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16 de julho de 2019 17:03

Governador de Porto Rico enfrenta protestos depois de vazamento de mensagens de texto

Nas 889 páginas de supostas conversas do governador, ele ofende políticas, zomba de um homem obeso e faz referências vulgares ao cantor Ricky Martin, que é porto-riquenho

↑ Pessoas foram às ruas de San Juan, capital de Porto Rico, para se manifestar contra Ricardo Rosselló na segunda-feira (15) (Foto: Carlos Giusti / AP)

Pelo terceiro dia seguido, manifestantes foram às ruas de San Juan, em Porto Rico, na segunda-feira (15), para pedir a renúncia do governador Ricardo Rosselló depois de vazamentos de mensagens de texto feitos no sábado (13) por um centro de jornalismo investigativo.

Segundo a agência Associated Press, foram divulgadas 889 páginas de mensagens do aplicativo Telegram. Nas conversas atribuídas a ele, Rosselló faz referências vulgares ao cantor porto-riquenho Ricky Martin pelo fato de ele ser gay; chama uma política nova-iorquina de origem porto-riquenha de “prostituta”; xinga uma outra; e zomba de um homem obeso com quem posava em uma foto.

Rosselló, que segundo a BBC deve concorrer à reeleição em 2020, afirmou que não vai renunciar, mas publicou um comunicado dizendo que respeita os protestos e que estava levando a mensagem deles em consideração.

Na segunda-feira (15), a polícia tentou dispersar os manifestantes com spray de pimenta em frente à residência do governador, que foi protegida por barricadas.

“Chatgate”

As mensagens começaram a vir à tona na última quinta-feira (11), quando fontes anônimas com acesso aos chats vazaram dezenas de páginas deles para dois veículos locais, segundo a AP. No sábado, o Centro de Jornalismo Investigativo de Porto Rico publicou as 889 páginas.

Em um dos textos, ao se referir à prefeita de San Juan, Carmen Yulín Cruz, que anunciou que pretende disputar as eleições do ano que vem com ele, Rosselló diz que ela “não está tomando seus remédios. Ou isso, ou ela é uma tremenda…” diz a mensagem, que contém, a seguir, uma ofensa.

No grupo de bate-papo estavam Luis Rivera Marín, secretário de Estado de Rosselló; Christian Sobrino, que ocupou uma série de postos econômicos importantes; Carlos Bermúdez, ex-assessor de comunicação; Edwin Miranda, consultor de comunicações; Ricardo Llerandi, Secretário do Interior; Anthony Maceira, secretário de Relações Públicas; e Elías Sánchez, ex-representante do conselho de administração de falência de Porto Rico.

Rivera Marín, Sobrino, Bermúdez e Miranda já renunciaram ou foram demitidos.

O caso, agora, está sendo chamado de “Chatgate” – uma referência ao caso Watergate, que, na década de 70, levou à renúncia do presidente americano Richard Nixon.

Apesar do ceticismo generalizado em Porto Rico sobre corrupção dos políticos, o bate-papo chocou os moradores de uma maneira que outros escândalos não conseguiram – especialmente por causa da imagem de Rosselló como um homem gentil, até mesmo manso, disse Mario Negrón Portillo, professor da Universidade de Porto Rico.

“Todos acordaram um dia e o governador estava soltando vulgaridades”, disse Negrón. “Não há nada pior para um político do que perder a legitimidade. Acho que Ricardo Rosselló perdeu legitimidade”, afirmou.

Os líderes da Câmara e do Senado de Porto Rico disseram que não estavam planejando um processo de impeachment, mas uma associação de prefeitos do partido de Rosselló afirmou que o governador perdeu o apoio.

“Nesta semana ele vai se encontrar com prefeitos, parlamentares, e nós temos que dar a ele esse tempo”, declarou Carlos Méndez Núñez, presidente da Câmara de Porto Rico. “O impeachment ainda não está sendo discutido. Mas nós reservamos o direito de avaliar se isso é merecido”, disse.
O partido do governador, o Novo Progressista, é a favor de que Porto Rico, hoje um território não incorporado dos Estados Unidos, se torne um estado americano.

Mesmo que Rosselló sobreviva até a eleição do próximo ano, parece claro para muitos observadores que ele foi profundamente enfraquecido e menos capaz de lidar com crises – que vão desde o processo de falência da ilha até seus esforços contínuos para receber fundos federais para ajudar na recuperação do furacão Maria.

Prisões

Um dia antes da divulgação das mensagens, a ex-secretária de Educação de Rosselló, Julia Keleher, e outras cinco pessoas foram presas sob 32 acusações de fraude, incluindo direcionar verba federal a empreiteiros não qualificados e politicamente conectados.

O suposto esquema envolveu US$ 15,5 milhões (cerca de R$ 58,3 milhões) em financiamento federal feito entre 2017 e 2019. Desse dinheiro, US$ 13 milhões (R$ 48,9 milhões) foram gastos pela pasta de Educação durante o período de Keleher como secretária.

Os outros US$ 2,5 milhões (R$ 9,4 milhões) foram usados pela administração de seguros de saúde, então liderada por Ángela Ávila-Marrero.

Fonte: AP e G1

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