Interior

3 de setembro de 2020 08:46

Avanço do mar é risco para casas e empreendimentos

Problema é acentuado nas praias de Garça Torta e Riacho Doce com fenômeno de retrogradação litorânea

↑ Danos podem ser causados pelo avanço contínuo das marés até em empreendimentos imobiliários (Foto: Claudio Bulgarelli)

O ditado popular “Água mole em pe­dra dura, tan­to bate até que fura”, pode realmente ser aplicado ao pé da letra quando se refere à realidade de muitas praias de Alagoas. O fenômeno de retrogradação litorânea, ou seja, diminuição do litoral, está colocando em risco  muitas proprieda­des; casas, bares e até empreendimentos imobiliários; sobretudo nas praias urbanas de Garça Torta e Riacho Doce, localizadas ao Norte de Maceió. A erosão causada com o avanço do mar é uma dura realidade para moradores nascidos nos dois bairros históricos, mas também para muita gente que resolveu morar por ali e investiu milhões em mansões e em grandes prédios de mais de 20 andares.

O problema não é novo. Um estudo sobre o fenômeno, funda­mentado por autores que desenvolveram estudos de 20 anos atrás, mas que foram atualizados, mostra um mapeamento de muitos municípios e praias da costa alagoana que es­tão em situação de vulne­rabilidade. Dentre eles, destacam-se Maceió, nas praias de Ponta Verde, Jatiúca, Pa­juçara, Praia da Sereia, Garça Torta e Riacho Doce, Paripueira; Barra de Santo Antônio, na Ilha da Croa, São Miguel dos Milagres, Porto de Pedras, Japaratinga, na Praia do Bitingui e Maragogi.

Com o período invernal e o significativo aumento das marés, através do forte avanço do mar, que é um fenômeno registrado no litoral dos 17 Estados brasileiros banhados pelo Oceano Atlântico, empresários que possuem estabelecimentos como restaurantes, bares e receptivos turísticos, além de hoteleiros com belas pousadas e hotéis, além de empreendimentos imobiliários, manifestam pavorosa preocupação com os possíveis danos que podem causar o avanço contínuo das marés durante o inverno. O Litoral Norte tem sido a região mais atingida de Alagoas nos últimos anos com o aumento das marés, sobretudo no fim do verão e meio do inverno.

O problema se agrava nas praias urbanas de Garça Torta e Riacho Doce, onde o avanço do mar, em alguns trechos da orla, tem colocado de prontidão muita gente. Na Garça Torta, muitas casas já perderam seus muros e o mar avança sobre outros. Nesse trecho existem bares, uma pequena vila de pescadores, um clube de lazer da Caixa e um enorme prédio de mais de 20 andares. Na praia de Riacho Doce o avanço do mar continua derrubando muros e colocando em risco algumas mansões á beira mar.

Na praia de Ipioca, por exemplo, dentro do Condomínio Angra de Ipioca, por dois anos seguidos, a barreira natural de areia e restinga foi atingida pelas grandes marés e destruiu mais de 100 metros de praia do Hibiscus Beach Club, provocando danos econômicos de mais de 200 mil reais. Na divisa entre Sauaçuhy e Paripueira, o Rio Sauaçuhy, que muda de curso constantemente devido as fortes marés, começou sua ação destruidora há quatro anos, destruindo muros e jardins de mansões que se encontravam a 100 metros de distância da praia. As casas perderam valor de mercado e muitas já estão ameaçadas pela mudança do rio. Além disso, parte da praia de Costa Brava também está sendo afetada.

Fonte: Tribuna Independente / Sucursal Região Norte

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