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Trump diz que Estreito de Ormuz será totalmente reaberto na sexta-feira

Por g1 16/06/2026 14h50
Trump diz que Estreito de Ormuz será totalmente reaberto na sexta-feira
Washington e Teerã assinaram acordo para interromper o conflito que travam no Oriente Médio, mas ainda faltam etapas até o fim total da guerra e há informações conflitantes de ambos os lados - Foto: Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (16) que o Estreito de Ormuz será "totalmente reaberto" a partir de sexta-feira (19), quando EUA e Irã assinarão formalmente o acordo para o fim da guerra no Oriente Médio.

➡️ Estados Unidos e Irã anunciaram no fim de semana que chegaram a um acordo para colocar fim à guerra que travam há mais de três meses no Oriente Médio e afirmaram que firmarão presencialmente o texto em uma cerimônia em Genebra, na Suíça, nesta sexta.

Um dos pontos do acordo prevê a reabertura total do Estreito de Ormuz para o tráfego naval, que o Irã fechou parcialmente como retaliação aos ataques dos EUA e de Israel que deram início à guerra. Como o texto do acordo ainda não foi oficialmente divulgado, ainda não se sabia a partir de quando ocorreria a reabertura.

Nesta sexta, Trump disse que o estreito será total e imediatamente reaberto na sexta.

O presidente norte-americano afirmou ainda que o acordo garante "claramente que o Irã não terá armas nucleares". E afirmou que as tratativas posteriores ao acordo, sobre o futuro do programa nuclear iraniano, serão concluídas "bem rápido".

"O Irã quer resolver isso. Eles precisam retomar os negócios, e o relacionamento agora está normalizado, então acho que vai acontecer bem rápido", disse Trump a jornalistas durante encontro com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, na cúpula do G7, que acontece em Evián, na França.

No encontro, Donald Trump revelou ainda que divulgará o texto do acordo com o Irã "em alguns dias" e que o submeterá ao Congresso norte-americano. Após ser questionado por jornalistas no local se ele enviará o texto aos parlamentares, ele respondeu ter gostado da ideia.

"Eu nunca pensei em enviá-lo (o acordo), nunca nem pensei nisso, mas vou enviar", disse Trump. "Vou enviá-lo ao Congresso. Eu gosto da ideia".

O presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, cumprimenta o presidente dos EUA, Donald Trump, no encontro bilateral dos dois durante a cúpula do G7 em Evián, na França, em 16 de junho de 2026. — Foto: Evelyn Hockstein/ Reuters

Mais cedo, também durante a cúpula do G7, o norte-americano voltou a criticar seu aliado Benjamin Netanayhu. Ele pediu que o premiê israelense deveria "ser mais responsável" nos ataques ao Líbano e até sugeriu que a Síria passasse a lidar com o Hezbollah, grupo terrorista alvo da ofensiva israelense em território libanês.

"Se Israel não consegue fazer o trabalho sem matar todo mundo, a Síria deveria fazê-lo", disse Trump.

O que se sabe do acordo

EUA e Irã assinam pré-acordo pelo fim da guerra, diz agência

O anúncio do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã não significa o fim automático do conflito entre os dois países. Pelo contrário: ainda há algumas etapas até o desfecho completo, dúvidas sobre o Estreito de Ormuz e, principalmente, informações conflitantes de ambos os lados.

Veja, abaixo, o que já se sabe e o que ainda falta ser esclarecido sobre o acordo:

É o fim da guerra?

Esse é o intuito final do acordo, segundo as duas partes, mas não, a guerra ainda não acabou. O acordo prevê, inicialmente, um cessar-fogo — ou seja, uma trégua nos ataques, e não o fim definitivo deles.

Esse cessar-fogo duraria enquanto as duas partes discutem o ponto-chave das tratativas, ainda em aberto: o futuro do programa nuclear iraniano. O acordo, segundo Teerã, prevê que negociadores dos dois lados chegarão a um consenso em um prazo de até 60 dias.

Aí, sim, a guerra terminaria, se tudo correr conforme o planejado.

Mas o tema é espinhoso, e, por isso, EUA e Irã estariam longe de um consenso.

O governo Trump quer que Irã encerre por completo seu programa nuclear, que Washington diz servir para criar armas nucleares — este foi, inclusive, o principal argumento de Trump para atacar o Irã em 28 de fevereiro, dando início à guerra.

Teerã, no entanto, nega e diz que o programa é usado exclusivamente para fins civis.

Quando o acordo foi assinado? E por quem?

Anunciado no domingo (14), o acordo de paz foi assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, seu vice, J.D. Vance, e pelo presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, que recebeu autorização do líder supremo iraniano para a assinatura.

