Interior

Adufal repudia intimidação bolsonarista no campus da Ufal em Arapiraca

Entidade cobra providências e diz que vai acionar a Polícia Federal

Por Davi Salsa com assessoria 09/10/2026 11h45
Adufal repudia intimidação bolsonarista no campus da Ufal em Arapiraca
Ação do grupo foi registrada por estudantes e professores da universidade - Foto: Reprodução

A diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal) publicou, na manhã desta sexta-feira (9), Nota de Repúdio para expressar irrestrita solidariedade à comunidade acadêmica do Campus Arapiraca, por conta da tentativa de coação e intimidação promovida por um grupo bolsonarista na noite desta quinta-feira (8), na sede do campus da Capital do Agreste.

Segundo relatos de estudantes e docentes, cerca de oito homens entraram na unidade de ensino em dois veículos plotados com imagens de Flávio Bolsonaro e passaram a coagir e intimidar uma docente, afirmando que iriam retirar os cartazes afixados por estudantes em espaços da unidade.

O episódio, segundo a Adufal, foi um claro ataque à liberdade de expressão, à organização estudantil e à autonomia universitária.

"Não aceitaremos que a violência política e o autoritarismo sejam utilizados para silenciar a comunidade acadêmica, impedir manifestações críticas ou constranger trabalhadoras e trabalhadores no exercício de suas atividades.
A Constituição Federal (CF) de 1988 assegura, em seu artigo 5º, inciso IV, a livre manifestação do pensamento, e, no inciso IX, estabelece que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação. Além disso, o artigo 206, inciso II, também consagra a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber como princípios do ensino. Tudo isso reforça que a universidade pública deve ser um espaço de pluralidade, pensamento crítico, produção do conhecimento e debate democrático, livre de ameaças e constrangimentos", diz a nota.

Por todo o ocorrido, a Adufal exige que a gestão da Ufal adote as providências cabíveis, especialmente para garantir a segurança da comunidade acadêmica e assegurar que situações dessa natureza não se repitam.

Ainda nesta sexta-feira (9), a Associação protocolará junto à Polícia Federal (PF) um pedido de investigação dos fatos, para que as circunstâncias do caso sejam devidamente apuradas e as medidas legais sejam adotadas.