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8 de novembro de 2016 01:46

Por que tantos norte-americanos se sentem representados por Trump?

RepublIcano deverá se sagrar vencedor da disputa em pelo menos 18 Estados

Nesta terça-feira (8), milhões de cidadãos norte-americanos irão às urnas votar no polêmico magnata Donald Trump para a presidência do país. Apesar de uma vitória do candidato republicano ser improvável, ele deverá se sagrar vencedor da disputa em pelo menos 18 Estados, onde, de acordo com as pesquisas, lidera por ampla margem de votos.

Alguns dos motivos para tanta gente se sentir atraída por Trump são a impopularidade de sua rival Hillary Clinton e a preferência pelo Partido Republicano, de viés mais liberal em relação à economia. No entanto, outra grande parcela do apelo do magnata se deve a um fator menos aparente: o desejo da maioria dos norte-americanos de se considerarem cidadãos bons e úteis, capazes de prover e manterem seguros aquelas pessoas e valores que lhes são caros — um valor que consideram ameaçado caso Hillary Clinton seja eleita presidente.

Donald Trump pintou o Estado norte-americano como um ataque a tudo o que os Estados Unidos prezam. No entanto, seus rivais nas primárias e na corrida presidencial ofereceram como resposta às angústias dos eleitores uma solução já bastante desgastada: a reorganização dos líderes políticos em Washington.

Já Trump propôs algo muito mais emocionante, que despertou as paixões de uma parcela da sociedade norte americana — o que explica seu apoio: tomar a proteção da pátria em suas próprias mãos, como uma espécie de homem forte vigilante. “Só eu posso corrigir isso. Eu sou a sua voz “, disse Trump durante a Convenção Nacional Republicana.

Essa é uma das razões pelas quais tantos norte-americanos irão perdoar suas polêmicas que, em qualquer outra situação, acabariam com as chances de qualquer candidato chegar à Casa Branca.

Mesmo que nem todos os eleitores do Trump concordem com suas promessas, eles se sentem respeitados quando alguém da estatura do candidato — um homem muito rico, que poderia ser membro da elite, mas escolheu estar lado a lado com eles — concorda que seu país está sob ataque, seja de governos estrangeiros planejando “estuprar” a economia, ou de terroristas muçulmanos que entram no país como refugiados.

Durante comícios em Estados que aparecem como indecisos nas pesquisas, não é difícil ouvir elogios do público quando Trump grita que a América tem “todo o direito de lutar”, mesmo se isso envolver “ser duro”.

Deste modo, se um voto para Trump representa um ato de autodefesa, seus eleitores não se importam se ele mente durante os discursos.

Sua reivindicação por um “cerco completo” à entrada de muçulmanos nos Estados Unidos foi absorvida como uma resposta positiva às incertezas, ao invés de uma estratégia integrada de contra-terrorismo. Não muito tempo depois de um tiroteio em massa no sul da Califórnia, o empresário pediu uma proibição muçulmana “até que os representantes do nosso país possam descobrir o que está acontecendo”.

Com isso, a população ouve enquanto Trump, um candidato à presidência, fala da necessidade de se adotar medidas desesperadas em nome da auto-defesa — o que encontra respaldo em diversos setores da sociedade.

Desta forma, esses eleitores não vão se calar quando a eleição terminar. A influência maligna de Donald Trump ainda irá permanecer por anos a fio.

(Baseado em artigo publicado na revista The Economist)

Fonte: R7

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