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Brasileiros devem evitar viagens aos EUA após suspensão de vistos, alerta advogada
Em publicação nas redes sociais, o Departamento de Estado afirmou que a "suspensão afeta dezenas de países - incluindo Somália, Haiti, Irã e Eritreia - cujos imigrantes frequentemente se tornam um encargo público para os Estados Unidos ao chegarem ao país. Estamos trabalhando para garantir que a generosidade do povo americano não seja mais explorada."
Na prática, a decisão congela processos de green card realizados via consulados e afeta diretamente brasileiros que aguardam entrevistas para residência permanente fora dos Estados Unidos.
Procurado pela RFI, o Itamaraty informou que não vai comentar a notícia neste momento, afirmando que ainda não recebeu nenhum comunicado oficial do governo americano sobre a medida.
Para a advogada de imigração Flávia Santos Lloyd, o anúncio ocorre em um contexto de mudanças rápidas e comunicação confusa. Ela afirma que a administração Trump tem promovido alterações por meio de redes sociais, sem o processo legal tradicional.
"Considerando que esta administração está legislando e mudando leis por meio de redes sociais, estamos acompanhando tudo como se fosse uma novela, com atualizações constantes", diz.
Segundo a advogada, o entendimento sobre o alcance da medida mudou ao longo da quarta-feira. Ela relata que, no início do dia, falava-se em suspensão de todos os vistos, mas que agora o foco está nos vistos de imigrante. "Começamos o dia com a informação de que todos os vistos estariam suspensos e agora estamos falando especificamente de vistos de imigrante. Isso significa que pessoas que estão aguardando a entrevista do green card no consulado terão uma pausa no processo a partir do dia 21 de janeiro."
Duração indefinida e critérios pouco claros
Flávia Santos Lloyd destaca que não há definição sobre quanto tempo o congelamento vai durar. "Não sabemos por quanto tempo isso vai se estender", afirma. Ela explica que o governo menciona o conceito de public charge, relacionado ao uso de serviços públicos, mas sem apresentar critérios objetivos. "Eles falam em public charge, mas não temos critérios claros sobre como isso será avaliado."
A advogada questiona quais fatores poderão pesar na análise. Segundo ela, não está claro se serão considerados problemas de saúde, idade ou renda. "Vai ser baseado em doenças como diabetes ou pressão alta? Na idade da pessoa? Em renda? Como isso será determinado na entrevista e como será feita essa análise? Não existe nada concreto."
Impacto pode ir além dos consulados
Embora a suspensão tenha sido anunciada no âmbito do Departamento de Estado, responsável pela emissão de vistos fora dos Estados Unidos, Flávia Santos Lloyd alerta para possíveis reflexos internos. Ela diz que a grande dúvida agora é o que isso significa para quem já está no país. "A nossa próxima grande pergunta é: o que isso significa dentro dos Estados Unidos, para a imigração? Vamos ter cancelamentos de entrevistas de green card? Vamos ter pausa nos casos de green card para essas nacionalidades?"
A advogada afirma que ainda não há respostas. Ela considera natural questionar se o sinal enviado pelo Departamento de Estado vai se refletir nos processos internos. "Se o Departamento de Estado está enviando esse sinal, é natural perguntar se isso vai se refletir internamente. Mas, neste momento, não temos confirmação."
Segundo Flávia Santos Lloyd, a única informação concreta até agora é o congelamento a partir do dia 21. "O que sabemos agora é que esses 75 países estarão pausados a partir do dia 21, mas não há clareza sobre critérios, análises ou se existirão exceções."
"Está um caos"
A advogada descreve o cenário como instável e confuso. Ela afirma que a mudança de foco, de vistos de trabalho para vistos de imigrante, gerou ainda mais incerteza. "Está um caos. Começamos o dia achando que seriam os vistos de trabalho e agora já estamos falando em vistos de imigrante."
Diante disso, Flávia Santos Lloyd faz um alerta direto aos brasileiros. Ela recomenda que quem já está nos Estados Unidos evite qualquer deslocamento internacional. "A minha recomendação para todo mundo que tem visto de trabalho ou visto de estudante é: quem está aqui dentro, fique aqui dentro. Não viaje e não vá ao consulado."
Ela reforça que este não é o momento de se arriscar. "Esta não é a hora de ficar fora do país diante de uma mudança tão radical."
E conclui com um conselho direto: "Até segunda ordem, até as coisas se estabilizarem um pouco mais, eu recomendo que as pessoas fiquem dentro dos Estados Unidos."
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