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7 de agosto de 2019 16:31

Democrata Joe Biden diz que ‘língua tóxica’ de Trump tem ligação com massacres nos EUA

Líder na corrida entre os democratas para ser o candidato a enfrentar Trump nas eleições escreveu um discurso em que diz que o presidente dos EUA 'insuflou as chamas da supremacia branca'

↑ Joe Biden discursa em uma conferência em São Diego, na Califórnia, no dia 5 de agosto de 2019 (Foto: Mike Blake / Reuters)

Joe Biden, ex-vice-presidente dos Estados Unidos e principal pré-candidato presidencial democrata, acusou o presidente do país, Donald Trump, de incentivar a supremacia branca à qual se atribuem vários ataques a tiros nos país, segundo um discurso que deve fazer nesta quarta-feira.

Biden, de 76 anos, deve falar no Estado de Iowa depois de dois massacres no final de semana nos EUA. No primeiro, ocorrido no sábado (3), um homem armado matou 22 pessoas em El Paso, cidade do Texas na fronteira com o México. Agências de segurança disseram que aparentemente o atirador foi motivado pelo ódio a hispânicos.

No segundo ataque a tiros, um homem armado de Dayton, em Ohio, matou nove pessoas, inclusive sua irmã, e depois foi morto pela polícia.

A retórica de Trump, que inclui classificar os centro-americanos que tentam entrar nos EUA como invasores, e suas políticas imigratórias rígidas o tornaram alvo de repúdio desde o massacre de El Paso.

“Qual é a distância entre Trump dizer que isso ‘é uma invasão’ ao atirador de El Paso declarar ‘este ataque é uma reação à invasão hispânica do Texas?’ Não muito grande”, deve dizer Biden, de acordo com uma cópia prévia do discurso.

“Tanto em linguagem clara quanto em código, esse presidente insuflou as chamas da supremacia branca nesta nação”, ele escreveu.

Assessores de Trump negam que sua retórica tenha sido uma causa dos massacres. Em um pronunciamento à nação, o presidente propôs reformar as leis de saúde mental, trabalhar com as redes sociais para detectar possíveis autores de assassinatos em massa e manter as armas longe de pessoas consideradas potencialmente violentas. Ele planeja visitar El Paso nesta quarta-feira.

Biden é um dos 24 pré-candidatos que pleiteiam a chance de enfrentar Trump na eleição de novembro de 2020. Iowa é um dos primeiros Estados que realizam primárias democratas.

Ele deve invocar a retórica de ex-presidentes dos dois partidos, como o republicano George W. Bush e o democrata Bill Clinton, que disse “se oporem ao ódio”.

Com Trump, Biden deve dizer, “temos um presidente que se alinhou às forças mais sombrias da nação. Temos um presidente com uma língua tóxica que adotou assumidamente e de forma pública uma estratégia política de ódio, racismo e divisão”.

Críticas são para ter ganhos políticos, diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deslegitimou, nesta quarta (7), os críticos que dizem que sua retórica sobre raça e imigrantes alimentou o extremismo violento, alegando que são eles que buscam “ganhos políticos”.

“Isso não tem nada a ver com o presidente Trump”, disse ele aos jornalistas nos jardins da Casa Branca.

“Essas são pessoas que buscam ganhos políticos”, acrescentou, referindo-se a seus oponentes, pouco antes de embarcar para El Paso e Dayton, localidades que foram alvo de tiroteios em massa que deixaram 31 mortos no fim de semana.

Fonte: Reuters e G1

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