Mundo
Morre Sly Dunbar, lenda do reggae, aos 73 anos
Baterista jamaicano revolucionou o reggae ao lado do baixista Robbie Shakespeare e produziu de Grace Jones a Bob Dylan
O lendário baterista e produtor jamaicano Sly Dunbar morreu na manhã desta segunda-feira (26/1) aos 73 anos, em Kingston, encerrando um dos capítulos mais importantes da música jamaicana e mundial. O músico foi encontrado inconsciente em sua casa por sua esposa, Thelma, e teve o óbito confirmado pouco depois por médicos locais. Segundo fontes próximas ouvidas pelo jornal The Guardian, Dunbar já enfrentava problemas de saúde há alguns meses, embora a causa específica da morte não tenha sido divulgada imediatamente.
Dunbar formou, ao lado do baixista Robbie Shakespeare (falecido em 2021), a dupla rítmica mais influente e prolífica da história da música popular: Sly & Robbie. Conhecidos como “The Riddim Twins” (Os Gêmeos do Ritmo), estima-se que eles tenham participado de mais de 200 mil gravações ao longo de cinco décadas de carreira. Esse número impressionante inclui faixas originais, remixes e uma infinidade de samples, consolidando a dupla como a espinha dorsal de gerações de sucessos globais.
Das latas ao estrelato precoce
Nascido Lowell Fillmore Dunbar em Kingston, ele começou a explorar a percussão ainda na infância, batucando em carteiras escolares e latas de metal, o que lhe rendeu o apelido de “Sly” (uma referência à sua admiração por Sly Stone, cantor americano do Sly and the Family Stone). Sua carreira profissional começou cedo, aos 15 anos, quando gravou sua primeira música. Ainda adolescente, tornou-se peça-chave na cena musical jamaicana, tocando em bandas de estúdio que definiam o som da ilha.
Sua primeira grande marca na indústria foi a criação da batida de “Double Barrel”, da dupla Dave and Ansell Collins, que alcançou o topo das paradas no Reino Unido em 1971. Aquele foi apenas o início. Dunbar desenvolveu e popularizou o estilo “rockers” — um padrão de bateria insistente, militar e mais agressivo que o tradicional “one drop” do reggae —, que influenciou toda uma geração de músicos e se tornou a base para o som “roots” do final dos anos 1970. Seu talento ficou eternizado em clássicos absolutos como “Police and Thieves” (Junior Murvin) e “Punky Reggae Party” (Bob Marley).
O encontro mágico e a revolução sonora
A parceria que mudaria sua vida começou em 1973, quando Robbie Shakespeare o viu tocar em uma boate e ficou impressionado com sua técnica. “A primeira vez que tocamos juntos, acho que foi mágica”, relembrou Dunbar em 2009. “Nós nos encaixamos naquele groove imediatamente. Eu o ouço e ele me ouve. Tentamos manter as coisas simples.”
Essa irmandade rítmica os levou a integrar o The Revolutionaries, a banda da casa do lendário estúdio Channel One. Paralelamente, tornaram-se a banda de apoio de Peter Tosh em suas turnês mundiais e, com o sucesso, usaram os cachês para fundar seu próprio selo e produtora, a Taxi Records. Nos anos 1970, produziram e tocaram com a elite do reggae, incluindo Gregory Isaacs, Dennis Brown, Jimmy Cliff e Barrington Levy, injetando uma nova energia sincopada nas gravações que definiu o som da época.
Do Reggae para o Mundo
A genialidade de Sly e Robbie não ficou restrita à Jamaica. Uma turnê com The Rolling Stones em 1978 abriu as portas do mercado internacional. A dupla foi fundamental na transição do reggae para o pop, colaborando com uma lista invejável de estrelas. Eles foram os arquitetos sonoros da fase mais aclamada de Grace Jones, tocando nos álbuns seminais “Warm Leatherette”, “Nightclubbing” e “Living My Life”, gravados no famoso Compass Point Studios, nas Bahamas.
A reputação de inovadores atraiu Bob Dylan, que os recrutou para os álbuns “Infidels” e “Empire Burlesque” — Dunbar descreveu as sessões de “Infidels” como “umas das mais legais em que já trabalhamos”. A lista de colaborações inclui ainda o francês Serge Gainsbourg (em quatro álbuns), Mick Jagger (em sua carreira solo), Joe Cocker, Ian Dury e gravações no álbum “Undercover”, um dos últimos discos de sucesso da carreira dos Rolling Stones em 1983.
Pioneirismo Digital e Legado
Sempre à frente de seu tempo, Dunbar foi um dos primeiros bateristas de reggae a abraçar a tecnologia, incorporando baterias eletrônicas (especialmente os Simmons drums) e sintetizadores ao seu kit. Essa fusão foi crucial para o nascimento do dancehall moderno nos anos 1990. A dupla reinventou o gênero com uma abordagem melódica e digital, produzindo sucessos globais como “Tease Me” e “Murder She Wrote”, de Chaka Demus & Pliers, além de tocar com Yellowman.
A relevância da dupla se manteve intacta no novo milênio. Eles tocaram no aclamado álbum “The Score”, dos Fugees, gravaram com Sinéad O’Connor, Simply Red e produziram dois mega hits para o No Doubt: “Hey Baby” e “Underneath It All”, apresentando o som jamaicano para uma nova geração de fãs de pop-rock.
Ao todo, Dunbar acumulou 13 indicações ao Grammy e venceu duas vezes, deixando um catálogo rítmico que continuará a fazer o mundo dançar para sempre.
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