Interior

28 de novembro de 2021 19:23

Contra violência e impunidade, camponeses iniciam vigília na frente do Fórum de Atalaia

Camponeses e camponesas relembram o assassinato de lideranças dos movimentos de luta pela terra e seus casos que ainda seguem impunes

↑ (Imagem: Divulgação)

Trabalhadores e trabalhadoras rurais de todo o estado de Alagoas iniciam, desde o final da tarde deste domingo (28), uma vigília contra a violência e a impunidade no campo. Reunidos na frente do Fórum da cidade de Atalaia, na Zona da Mata de Alagoas, os camponeses e camponesas relembram o assassinato de lideranças dos movimentos de luta pela terra e seus casos que ainda seguem impunes.

A vigília rememora ainda os 16 anos do assassinato de Jaelson Melquíades, do MST, morto em uma emboscada planejada pelas elites da região.

“O caso de Jaelson é um caso emblemático aos movimentos sociais de luta pela terra em Alagoas. Temos um inquérito policial que já apontou mandante e executor do crime, mas até hoje somente um mandante foi identificado no processo”, explicou Margarida da Silva, da direção nacional do MST.

Segundo a dirigente, desde o assassinato de Jaelson, o dia de sua morte tornou-se um dia de luta para os trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra.

“O Dia Estadual de Luta Contra a Violência e a Impunidade no Campo e na Cidade reafirma ao longo desses anos a nossa disposição de lutar contra toda e qualquer forma de violência que ameaça, criminaliza e mata aqueles e aquelas que lutam por justiça, seja no campo ou na cidade”, sinalizou Margarida.

Com velas, cruzes, palavras de ordem e celebrações, a vigília na frente do Fórum integra a agenda do MST pela passagem do dia de luta contra a violência. Na próxima segunda-feira (29), os camponeses e camponesas realizam ainda um ato político no centro da cidade de Atalaia, com a presença de lideranças religiosas, movimento sindical, organizações populares e partidos políticos.

“Nossa ação coletiva é extremamente necessária para o momento que estamos vivendo. Jaelson é um caso que retrata o papel da impunidade no fortalecimento da violência no campo, e essa tem sido uma história que se repete.
Ao olharmos o histórico dos assassinatos de trabalhadores rurais em Alagoas, vamos nos deparar com outros casos que seguem impunes até hoje”, comentou Margarida.

Crimes em Atalaia

Além da morte de Jaelson, a cidade de Atalaia é marcada ainda pelo assassinato de outras lideranças da luta pela terra, como o caso de José Elenilson e Chico do Sindicato. O município já chegou a ocupar o segundo lugar do Nordeste em conflitos agrários, em especial no período do fechamento das grandes usinas e o aumento das ocupações de terra.

O caso de Chico do Sindicato, por exemplo, é mais uma marca da violência das elites da região contra os que lutam pela terra e pela Reforma Agrária.

Chico foi um sindicalista da cidade de Atalaia que atuou no sindicato dos trabalhadores rurais e contribuiu na luta dos trabalhadores na ocupação das terras da antiga Usina Ouricuri, após sua falência. Foi assassinado em março de 1995 e até hoje seu caso segue impune.

Fonte: Assessoria MST/AL

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