Interior

Após acordo, mulheres desocupam as terras da mineradora Vale Verde

Na reunião que ocorrerá no TJAL um dos principais pontos da pauta será às terras no grupo falido João Lyra

Por Davi Salsa 10/03/2026 07h04
Após acordo, mulheres desocupam as terras da mineradora Vale Verde
A luta pela conquista da terra é uma das principais reivindicações das mulheres dos movimentos sociais - Foto: Assessoria

Após a confirmação de uma reunião no próximo dia 18 com representantes do Tribunal de Justiça de Alagoas, as 500 mulheres dos movimentos de trabalhadoras rurais desocuparam as instalações da Mineração Vale Verde, em Craíbas, no Agreste alagoano. A ocupação que ocorreu na manhã de ontem, faz parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra e para denúnciar às atividades da mineradora que segue provocando um conjunto de problemas no município.

Na reunião que ocorrerá no TJ/AL um dos principais pontos da pauta será às terras no grupo falido João Lyra. Eles reivindicam a aquisição de 4.200 hectares da usina Laginha, via Incra nacional, para o assentamento de famílias acampadas no complexo do grupo JL há mais de 15 anos.

Além de integrantes do MST, participaram do ato representantes do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTC), da Frente Nacional de Luta (FNL), Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), Movimento Popular de Luta (MPL), o Movimento Via do Trabalho (MVT), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento Terra Livre, além de integrantes dos movimentos populares da região.

Presente na região desde 2007, a Mineração Vale Verde tem o objetivo de realizar o “Projeto Serrote” no Agreste de Alagoas, para a abertura de uma mina a céu aberto para o beneficiamento e produção do concentrado de cobre para exportação, com investimento estimado em mais de R$ 700 milhões.

Desde o início de seu funcionamento, uma série de denúncias surgiram na região, incluindo contaminação de rios, morte precoce de animais, tremores de terra e rachaduras em casas. Os relatos dos moradores apontam também que explosões frequentes utilizadas no processo de extração mineral estão afetando diretamente comunidades vizinhas, trazendo insegurança para as famílias que vivem no território.

Durante o ato, as mulheres reafirmam a necessidade de barrar os avanços da mineração predatória na região e defender a vida das populações atingidas, em consonância às diversas denúncias que a mineradora tem recebido no último período.

Contra a mineração

A mobilização pauta ainda a necessidade de avançar na Reforma Agrária no estado e com a ação na mineradora pretende chamar atenção ao Poder Público estadual para olhar às demandas das camponesas e camponeses em todas as regiões de Alagoas.

Os movimentos demandam uma audiência com o governador Paulo Dantas (MDB) para retomar a pauta em torno das terras da massa falida do Grupo João Lyra, bem como a exigência imediata da suspensão dos despejos das famílias acampadas hoje em Alagoas.

Em suas faixas, cartazes e palavras de ordem, as manifestantes reafirmam o papel da distribuição de terra para a produção de alimentos saudáveis, gerando emprego e renda para o desenvolvimento de Alagoas, aliado à preservação dos bens da natureza e da vida digna de mulheres e homens no campo, contrapondo às ações da mineração.