Interior

Homem é condenado a 25 anos por matar companheira e simular afogamento em Alagoas

Réu confessou ter asfixiado Milene Cristina antes de colocar o corpo em um açude; júri reconheceu feminicídio e uso de meio cruel

Por Tribuna Hoje com agências 21/08/2026 15h16
Homem é condenado a 25 anos por matar companheira e simular afogamento em Alagoas
O crime aconteceu em 5 de dezembro de 2024, no povoado Terra Nova, zona rural do município de São Sebastião - Foto: Reprodução


Um homem foi condenado a 25 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato da companheira, Milene Cristina Gracindo da Silva, em São Sebastião, no Agreste de Alagoas. A sentença foi proferida pelo Tribunal do Júri na quinta-feira (20), após o julgamento reconhecer as qualificadoras de feminicídio e meio cruel.

O crime aconteceu em 5 de dezembro de 2024, no povoado Terra Nova, zona rural do município. Segundo as provas apresentadas durante o julgamento, Milene foi asfixiada pelo companheiro antes de ser colocada em um açude. A intenção, conforme a acusação, era fazer parecer que a vítima havia morrido afogada.

Durante o processo, o acusado inicialmente apresentou outra versão para a morte. Ele alegava que Milene estaria embriagada, não saberia nadar e teria entrado voluntariamente no Açude São Bento. Também afirmou que tentou retirá-la da água, mas não conseguiu.

A versão, no entanto, foi contestada pelos depoimentos de pessoas que estavam no local no momento do crime.

De acordo com os relatos apresentados ao júri, o casal discutiu antes de se afastar das demais pessoas que participavam do encontro. Testemunhas disseram ter visto o homem segurando e apertando o pescoço de Milene.

Na sequência, conforme os depoimentos, a vítima foi jogada no açude. Pessoas que estavam próximas tentaram prestar socorro, mas Milene já estava desacordada e acabou desaparecendo na água.

A Polícia Militar foi chamada depois que a irmã da vítima informou que ela havia sido assassinada. Uma equipe da Rádio Patrulha 04 foi enviada ao local pelo Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM).

As testemunhas contaram aos policiais que o suspeito havia esganado a companheira antes de colocá-la na barragem.

Durante o julgamento, diante dos elementos reunidos pela acusação, o homem mudou a versão apresentada anteriormente e admitiu ter matado Milene.

Segundo a confissão feita em plenário, ele apertou o pescoço da companheira até que ela perdesse os sentidos e, posteriormente, colocou o corpo na água.

A acusação foi conduzida pelo Ministério Público de Alagoas, por meio do promotor de Justiça João de Sá Bonfim Filho. A atuação do MPAL buscou confrontar a primeira versão apresentada pelo acusado com os depoimentos e demais elementos reunidos durante a investigação.

Histórico de violência


Durante a sessão do Tribunal do Júri, testemunhas também relataram que a relação entre o acusado e Milene era marcada por episódios anteriores de violência.

Segundo os depoimentos, o homem já teria agredido e ameaçado a companheira de morte em outras ocasiões. Em pelo menos um desses episódios, as ameaças teriam ocorrido na presença da mãe da vítima.

Para o Ministério Público, os relatos ajudaram a demonstrar que o assassinato não teria sido um acontecimento isolado, mas resultado de um histórico de violência contra a mulher.

Com o reconhecimento das qualificadoras de feminicídio e meio cruel, o réu recebeu pena de 25 anos de reclusão em regime inicialmente fechado.