Interior

Jornal é utilizado no cultivo do abacaxi

Produtores do Agreste usam o papel de edições antigas do impresso para proteger frutos dos raios solares e calor excessivo

Por Davi Salsa - Sucursal Arapiraca / Tribuna Independente 07/01/2023 08h10
Jornal é utilizado no cultivo do abacaxi
Folhas e jornal impresso são amarrados com barbante junto à coroa do abacaxi para protegê-lo dos raios solares e do calor excessivo - Foto: Davi Salsa

Além de manter as pessoas mais informadas do que acontece em Alagoas, no Brasil e no mundo, o jornal impresso é utilizado pelos agricultores do Agreste alagoano no cultivo do abacaxi.

As edições mais antigas são muito procuradas pelos produtores dos municípios de Arapiraca e Coité do Nóia.

Eles buscam os jornais para proteger os frutos do excesso dos raios solares e do calor excessivo.

Os agricultores costumam comprar edições antigas da Tribuna Independente e de outros periódicos que circulam no estado e até de outras regiões do país.

Com a redução do número de jornais impressos em Alagoas e no Brasil, o produto está ficando cada vez mais escasso.

A presidente da Associação de Produtores de Abacaxi da Comunidade de Poção, na área rural de Arapiraca, a agricultora Judite Caetano, que é produtora há mais de 20 anos, diz que, atualmente, o quilo de jornal é comprado a R$ 15.

A quantidade é suficiente para enrolar mais de 100 frutos.

Sem a utilização dessa técnica tradicional, os raios solares podem queimar os frutos e provocar perdas significativas que chegam a mais de 60% de toda a produção.

(Foto: Davi Salsa)


Também há outras alternativas, além da utilização de jornais impressos antigos, para proteger os frutos do excesso de sol.

Os agricultores amarram as folhas da própria planta com barbante junto à coroa do fruto, como podem cobrir os frutos com palha ou sacos de papel kraft, similares aos utilizados em padarias.

Município desponta como o maior produtor do fruto

Com mais de 235 mil habitantes, o município de Arapiraca desponta como o maior produtor de abacaxi da região e de Alagoas.

Na comunidade de Poção, segundo os dados da Secretaria de Desenvolvimento Rural, são aproximadamente 400 pequenos produtores que trabalham diretamente com o cultivo do fruto e que recebem sistematicamente assistência técnica.

Cada produtor cultiva uma área com dois hectares, em média, e o município tem uma estimativa de área plantada de aproximadamente 300 hectares.

Judite Caetano relata que, atualmente, cada fruto está sendo comercializado entre R$ 2 e R$ 3.

As comunidades rurais de Poção, Jenipapo, Poço da Pedra, Oitizeiro e Cangandu produzem a maior parte dos frutos, que são vendidos nas feiras livres e também exportados por atravessadores para os estados do Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e até para outros países, a exemplo da Argentina, que tem sido um dos maiores compradores do fruto produzido no Agreste alagoano.