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9 de março de 2019 17:23

Venezuela: chavismo e oposição disputam as ruas de Caracas

Chavistas acham que apagão foi sabotagem, opositores responsabilizam Maduro

↑ Maduro convoca "marcha Anti-imperialista" para protestar contra Estados Unidos e partidos de oposição (Foto: Telesur)

Um dia depois do maior apagão da história recente da Venezuela, com mais de 30h sem eletricidade em 80% do país, as duas maiores forças políticas (chavismo e oposição), vão às ruas para medir popularidade entre os venezuelanos.

Os partidos opositores, de corte ideológico de esquerda, realizam sua concentração em bairros de classe média alta, como Chacao, Altamira e Las Mercedes, na zona leste de Caracas. Já o chavismo, que reúne as organizações de esquerda, como movimentos sociais e o Partido Socialista Unidos da Venezuela (PSUV), se concentra em bairros populares da zona oeste e na Praça Venezuela, que é uma espécie de linha divisória entre os bairros de classe média e os populares.

Os protestos já haviam sido convocados antes da falha elétrica, mas os dois dias sem luz foram como um impulso para os cidadãos que estão indignados. Os chavistas porque afirmam tratar-se de uma sabotagem perpetrada pelos dirigentes opositores e altos funcionários do governo dos Estados Unidos. O presidente Nicolás Maduro intitulou o ato desse sábado (9) de “Marcha Anti-imperialista”.

Não menos indignados, os opositores culpam ao governo de Nicolás Maduro pelo apagão, justificando que falta manutenção e investimentos no sistema de abastecimento elétrico. No entanto, o jornal opositor El Nacional, publicou uma reportagem nessa sexta (8), em que uma funcionária da empresa estatal que administra todo o sistema elétrico, a Corpoelec, assumiu que a rede elétrica sofre constantes sabotagens por parte de grupos opositores ao governo. “A infraestrutura está abandonada e sofre vandalismo. Várias estações foram desativadas porque a delinquência se apodera de nossas instalações”, afirma a funcionária Ramiri Cervantes, que também se diz apoiadora de Guaidó.

O que ocasionou o apagão elétrico?

A maior falha elétrica da Venezuelana começou na quinta-feira (7), por volta das 17h, hora local, e terminou na noite de sexta, na maior parte do país. Apesar do corte de luz de mais de 30h, em 18 dos 23 estados venezuelanos, a situação da segurança pública foi mantida com normalidade.O Ministério da Defesa realizou um operativo especial para garantir a segurança durante o apagão. “Todo os organismos de segurança, sistemas de gestão de risco e sistema defensivo estão ativos para proteger e ajudar o povo em todo o país, por instruções do presidente”.

Informações divulgadas nesse sábado apontam que a estatal Corpoelec afirma que “a sabotagem foi contra o ‘cérebro’ do complexo de Guri, que permite o controle de frequência e demanda das máquinas”. Em declarações a imprensa na sexta-feira (8), o ministro de comunicação Jorge Rodriguez denunciou que as falhas na hidrelétrica de Guri ocorreram a partir de um ataque cibernético no sistema eletrônico da central de energia. “Agrediram, por via de ataques cibernéticos, o sistema de controle automatizado. Esse sistema é uma espécie de ‘cérebro eletrônico’, que regula as 20 máquinas de Guri, onde é gerada 80% da eletricidade da Venezuelana”. Rodriguez afirmou ainda que esse “foi o ataque mais brutal dos EUA contra a Venezuela”.

O abastecimento de energia está sendo recuperado paulatinamente. Em Caracas, o sistema já foi regularizado, no entanto, nos estados de Táchira e Zulia, na fronteira com a Colômbia, a eletricidade ainda não chegou. Assim como alguns estados no norte do país. Em alguns estados governo venezuelano também ativou um plano de contingência para atender os hospitais, sobretudo os que oferecem atendimento a crianças e de emergência.

Fonte: Brasil de Fato

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