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10 de julho de 2019 15:45

Iraquiano é condenado à prisão perpétua na Alemanha por estupro e assassinato de menor

Caso de Ali Bashar mobilizou a oposição alemã, que discorda da política de recepção aos refugiados de Angela Merkel

↑ Ali Bashar cobre o rosto pouco antes de receber sua sentença na Alemanha (Foto: Boris Roessler / AFP)

A Justiça da Alemanha condenou à prisão perpétua um iraquiano de 22 anos que foi declarado culpado de estupro e assassinato de uma alemã de 14 anos.

O crime aconteceu em maio de 2018, e foi usado pela extrema-direita alemã para criticar a política migratória de Angela Merkel.

O iraquiano chama-se Ali Bashar. Ele chegou a solicitar asilo, mas sua demanda foi rejeitada. Agora, além de ter sido condenado, foi proibido de pedir liberdade condicional após 15 anos.

O juiz considerou que Bashar, que por duas vezes se desculpou com a família da jovem, não demonstrou arrependimento sincero e cometeu o crime a sangue frio.

Iraquiano confessou o assassinato

O réu reconheceu o assassinato perante os juízes, mas negou o estupro e assegurou que as relações sexuais com a adolescente, a quem conhecia, foram consentidas.

O corpo de Susanna Feldmann foi encontrado duas semanas depois ter sido enterrado perto de uma linha de trem, a uma curta distância da casa onde o assassino vivia com seus pais, irmãos e irmãs.

Bashar também está sendo julgado, a portas fechadas, pelo suposto estupro de uma menina de 11 anos com um cúmplice, um refugiado afegão de 14 anos.

Durante os quatro meses de audiência, uma especialista em psiquiatria descreveu um homem que considera as mulheres como prostitutas cujo lugar é na cozinha.

Fuga para o Iraque

Bashar chegou à Alemanha em 2015. Após cometer o crime, em maio de 2018, ele fugiu para o Iraque com sua família sem ser inspecionado na fronteira.

Policiais alemães enviados ao Curdistão iraquiano o trouxeram de volta em 9 de junho de 2018. Bagdá não autorizou sua extradição.

Oposição pede fim de política de recepção a refugiados

O caso alimentou o debate na Alemanha sobre a recepção de centenas de milhares de refugiados, a quem a chanceler Angela Merkel abriu as portas do país em 2015.

Um deputado do partido anti-imigrante Alternativa para a Alemanha (AfD) esteve presente no tribunal durante a leitura do veredicto.

Na véspera de Ano Novo de 2015, em Colonia, centenas de mulheres foram agredidas sexualmente por imigrantes.

A violência envolvendo estrangeiros geralmente monopoliza as atenções. O último caso foi do estupro coletivo, na semana passada, em Muhlheim (centro-oeste) de uma jovem mulher por adolescentes entre 12 e 14 anos da Bulgária.

Minuto de silêncio no Parlamento

Dois dias após a descoberta do corpo de Susanna Feldmann, os deputados do AfD fizeram um polêmico minuto de silêncio no Parlamento em memória da adolescente.

Perto da cena do crime foram deixadas mensagens como “Susanna, 14 anos, vítima da tolerância” e “A única responsável pela sua morte é Angela Merkel”.

Merkel denunciou um “assassinato abominável” e pediu firmeza da justiça.

A investigação também revelou sérios erros por parte das autoridades. Ali Bashar, a quem foi negado asilo em dezembro de 2016, aguardava a revisão de seu recurso um ano e meio depois.

Ele também havia sido preso e libertado várias vezes por atos criminosos meses antes do crime.

A mãe da vítima, Diana Feldmann, acusou a polícia de negligência por não levá-la a sério quando relatou o desaparecimento de sua filha. E ela foi, sozinha, em busca da jovem mulher.

Fonte: AFP e G1

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