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Vídeo: Ergue-se um gigante da saúde pública em Arapiraca

Com recursos do PAC e do Governo de Alagoas, Hospital Metropolitano do Agreste beneficiará 17 municípios e vai potencializar atendimentos a mais de meio milhão de pessoas

Por Wellington Santos / Tribuna Independente 16/05/2026 09h40
Vídeo: Ergue-se um gigante da saúde pública em Arapiraca
Hospital Metropolitano do Agreste vai atender a 17 municípios, potencializando a qualidade da saúde pública alagoana - Foto: Edilson Omena

Seu Francisco Alves da Silva, o “Chico”, como é carinhosamente chamado, 67 anos, é um pequeno agricultor, que administra 12 tarefas de terra no bairro Canafístula, onde planta mandioca. Casado, dois filhos “e um netinho que é a coisa mais linda que Deus me deu”, diz ele, com orgulho.

Francisco é o que se pode chamar de “vizinho parede com parede” do gigante da saúde pública que está sendo erguido no bairro: o Hospital Metropolitano do Agreste. A unidade será referência em várias especialidades médicas e beneficiará 17 municípios, com população estimada em 509.921 habitantes, tomando como base os dados oficiais do Censo Demográfico do IBGE. Ou seja, mais de meio milhão de pessoas beneficiadas.

Montado em sua bicicleta, veículo que usa para fazer a vistoria matinal da plantação, ele opina sobre a grande obra da saúde pública, erguida praticamente “no quintal” de sua pequena propriedade.

“A melhor coisa que o Governo do Estado está fazendo é esse hospital. Tem vários hospitais aqui dentro de Arapiraca e não estão dando vencimento; não está cabendo mais o povo. E com esse hospital aí, vai ser bom para nós; é a melhor coisa que está sendo feita”, afirma, completando a seguir: “Olha, não tem outra coisa melhor. Pista, estrada, é bom! Agora, hospital é melhor, porque é saúde. É a nossa saúde que está em jogo e que vai favorecer a nós”, avalia Francisco.

Imponente e, sobretudo, com a missão de atender uma demanda crescente na saúde pública do Agreste alagoano, com previsão de entrega até o fim deste ano, assim está nascendo a estrutura que se ergue no bairro Canafístula, em Arapiraca.

Com recursos da ordem de R$ 163 milhões, o Hospital Metropolitano do Agreste abrigará a nova sede da Unidade Arapiraca do Hemocentro de Alagoas (Hemoal) e está sendo construído em uma área de 33 mil m², com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 3, do Governo Federal.

Hospital está sendo construído em uma área de 33 mil m² (Foto: Edilson Omena)

De acordo com o projeto arquitetônico, o hospital contará com 240 leitos, sendo 109 de internação e isolamento, 61 de clínica cirúrgica, 30 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 30 de urgência e emergência e 10 de Recuperação Pós-Anestésica (RPA).

Contará, ainda, com um bloco cirúrgico e um Núcleo de Diagnóstico por Imagem. Para isso, serão adquiridos equipamentos de última geração, como tomógrafos, aparelhos de raios-X e de ressonância magnética, seguindo as especificações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

GERAÇÃO DE EMPREGO: DA 

ROÇA AO CANTEIRO DE OBRAS

Um dos benefícios da obra é a geração de emprego, tanto no canteiro de obras, como na geração indireta de oportunidades na construção do Hospital Metropolitano do Agreste.

Somente na obra, são mais de 200 empregos gerados diretamente, entre engenheiros, técnicos da construção civil, segurança do trabalho e outros funcionários de apoio. Nas atividades de cunho administrativo e prestação de serviço, como cozinha, recolhimentos de lixo, fornecimento de água entre outros, são cerca de 60 empregos indiretos gerados.

Uma das beneficiadas com a oportunidade de uma nova experiência de trabalho é Poliana Luiza, que saiu da roça para evoluir profissionalmente no canteiro de obras.

“Cheguei aqui através de uma empresa terceirizada, como ajudante. Aí, com meu esforço, o mestre da obra gostou do meu trabalho e me deu uma oportunidade melhor na própria obra”, conta Poliana, que hoje é responsável pelo guincho, trabalhando de um andar ao outro no canteiro, transportando gente e material.

(Foto: Edilson Omena)
"Comecei a trabalhar na vida plantando fumo e mandioca; hoje estou
em um canteiro de obras, muito feliz!”
POLIANA LUIZA
GUINCHEIRA NA OBRA DO METROPOLITANO

“Eu já trabalhava na roça e lá eu ajudava meu irmão, quebrando fungo, mandioca, tudo que um agricultor faz, né? Também fui ajudante de pedreiro. Aí, creio que isso me deu a experiência e me deram oportunidade aqui. Devo isso ao mestre Sandro, pois viu que eu merecia a oportunidade. E a área da construção civil é uma área que eu gosto de trabalhar. Aí, através de um amigo meu, entrei numa empresa terceirizada de ajudante.