Ghalibaf é ainda o chefe da comitiva de negociadores do Irã e uma das figuras centrais da política do país.

A assinatura, no entanto, foi feita de forma virtual, segundo o governo dos EUA. Os dois países ainda assinarão o termo de forma presencial em uma cerimônia marcada para sexta-feira (19) em Genebra, na Suíça.

Só então, para o Irã, haverá de fato um acordo — por enquanto, Teerã chama o texto virtualmente assinado de memorando de entendimento.

Quando o acordo começa a valer?

De forma prática, o acordo já tem validade — nesta segunda-feira, inclusive, os conflitos no Líbano, que integra o acordo, diminuíram, segundo autoridades.

O Irã, no entanto, não deixou claro se os termos já entraram em vigor. O Hezbollah, grupo terrorista contra quem Israel luta em território libanês, afirmou nesta segunda que Teerã pediu para adiar a assinatura do acordo, que ocorreria neste fim de semana, para sexta-feira com o intuito de observar se os rivais cumpririam os termos ao longo da semana.

A implementação oficial de todas as contrapartidas técnicas e jurídicas também valerá a partir da assinatura presencial na sexta-feira.

Quais os termos do acordo?

Irã anuncia exigências em memorando de entendimento com EUA; veja lista

Oficialmente, os pontos do acordo não foram divulgados. Donald Trump disse que a íntegra do texto deve ser tornada pública após a cerimônia presencial de assinatura do acordo, na sexta-feira (19).

Mas a mídia estatal iraniana divulgou alguns trechos do texto que Teerã diz ter sido reivindicações suas aceitas por Washington.

Entre eles, estão:

Um pacto de não agressão mútua envolvendo todas as partes, inclusive Israel e Líbano;
A reabertura e o livre trânsito nas rotas marítimas comerciais do Oriente Médio;
Discussões de compensações ao Irã por danos de guerra;
A gradual suspensão de sanções financeiras e a retirada de forças de combate dos EUA da região.

Como fica o Estreito de Ormuz?

Neste ponto, ambos os lados disseram que o Estreito de Ormuz, que se tornou o grande ponto de tensão da guerra, será reaberto de forma imediata. Da mesma forma, Donald Trump afirmou já ter ordenado o levantamento do bloqueio naval que navios da Marinha dos EUA fazem na entrada do estreito, impedindo a passagem de navios que comercializem com portos iranianos na região.

Mas o consenso termina por aí: nesta segunda-feira (15), Trump disse inclusive que o tráfego de navios no canal já havia começado a se mexer após o anúncio. Mas o Irã, que controla, na prática, a movimentação de navios em Ormuz, não confirmou.

Além disso, o Ministério da Defesa do Irã também anunciou que passará a cobrar uma "taxa de serviço" aos navios que cruzarem o estreito, apesar de Donald Trump ter afirmado que o acordo proíbe a instauração de um pedágio no tráfego local de embarcações.

Como fica o enriquecimento de urânio no Irã?

Um desfecho sobre esse ponto foi adiado e será debatido durante o cessar-fogo, no âmbito do programa nuclear. Interlocutores disseram a agências de notícias que ambas as partes usaram esse recurso para conseguir anunciar o fim da guerra agora.

Washington quer o desmantelamento total do enriquecimento de urânio — procedimento feito para criar materiais nucleares. Trump disse que sua equipe de negociadores exigiu que uma equipe independente entre no Irã e escave todo o material nuclear e envie o urânio já enriquecido em território iraniano para fora do país, possivelmente para a Rússia, que já se ofereceu para receber o material.

Mas Teerã, de momento, se opõe.

Como ficam as sanções ao Irã?

Os EUA concordaram em relaxar e aliviar as sanções econômicas, mas de forma gradativa e condicionada ao cumprimento do acordo.

O objetivo de Teerã é conseguir restabelecer a exportação de petróleo, atualmente proibida pelas sanções do Ocidente, para recuperar sua economia severamente castigada por mais de três meses de conflito.

Como fica o conflito no Líbano?

Este é um dos pontos onde há menos consenso, pelo menos entre Israel e as outras partes.

O anúncio oficial do acordo feito pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, destacou que o encerramento permanente das operações militares inclui a frente no Líbano.

O fim dos ataques de Israel em território libanês é inclusive uma exigência direta de Teerã para assinar o acordo. Isso porque o Irã é aliado e financia o Hezbollah, alvo dos ataques de Israel no Líbano. O grupo terrorista atacou o território israelense dias após o início do conflito, quando EUA e Israel bombardearam o Irã.

Nesta segunda-feira, Benjamin Netanyahu disse inclusive que suas tropas permanecerão nas "zonas de segurança", espaços ocupados por Israel dentro do território libanês "até que seja necessário".