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Barriga de aluguel recusa aborto e disputa guarda de bebê com cardiopatia
O bebê que estava no centro de uma disputa envolvendo aborto, barriga de aluguel e direitos parentais nasceu na quarta-feira (12), em um hospital de Dallas, no Texas, nos Estados Unidos. A criança foi diagnosticada ainda durante a gestação com uma grave cardiopatia congênita e deve passar por três cirurgias para tratar a condição.
McKenna West, que mora no Alasca e atua como barriga de aluguel, recusou o pedido dos pais biológicos para interromper a gravidez depois que exames realizados por volta da 20ª semana identificaram a síndrome da hipoplasia do ventrículo esquerdo. A doença é rara, grave e pode ser fatal sem tratamento.
Os pais biológicos, Omar Ahmed e Nausheen Gilkar, vivem em Los Angeles e decidiram interromper a gestação após receberem o diagnóstico. West, porém, optou por continuar a gravidez e viajou para o Texas, onde buscou atendimento especializado para o bebê.
Segundo o New York Times, antes do nascimento, a Justiça do Texas determinou que os cuidados médicos considerados necessários para preservar a vida da criança não poderiam ser impedidos. A decisão também nomeou um tutor legal para acompanhar as questões relacionadas ao tratamento.
O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, havia acionado a Justiça nesta semana para garantir que o bebê recebesse os procedimentos médicos necessários após o parto. A medida ocorreu menos de 24 horas antes da decisão judicial.
Condição de saúde
A cardiopatia exige uma sequência de três cirurgias. Segundo informações apresentadas anteriormente no caso, um hospital de Dallas foi procurado por West por apresentar uma alta taxa de sucesso na realização da primeira delas. Dados do Hospital Presbiteriano de Nova York indicam que cerca de 75% dos bebês submetidos ao procedimento chegam aos cinco anos. Entre os que sobrevivem ao primeiro ano, aproximadamente 90% chegam aos 18 anos.
Após o nascimento, o bebê passou a receber atendimento de uma equipe de especialistas pediátricos em Dallas. Os pais biológicos afirmaram, por meio do advogado Lee Budner, que pretendem seguir as orientações dos médicos e priorizar a saúde da criança.
"Como se a dor de sua condição não fosse suficiente, eles estão devastados ao ver a tragédia familiar ser transformada em teatro político pelo gabinete do procurador-geral do Texas e por McKenna West", afirmou o advogado em comunicado.
Briga por guarda
A disputa, porém, não terminou com o parto. West busca a guarda do bebê, enquanto Ahmed e Gilkar mantêm uma ação na Califórnia para estabelecer seus direitos parentais. O caso envolve processos em três estados: Texas, Alasca e Califórnia.
Durante a gravidez, grupos contrários ao aborto ofereceram representação jurídica a West e ajudaram a gestante a viajar ao Texas para buscar atendimento para a criança. O estado proíbe o aborto em praticamente todas as circunstâncias.
A decisão judicial que garantiu o tratamento também estabeleceu restrições à participação de West na vida do bebê. Ela não poderá ter contato com a criança após o nascimento nem tomar decisões médicas em nome dela. Os pais biológicos poderão participar das decisões, mas também não poderão impedir tratamentos que os médicos considerem necessários para salvar a vida do filho.
O menino é chamado de "bebê Gabriel" por ativistas que apoiaram West. Os pais biológicos, no entanto, escolheram outro nome para a criança.
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