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Festival de Gastronomia Quilombola impulsiona culinária ancestral em Água Branca

Atuação do Sebrae promove afroempreendedorismo e valoriza identidade das famílias produtoras locais

Por Patrícia Bastos / Ascom Sebrae 18/08/2026 01h29
Festival de Gastronomia Quilombola impulsiona culinária ancestral em Água Branca
O Sebrae Alagoas fortalece o afroempreendedorismo quilombola com capacitações, suporte técnico e incentivo à geração de renda nas comunidades - Foto: Ascom Sebrae/AL

Ingredientes e receitas culinárias que por muitas gerações foram alvo de preconceito hoje são símbolos de sofisticação, pertencimento e resistência cultural. O Centro Histórico de Água Branca celebrou, neste último final de semana, a culinária ancestral na 5ª edição do Festival de Gastronomia Quilombola. O evento, que aconteceu de forma paralela ao Festival de Inverno da cidade, atraiu um grande público da região e de turistas, que apreciaram pratos de inspiração africana.

Desde a criação do projeto, em 2022, o Sebrae Alagoas atua como parceiro permanente da ação, que busca impulsionar o empreendedorismo nas comunidades remanescentes quilombolas do município, resgatando suas potencialidades e tradições. Por meio da Agência Delmiro, a Instituição participou como realizadora das primeiras edições do Festival e continua garantindo o suporte técnico, mesmo após o evento passar a ser organizado pelo município.

A colaboração contínua do Sebrae começou a estruturar uma cadeia sustentável que vai além dos limites do evento. De acordo com a analista da Agência Delmiro, Lidyane Costa, o engajamento das famílias representa um marco de transformação socioeconômica. “A participação das comunidades no festival não se limita à oferta de alimentos, pois representa uma oportunidade concreta de geração de renda, fortalecimento do afroempreendedorismo, valorização da identidade territorial e preservação dos saberes culinários tradicionais”, explica.

Neste ano, a ação contou com a participação de sete comunidades reconhecidas no município, que abrangem Serra das Viúvas, Queimadas, Do Cal, Lagoa das Pedras, Moreira de Baixo, Barro Preto e Ouricuri. Para garantir que os pratos, além de saborosos, pudessem garantir uma experiência segura e de alto padrão para os visitantes, as expositoras passaram por uma maratona de capacitações incluindo boas práticas de higiene pessoal, de ambientes, utensílios e insumos; vestuário adequado e técnicas básicas de cozinha, incluindo porcionamento, montagem e finalização de pratos, entre outros.

O público encontrou pratos de inspiração africana, receitas tradicionais e sabores que valorizam a identidade e os ingredientes das comunidades quilombolas (Foto: Ascom Sebrae/AL)


Essas oficinas buscaram harmonizar a ancestralidade dos modos de fazer com as técnicas exigidas pelo mercado contemporâneo. “Essa capacitação orienta a valorização e a inovação das receitas quilombolas, buscando melhorar a apresentação, a padronização e a experiência do consumidor, sem perder a autenticidade cultural que diferencia o festival”, confirma Lidyane.

Além da formação técnica, o Sebrae assegura também toda a infraestrutura física para o acolhimento do público, disponibilizando estandes padronizados, jogos de mesas, tendas, pórtico de entrada e iluminação cênica. Espera-se que esses aprendizados fiquem como legado permanente, impulsionando a continuidade dos negócios locais e fortalecendo as comunidades como protagonistas de seus próprios saberes.

Protagonismo feminino no Sertão

Entre as mãos que deram sabor ao festival gastronômico estavam as de Maria José da Silva dos Santos, mais conhecida como Mary, integrante da Comunidade Quilombola Barro Preto. Vivendo sua segunda experiência como expositora do evento, ela trouxe para o cardápio uma apetitosa moqueca que peixe acompanhada de pirão de banana-verde e farofa de limão, receita que resume a criatividade e a variedade de ingredientes locais.

Após a primeira participação, em 2025, em que se sentiu um pouco insegura por não saber como é estar “do lado de dentro” do festival, desta vez ela foi quem estimulou outras mulheres da comunidade a participar. Segundo a quilombola, as capacitações e o suporte oferecido pelos consultores foi decisivo para que elas e as parceiras ganhassem confiança necessária para apresentar profissionalmente as delícias que já eram conhecidas na comunidade.

“O Sebrae nos dá uma assistência excelente, tanto no preparo daquilo que vamos fornecer quanto ao longo de todo o período do festival”, afirma Mary. Além de complementar a renda, ela afirma que o festival pode ter um objetivo maior para as quilombolas. “A minha ideia de incentivar as mulheres da minha comunidade para participar é para mostrar a elas que vale a pena o esforço, e também para que, no futuro, a gente possa nos reunir no nosso próprio território para criar novos pratos, elaborar lanches e estruturar nossos projetos próprios”, conta.

A cozinheira afirma que, a partir da assistência recebida pelo Sebrae passou a enxergar com outros olhos a paisagem onde vive. “As comunidades precisam reaprender a usar os ingredientes que a terra oferece e a mostrar sua riqueza cultural para desenvolver uma renda sustentável, sem depender de eventos ou de datas comemorativas para conquistar autonomia econômica”, concluiu.

A 5ª edição do Festival de Gastronomia Quilombola reuniu cultura, sabores ancestrais e empreendedorismo no Centro Histórico de Água Branca (Foto: Ascom Sebrae/AL)