreveu.

(Foto: Bruno Martins)

Material apreendido com os suspeitos em Pilar

Um dos detidos era o responsável por armazenar as armas e algumas drogas. Ele é deficiente e perdeu a perna direita abaixo do joelho por conta de um tiro de espingarda.

O envolvimento de Daiana na morte de Sandra é uma ‘possibilidade remotíssima’ para a PC. “Os dois casos serão investigados com a mesma seriedade. Daiane não era inimiga e Sandra era usuária. Achamos que o alvo era o irmão da Daiane, mas levantamos que era ela e os outros foram mortos por crueldade. Ele [José Ailton] tinha problema com a Daiane desde domingo e aproveitou a possibilidade”, garantiu José Carlos.

O coronel Lima Júnior, secretário de Segurança Pública, garantiu que tropas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) já foram enviadas para Pilar em busca de estabilizar a situação do município e para que não continua a briga entre grupos rivais.

(Foto: Bruno Martins)

Cúpula da Segurança Pública apresentou resultado da investigação em Pilar

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