Outro que tem aproveitado bem a oportunidade é Antônio Nelson, 64 anos, há um ano e nove meses trabalhando no canteiro da obra do hospital. “Cheguei aqui, estava tudo na poeira, ainda, e hoje está bem adiantada. Para mim, isso é uma bênção de Deus”, diz Antônio.

Um dos trabalhadores da obra do Hospital Metropolitano do Agreste, Antônio Nelson agradece pela oportunidade e sonha que a filha trabalhe quando a unidade estiver pronta (Foto: Edilson Omena)

“CHICO”, O VIZINHO DO 

GIGANTE DA SAÚDE QUE NASCE

Nelson já trabalhou em obras como a duplicação da AL-101 Sul e da rodovia Maceió/Arapiraca, na função de transportador de água, nos vários departamentos da construção. Com a experiência de quem já rodou quase todo Brasil em diversos canteiros espalhados pelo país afora, ele revela um desejo para quando o Metropolitano estiver pronto. “Minha filha está fazendo enfermagem e quem sabe pode vir trabalhar aqui, justamente onde o pai dela trabalha hoje”, completa o trabalhador.

Quando estiver pronta, a unidade hospitalar vai beneficiar 17 municípios que integram a VII Região de Saúde. Além de Arapiraca, o Hospital Metropolitano do Agreste atenderá os moradores de Coité do Nóia, Taquarana, Limoeiro de Anadia, Craíbas, Major Izidoro, Jaramataia, Batalha, Girau do Ponciano, Lagoa da Canoa, Feira Grande, São Sebastião, Campo Grande, Olho d’Água Grande, Traipu, Jacaré dos Homens e Belo Monte.

Francisco Alves da Silva, o “Chico”, pequeno agricultor do bairro de Canafístula, está na expectativa da entrega do hospital (Foto: Edilson Omena)

METROPOLITANO: PORTO SEGURO 

PARA OS ACIDENTADOS DO AGRESTE

A nova unidade de saúde terá um potencial de atendimento de 62.500 consultas /emergência e 38 mil internamentos por ano, nas seguintes especialidades: clínica médica, cirurgia geral, traumato-ortopedia, pediatria, cardiologia, hematologia e nefrologia. O hospital vai contar com uma linha de apoio à saúde pública para milhares de pessoas de Arapiraca e municípios vizinhos, passando a ser referência em especialidades importantes, como ortopedia, cardiologia e traumato-ortopedia.

Obras no Metropolitano (Foto: Edilson Omena)

Arapiraca e região são conhecidas no Estado pela alta incidência de acidentes com trauma. Segundo dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Alagoas, somente em 2026, de janeiro a 15 de dezembro, foram 6.504 acidentes com motos — uma média de 17,81 casos por dia. As colisões mais comuns envolvem carros, bicicletas, animais, carroças, caminhões, ônibus, quedas e atropelamentos, refletindo a complexidade e a gravidade do cenário viário no estado.

ESMERALDA: "HOSPITAL 

DESAFOGARÁ DEMANDA"

Somente em Arapiraca, no mesmo ano, há registro alto do índice de acidentes com moto, com múltiplas ocorrências graves e fatais, especialmente nas rodovias AL-110, AL-115 e AL-220. Colisões traseiras, quedas e acidentes envolvendo caminhões ou carros são frequentes, muitas vezes resultando em óbitos no local ou exigindo socorro do Samu.

Grande número de motocicletas, na área urbana e rural, no Agreste, é causa de muitos acidentes com sérias lesões (Foto: Edilson Omena)

Funcionária pública e professora em Arapiraca, Esmeralda de Lima opina sobre o que vai significar o equipamento de saúde para a região, principalmente no viés da traumato-ortopedia:

“Vai diversificar o atendimento, porque a gente sabe que os equipamentos de saúde, por mais modernos que sejam, a demanda é muito alta. A população aqui é carente nesse aspecto e temos muitos acidentes, principalmente de motocicleta. Então vai ser muito bom para a gente. Particularmente já estou contente porque também sou usuária e preciso desse serviço ortopédico”, conclui Esmeralda.

A servidora pública Esmeralda de Lima ressalta importância do futuro Metropolitano (Foto: Edilson Omena)

(Infográfico: Divulgação)