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Vídeos: Baile da Chita reúne gerações e mantém viva tradição há 74 anos

Criada em 1951 para apoiar a emancipação política do município, celebração atravessa gerações e se consolida como um dos maiores patrimônios culturais de Alagoas

Por Lucas França com Tribuna Hoje 22/07/2026 11h34 - Atualizado em 22/07/2026 12h13
Vídeos: Baile da Chita reúne gerações e mantém viva tradição há 74 anos
Baile da Chita mantém viva a tradição e reforça a identidade cultural de Paulo Jacinto - Foto: Luana França/Cortesia

Entre estampas floridas, música, dança e o reencontro de gerações, o Baile da Chita segue como um dos maiores símbolos da cultura popular de Paulo Jacinto, no Agreste alagoano. Realizado há mais de 70 anos, o evento preserva uma tradição que nasceu da união da comunidade e hoje representa um importante patrimônio histórico e cultural do estado.

Muito mais do que uma festa, o Baile da Chita carrega em sua origem um capítulo decisivo da história do município. Criado em 1951, o evento surgiu com o objetivo de arrecadar recursos para custear o processo de emancipação política do então povoado, que pertencia a Quebrangulo. A iniciativa transformou uma necessidade coletiva em uma celebração que atravessou décadas sem perder sua essência.

Veja como foi a festa no vídeo abaixo: 





Segundo o pesquisador Valney Erick, a idealizadora da festa foi Josefa Barbosa Barros, conhecida pelos moradores como Dona Zefinha. Além de criar o Baile da Chita, ela teve papel fundamental na mobilização popular que fortaleceu o movimento pela autonomia administrativa da comunidade.

A história relata que, durante encontros entre Dona Zefinha, José Aurino de Barros e outros moradores, surgiu a preocupação em reunir recursos para contratar um advogado que conduzisse o processo de emancipação. Foi nesse contexto que nasceu a proposta de realizar um grande baile beneficente, iniciativa que rapidamente conquistou o apoio da população.

O nome da festa faz referência ao tecido de chita, bastante popular na época e amplamente utilizado na confecção de roupas e artigos decorativos. Conhecido pelas estampas coloridas e pelo baixo custo, o material tornou-se o símbolo oficial da celebração e permanece presente nas vestimentas e na ornamentação do evento até os dias atuais.

Ainda conforme o pesquisador, uma das atrações do primeiro baile foi a escolha da rainha da festa. A eleição acontecia por meio da arrecadação de recursos obtidos com rifas e bingos, sendo coroada a candidata que conseguisse mobilizar mais contribuições para a causa da emancipação. A iniciativa reforçava o caráter comunitário da festividade e estimulava a participação dos moradores.

Alice Danyella, rainha da edição 2025 e Maria Beatriz (a direita) rainha do Baile da Chita edição 2026 (Foto: Luana França/Cortesia)



A trajetória de Paulo Jacinto também está ligada ao desenvolvimento da ferrovia em Alagoas. Com a inauguração da estação da Estrada de Ferro Great Western, em 1911, o povoado passou a receber o nome de Paulo Jacinto, em homenagem a Paulo Jacinto Tenório, filho de Quebrangulo que doou parte de suas terras para a implantação da linha férrea, contribuindo para o crescimento da região.

Ao longo das décadas, o Baile da Chita deixou de ser apenas um evento beneficente para se transformar em um dos maiores patrimônios culturais de Alagoas. Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial e Histórico do Estado, o festejo reúne moradores, visitantes e famílias inteiras em uma celebração marcada pela valorização das tradições, da memória e da identidade local.

Mais de sete décadas depois de sua criação, o Baile da Chita continua renovando seu compromisso com a cultura popular. A cada edição, a festa reafirma que preservar as tradições é também manter viva a história de um povo, fortalecendo o sentimento de pertencimento e garantindo que o legado deixado por Dona Zefinha permaneça inspirando as novas gerações.