Interior
Equipe inicia instalação de sismógrafo em Caríbas
Geólogos se encontram no município para monitorar tremores e rachaduras, com participação de órgãos do governo do estado
Uma equipe de geólogos da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop/MG), coordenada pelo professor-doutor Carlos Henrique Arroyo Ortiz, está fazendo os primeiros levantamentos, no solo de Craíbas, município agrestino de Alagoas, localizado a 145 km de Maceió, para iniciar a instalação de sismógrafos, com o objetivo de monitorar tremores de terra e rachaduras em residências em vários povoados da região.
Os estudos sismológicos serão financiados pela Mineradora Vale Verde (MVV), após a Justiça Federal ter homologado acordo em setembro do ano passado.
O início dos trabalhos acontece depois de a Defensoria Pública da União (DPU) em Alagoas ter recomendado estudos técnicos e aparelhamento das Defesas Civis Municipais de Craíbas e Arapiraca, no âmbito da Ação Civil Pública nº 0800795-44.2023.4.05.8001, que tramitou na 8ª Vara Federal de Alagoas.
A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP/MG) foi contratada para avaliar as ações da atividade da Mineradora Vale Verde (MVV) com as rachaduras em várias residências no entorno da empresa, na área rural do município.
A equipe do professor Carlos Arroyo, entre outras funções, vai instalar um sismógrafo na região para a realização dos estudos e pesquisas.
A primeira comunidade a ser visitada foi o Sítio Torrões, na última segunda-feira (2). Além da equipe da Ufpo/MG, também participaram da reunião com os moradores das comunidades mais afetadas pela mineração: Pau Ferro e Lagoa do Mel. Estiveram presentes, ainda, a geóloga do IMA/AL, Isabela Santos; o major Augusto, da Defesa Civil Estadual; o coordenador da Defesa Civil Municipal de Craíbas, Edimilson, bem como alunos do Curso de Formação de Oficiais do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas.
Na ocasião, foram apresentadas as metodologias de monitoramento que serão adotadas pela equipe do professor Carlos Arroyo, além dos locais onde serão instalados os equipamentos, a exemplo de sismógrafos destinados à detecção de vibrações no solo, e extensômetros que serão instalados em imóveis com rachaduras para monitorar possíveis aumentos das fissuras durante as explosões na mina que ocorrem semanalmente.
Pelo que apurou a Tribuna, o monitoramento será realizado, inicialmente, nas comunidades de Pau Ferro, Lagoa do Mel e Torrões, e terá duração de seis meses, com início previsto para este mês de fevereiro.
Existe a previsão de que seja instalado um sensor de alta sensibilidade para detecção de microssismos. O equipamento já foi adquirido pela equipe técnica e está em processo de importação do Canadá, com a previsão de chegada em Alagoas na próxima semana.
Custo do sensor é de aproximadamente 32 mil dólares, o que corresponde a cerca de R$ 160 mil, considerando a cotação atual da moeda.
De acordo com o professor Carlos Arroyo, haverá total transparência na divulgação dos dados coletados, além da possibilidade de parcerias institucionais para a troca de informações sobre os aspectos físicos da região.
Segundo ele, que é Doutor em Geociências, também será solicitado à Mineração Vale Verde (MVV) o histórico das detonações, bem como a consulta aos dados disponibilizados pelo Exército Brasileiro para a liberação das detonações na mina.
Desde o ano de 2021 que a MVV realiza o trabalho de extração de minério de cobre, ferro e ouro, no Povoado Serrote da Laje e outras áreas rurais do município de Craíbas.
Em março do ano passado, a empresa foi adquirida pelo grupo chinês Baiyn Nonferrous pelo valor de R$ 400 milhões de dólares, o equivalente a R$ 2,3 bilhões de reais.
A mina com lavra a céu aberto tem reservas estimadas em 52,7 milhões de toneladas de minério de cobre, ferro e ouro. O projeto tem previsão de 14 anos de atividades, mas o período de atividades para extração de minérios pode ser ampliado para 20 anos, conforme consta no site da Agência Nacional de Mineração (ANM).
As explosões semanais, denominadas pela mineradora apenas de “desmontes”, seriam a causa das rachaduras em várias residências. Documento produzido pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil de Alagoas (Cepdec/AL) revelou imóveis que apresentaram fissuras e rachaduras.
Os moradores responderam a um questionário e atribuem os danos às fortes explosões provocadas pela atividade mineradora no município. Além disso, as explosões lançam muita poeira no ar e estariam provocando doenças respiratórias em adultos e crianças, bem como lançando metais pesados e contaminando as águas do Rio Traipu, que faz parte da Bacia do Rio São Francisco em Alagoas.
Em reiteradas notas oficiais, encaminhadas à imprensa, a MVV, sempre que é indagada sobre a relação de suas atividades com os tremores de terra na região, nega qualquer vínculo com os abalos sísmicos e reforça que mantém as melhores práticas de ESG, que consistem em monitoramento ambiental contínuo, estando rigorosamente dentro dos padrões exigidos na legislação brasileira e em linha com as melhores práticas internacionais.
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