Interior

Cemitério em área de maré tem sepultamentos suspensos no Pontal do Peba

Ossadas expostas, falta de licenciamento e risco à saúde pública estão entre as irregularidades

Por Tribuna Hoje com assessoria MPE/AL 16/06/2026 14h06 - Atualizado em 16/06/2026 14h59
Cemitério em área de maré tem sepultamentos suspensos no Pontal do Peba
Após ação do MPAL, o Município de Piaçabuçu terá que suspender sepultamentos no cemitério do Pontal do Peba - Foto: MPAL

A Justiça de Alagoas determinou a suspensão imediata de novos sepultamentos no Cemitério Municipal do Pontal do Peba, distrito de Piaçabuçu, após ação ajuizada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL). A decisão foi tomada após a constatação de uma série de irregularidades ambientais, sanitárias e administrativas no local.

De acordo com o MPAL, uma inspeção realizada no início deste mês revelou um cenário considerado grave. Entre os problemas encontrados estão a exposição de ossadas e restos mortais a céu aberto, ausência de licenças ambientais, inexistência de sistema de gerenciamento de resíduos cemiteriais e falhas nas condições de trabalho dos funcionários.

A ação foi proposta pelo promotor de Justiça João Batista Filho, com base em informações fornecidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo o Ministério Público, o cemitério funciona em uma área sujeita à influência das marés e não possui Licença Prévia, Licença de Instalação nem Licença de Operação, contrariando exigências da Resolução Conama nº 335/2003.

"A situação é desastrosa, de total descaso e desrespeito à população. Além da exposição de restos mortais, há riscos ambientais que podem causar danos irreversíveis", afirmou o promotor.

A decisão do juiz Edmilson Machado Neto determina que o Município de Piaçabuçu suspenda imediatamente novos sepultamentos no local, ficando proibida a abertura de covas, jazigos ou qualquer ampliação da área cemiterial.

Enquanto um novo cemitério não for implantado, os sepultamentos deverão ocorrer no cemitério da sede do município. A Prefeitura também terá que garantir, sem custos para as famílias, o translado dos corpos e o transporte dos familiares para os funerais.

Prazos

A decisão judicial estabelece uma série de medidas que deverão ser adotadas pelo Município:

• Em até cinco dias, recolher e acondicionar adequadamente todas as ossadas e restos mortais atualmente expostos.

• Em até 15 dias, apresentar um plano de catalogação, identificação e destinação das ossadas existentes no cemitério.

• Em até 30 dias, apresentar um Plano de Encerramento das Atividades do cemitério, incluindo cronograma de desativação e indicação de uma nova área para implantação de outro equipamento funerário.

• Em até 45 dias, iniciar estudos técnicos para escolha da nova área.

• Em até 90 dias, comprovar o protocolo do pedido de licenciamento ambiental para implantação do novo cemitério.

Multas

Em caso de descumprimento, a Justiça fixou multas que podem chegar a R$ 1.500 por dia, além de penalidades específicas para novos sepultamentos realizados no local após a intimação da decisão.

Os valores eventualmente arrecadados serão destinados ao Fundo Estadual de Meio Ambiente (FEMA/AL).

A ação tramita como Ação Civil Pública Ambiental com Pedido de Tutela de Urgência e tem como objetivo assegurar o cumprimento da legislação ambiental e garantir condições dignas para a destinação dos restos mortais da população.