Mundo
OMS alerta para avanço do ebola e pede cooperação entre países
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou, na segunda-feira (17), para o risco de expansão do surto de ebola na África e pediu uma ação coordenada entre os países vizinhos da República Democrática do Congo (RDC). Durante um pronunciamento dirigido a autoridades reunidas em Bangui, capital da República Centro-Africana, Tedros destacou a necessidade de compartilhar dados, sincronizar controles nas fronteiras e ampliar o financiamento das ações de combate à doença.
Atualmente, Tedros exerce o segundo mandato à frente da OMS, iniciado em agosto de 2022 e com término previsto para agosto de 2027.
Segundo o diretor-geral, a OMS declarou três meses antes o surto de doença causada pelo vírus Bundibugyo na RDC como uma emergência de saúde pública de importância internacional. Tedros afirmou que a organização identificou rapidamente o risco de expansão para outros países africanos e para outras regiões do mundo.
Ele destacou que o vírus já havia chegado a Uganda antes que as autoridades identificassem a disseminação. Tedros elogiou a resposta do governo ugandês, que, segundo ele, conseguiu interromper a transmissão no país e controlar o surto.
Tedros aponta mortes fora dos centros de tratamento
Tedros afirmou que o cenário na RDC preocupa especialmente porque muitas pessoas morrem em casa, nas comunidades e fora dos centros de tratamento. Além disso, algumas mortes ocorrem fora das listas de contatos que as equipes de saúde já conhecem.
De acordo com o diretor-geral, cada uma dessas mortes pode indicar uma cadeia de transmissão que as autoridades ainda não localizaram. Por isso, ele defendeu a identificação e a interrupção de todas as cadeias de contágio.
O dirigente também ressaltou que o vírus ultrapassou fronteiras durante o atual surto. Segundo Tedros, um viajante levou o vírus até a França no mês anterior.
“Fronteiras tornam a resposta mais lenta; elas não impedem um vírus”, afirmou.
OMS amplia resposta ao surto
A OMS, em conjunto com o África CDC e outros parceiros, apoia o governo da RDC na ampliação da resposta ao surto. Tedros apresentou uma série de medidas adotadas pela organização.
Entre elas, a OMS fortalece a vigilância nas comunidades, triplica a capacidade de tratamento e trabalha com moradores para aumentar a confiança nas equipes de saúde. Além disso, a organização enviou mais de 200 especialistas e 300 toneladas de suprimentos para apoiar a resposta.
O órgão também conduz pesquisas para desenvolver tratamentos e vacinas. Tedros afirmou que, pela primeira vez, duas vacinas desenvolvidas especificamente contra o vírus Bundibugyo entraram em testes com seres humanos.
Além disso, outra vacina apresentou proteção cruzada em estudos com animais. A organização pretende avançar com essa candidata para um ensaio clínico de fase três.
Cólera amplia preocupação regional
Tedros chamou atenção para outro problema de saúde que atravessa fronteiras: a cólera.
Segundo ele, a doença circula pelas mesmas rotas de transporte, rios e comunidades fronteiriças e explora fragilidades semelhantes na vigilância, no acesso aos serviços de saúde, no fornecimento de água, no saneamento e na coordenação entre países.
Nesse contexto, o diretor-geral afirmou que diferentes agentes infecciosos podem explorar os mesmos pontos de vulnerabilidade. Por isso, ele defendeu uma estratégia regional que permita aos países agir de forma integrada.
OMS apresenta três prioridades
O presidente da OMS apresentou três pedidos aos governos e parceiros envolvidos na resposta aos surtos.
Primeiro, ele pediu o compartilhamento imediato de informações. A medida deve permitir que alertas, dados genômicos e informações sobre contatos circulem rapidamente entre as equipes que atuam nas fronteiras.
Em seguida, o diretor-geral defendeu a adoção de procedimentos sincronizados de triagem em todas as passagens fronteiriças. Para ele, os países precisam proteger a população sem interromper o comércio.
Por fim, Tedros pediu que os países compartilhem responsabilidades e recursos financeiros. Ele também defendeu a criação de um grupo de trabalho permanente, além de uma estratégia conjunta para dialogar com os doadores.
“Se quisermos interromper este surto, precisamos da cooperação de todos os governos e de todos os parceiros, trabalhando juntos como um só”, afirmou.
Tedros encerrou o pronunciamento ao reforçar o compromisso da OMS com os países afetados. Segundo ele, a população que vive e comercializa produtos ao longo de rios e estradas não escolheu conviver com um surto.
Por isso, o diretor-geral defendeu que os países transformem suas conexões territoriais em instrumentos de proteção. “Juntos, podemos transformar essas conexões não em riscos, mas em linhas vitais”, concluiu.
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