Interior

Quatro corpos em poço: acusado de matar jovens vai a júri em Arapiraca

Regivaldo da Silva Santana, o “Giba”, é julgado nesta terça-feira pelo assassinato de dois casais em abril de 2024

Por Tribuna Hoje com agências 25/08/2026 09h49 - Atualizado em 25/08/2026 10h44
Quatro corpos em poço: acusado de matar jovens vai a júri em Arapiraca
Letícia, Lucas, Joselene e Erick foram vítimas do crime em abril de 2024 - Foto: Reprodução


Quatro jovens foram encontrados mortos dentro de um poço, quase uma semana após desaparecerem, em abril de 2024. O caso chega nesta terça-feira (25) ao Tribunal do Júri de Arapiraca, no Agreste de Alagoas, com Regivaldo da Silva Santana, conhecido como “Giba”, escultor sergipano e atirador desportivo e caçador (CAC), no banco dos réus.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Alagoas (MPAL), Regivaldo responde pelas mortes e pela ocultação dos cadáveres. A acusação afirma que ele teve ajuda de outras duas pessoas para esconder os corpos na propriedade rural onde morava.

As vítimas são Letícia da Silva Santos, de 20 anos; o irmão dela, Lucas da Silva Santos, de 15; Joselene de Souza Santos, de 17, que namorava Lucas; e Erick Juan de Lima Silva, de 20, companheiro de Letícia.

Giba disse durante depoimento à polícia que Lucas e Erick Juan furtaram um celular e um equipamento de trabalho da propriedade, e durante a caçada aos dois jovens, deu um tiro acidental, e depois decidiu executar os rapazes e as namoradas.

Regivaldo da Silva Santana, conhecido como Giba, famoso escultor de obras sacras I Foto: Reprodução


Corpos foram encontrados seis dias depois

O crime ocorreu em 13 de abril de 2024. De acordo com a investigação, Lucas e Erick teriam sido as primeiras vítimas. Depois, Letícia e Joselene também teriam sido assassinadas.

Os corpos permaneceram no poço até 19 de abril, quando foram localizados após a mãe de dois dos jovens procurar as autoridades para comunicar o desaparecimento.

A retirada dos cadáveres contou com equipes e equipamentos do Corpo de Bombeiros.

Regivaldo foi preso em flagrante no dia da localização dos corpos. Durante a operação na propriedade, policiais também apreenderam cerca de dez armas de fogo, acessórios de uso restrito e duas cobras, sendo uma jiboia e uma píton, espécie exótica originária da Ásia.

No dia seguinte, Wesley Santana Sá e Adriano Santos Lima foram presos em Sergipe. Conforme a investigação, os dois teriam participado da ocultação dos cadáveres e foram indiciados por esse crime. Eles estão em liberdade. 

Investigação aponta confronto antes das mortes

Durante o inquérito, Regivaldo apresentou uma versão de legítima defesa. A polícia, porém, afirmou ter encontrado elementos que contrariavam o relato.

Imagens de câmeras de segurança registraram Letícia e Joselene saindo com Regivaldo. Segundo a investigação, as duas foram com ele até uma agência bancária e, na volta, o grupo passou por uma pizzaria.

Depois, já na propriedade, Lucas e Erick teriam questionado Regivaldo sobre a saída das jovens. Conforme depoimentos reunidos no inquérito, o acusado teria se exaltado durante a discussão.

A acusação sustenta ainda que os crimes foram cometidos de forma que dificultou a defesa das vítimas.

Acusação e defesa apresentam versões

O MPAL será representado no julgamento pelo promotor de Justiça Ivaldo da Silva. Durante o júri, acusação e defesa apresentarão aos jurados suas versões sobre o que ocorreu na propriedade rural.

Ao final, os jurados decidirão se Regivaldo é culpado ou inocente das acusações apresentadas pelo Ministério Público.

Quem é Giba?

Natural de Porto da Folha, em Sergipe, o artista foi contratado para criar as imagens sacras para municípios alagoanos, como Nossa Senhora do Pilar, padroeira do Pilar, Nossa Senhora do Amparo, padroeira de Palmeira dos Índios, Nossa Senhora das Graças, instalada em Minador do Negrão, e Nossa Senhora da Conceição, que fica na entrada de Limoeiro de Anadia.

Imagens sacras foram feitas pelo CAC que matou 4 jovens em AL — Foto: Reprodução