Interior
Mineradora terá que reparar danos em Craíbas
DPE/AL exige que a empresa Vale Verde assegure os direitos dos moradores afetados pelos impactos da mineração
Em reunião ocorrida no último final de semana, em Craíbas, a Defensoria Pública de Alagoas (DPE/AL) voltou a ouvir os moradores das residências afetadas pela atividade mineradora Vale Verde Alagoas.
Na ocasião, a defensora pública Brígida Barbosa disse que a justiça acatou o pedido de suspensão de novas licenças ambientais até que o problema seja solucionado com as famílias que convivem diariamente com danos estruturais em imóveis, riscos ambientais e prejuízos à qualidade de vida.
“A atuação da Defensoria busca assegurar que os direitos da população sejam respeitados e que os impactos da mineração não sejam ignorados pelo poder público e pela empresa responsável”, afirmou.
Os encontros entre os representantes do órgão ocorrem nas comunidades atingidas desde o ano de 2024, por meio de visitas técnicas, escuta ativa dos moradores, audiências públicas e ações judiciais voltadas à proteção dos direitos coletivos.
Em março deste ano, a instituição obteve decisão liminar favorável em ação civil pública relacionada aos impactos da mineração em Craíbas. A Justiça determinou que os municípios de Craíbas e Arapiraca implantem canais oficiais para recebimento de denúncias e registros de ocorrências relacionadas à atividade minerária.
Outra ação movida pela Defensoria resultou em decisão judicial que obriga o Município de Craíbas a apresentar prestação de contas detalhada dos recursos recebidos por meio da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), além da elaboração de um plano imediato de investimentos direcionado às famílias afetadas pela mineração.
Desde o ano de 2021 que a MVV realiza o trabalho de extração de minério de cobre, ferro e ouro, no Povoado Serrote da Laje e outras áreas rurais do município de Craíbas.
Em março do ano passado, a empresa foi adquirida pelo grupo chinês Baiyn Nonferrous pelo valor de R$ 400 milhões de dólares, o equivalente a R$ 2,3 bilhões de reais.
A mina com lavra a céu aberto tem reservas estimadas em 52,7 milhões de toneladas de minério de cobre, ferro e ouro. O projeto tem previsão de 14 anos de atividades, mas o período de atividades para extração de minérios pode ser ampliado para 20 anos, conforme consta no site da Agência Nacional de Mineração (ANM).
As explosões semanais, denominadas pela mineradora apenas de “desmontes”, seriam a causa das rachaduras em várias residências.
Documento produzido pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil de Alagoas (Cepdec/AL) revelou residências apresentaram fissuras e rachaduras.
Os moradores responderam a um questionário e atribuem os danos às fortes explosões provocadas pela atividade mineradora no município. Além disso, as explosões lançam muita poeira no ar e estariam provocando doenças respiratórias em adultos e crianças, bem como lançando metais pesados e contaminando as águas do Rio Traipu, que faz parte da Bacia do Rio São Francisco em Alagoas.
Em reiteradas notas oficiais, encaminhadas à imprensa, a MVV, sempre que é indagada sobre a relação de suas atividades com os tremores de terra na região, nega qualquer vínculo com os abalos sísmicos e reforça que mantém as melhores práticas de ESG, que consistem em monitoramento ambiental contínuo estando rigorosamente dentro dos padrões exigidos na legislação brasileira e em linha com as melhores práticas internacionais.
Mais lidas
-
1Primeira edição
Intercâmbio na Inglaterra transforma a vida de estudantes da rede municipal de Maceió
-
2Programe-se
Sábado com amistoso: Flamengo e decisões da Copa do Mundo
-
3Dramão de tirar o fôlego!
Longe Demais: Série turca da HBO Max reúne um funeral, um clã e uma mãe encurralada
-
4Duro de Matar feminino
A Protetora voltou ao top 1 da Netflix hoje e virou o filme mais assistido do momento; veja trailer
-
5Cinema
Dependência, culpa e destruição! Entenda o final trágico de Nikki e Bear no filme 'Obsessão'





