Mundo
Catalunha inicia campanha de referendo durante tensão com Madri
Separatistas têm duas semanas para mobilizar os simpatizantes e convencer os receosos em participar no referendo
Os independentistas catalães, liderados pelo presidente regional Carles Puigdemont, lançam nesta quinta-feira (14) a campanha pelo "Sim" no referendo de autodeterminação de 1º de outubro, proibido pela justiça, o que aumenta a tensão com o governo da Espanha, disposto a impedir a votação.
O início está marcado para as 20h locais (15h de Brasília) em um comício na antiga praça de touros de Tarragona, com as presenças de Puigdemont, de seu vice-presidente Oriol Junqueras e de representantes dos principais partidos e associações independentistas.
A meta é lotar um espaço com capacidade para 10 mil pessoas.
Durante a manhã reinava a incerteza sobre o evento, depois de um juiz de Madri proibir outro ato pró-referendo. O magistrado considerou que não era possível celebrar em um local público uma reunião de promoção de um referendo ilegal.
Os separatistas têm duas semanas para mobilizar os simpatizantes e convencer os receosos em participar no referendo.
Em caso de vitória, eles prometem declarar uma república independente nesta região de 7,5 milhões de habitantes no nordeste da Espanha.
O governo de Puigdemont não estabeleceu um número mínimo de participação para considerar válido o resultado, mas conseguir uma alta mobilização é fundamental para sua credibilidade.
O cenário escolhido não é casual. Tarragona, a segunda capital de província de maior população da região, com uma importante indústria química e forte rejeição à independência, é governada por um prefeito socialista, Josep Félix Ballesteros, que se recusou a colaborar no referendo.
Os partidos contrários à independência não participarão na campanha do referendo, considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional, e pedem que seus eleitores não compareçam às urnas.
"Isto é um engano. Eles querem fazer um simulacro de referendo para justificar uma declaração de independência. Querem que as pessoas compareçam para legitimar resultados que já conhecem com antecedência", declarou Salvador Illa, secretário do Partido Socialista da Catalunha, contrário à votação.
O primeiro-ministro da Espanha, o conservador Mariano Rajoy, que visitará Barcelona na sexta-feira (15), também pediu aos cidadãos que não participem do referendo.
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