Interior

13 de julho de 2020 13:20

Relatório científico aponta comparação sobre óleo derramado em Maragogi

Documento aponta que impacto do desastre ambiental ainda não foi superado

↑ Óleo em Maragogi continua sendo monitorado (Foto: Divulgação)

Em setembro e outubro do ano passado, as praias de Alagoas, em quase todo o Nordeste, foram invadidas por gigantescas manchas de óleo que colocaram em risco a vida marinha da região, tiraram o sustento de pescadores e prejudicaram o turismo, já que muitas reservas foram canceladas diante da alta temporada que se anunciava. Maragogi, principal polo turístico do Litoral Norte de Alagoas, foi um dos municípios mais atingidos, apesar da eficiente ação do município na limpeza das praias e em outras atividades, que lhe rendeu, inclusive, o Troféu Alagoas Verde pelo combate.

Agora, 10 meses depois, um relatório científico publicado sobre o óleo derramado nas praias de Maragogi faz uma comparação entre a situação do ano passado e junho deste ano.

A análise é parte do processo de monitoramento contínuo realizado pela Força Tarefa da Universidade Federal de Alagoas, que trata do vazamento. Além da avaliação dos compostos químicos encontrados nos resíduos, a equipe multidisciplinar também pesquisou o impacto social, alterações na vida marinha e formas de biorremediação do desastre ambiental.

O documento divulgado, assinado pelos professores Mozart Bispo, João Inácio Soletti, Sandra Carvalho, Henrique Goulart e Antonio Euzébio, aponta uma análise nas amostras de setembro do ano passado, onde foram encontrados inúmeros compostos que causam danos ambientais como o naftaleno, dibenzotiofeno e benzeno.

Já no material coletado em junho, essas substâncias não foram rastreadas. Segundo o documento, isso acontece porque, com à exposição ao ambiente natural, esses compostos tendem a se degradar por meio de fenômenos como a evaporação.

No entanto, o documento, aponta que o impacto do desastre ambiental ainda não foi superado. Alguns substâncias, como asfaltenos, continuam sendo encontrados no litoral alagoano.

Segundo os pesquisadores, na literatura existem relatos da persistência de hidrocarbonetos derivados do derramamento de petróleo por um período de até dois anos após vazamentos, depositados em pântanos e em outros sedimentos, o que indica que a degradação do petróleo acontece de forma bastante lenta.

Com isso, a tendência é que o problema persista em Alagoas, pelo menos, até 2021, afetando não só as praias, mas também mangues adjacentes. A Força Tarefa da Ufal continuará fazendo o monitoramento da costa.

Fonte: Tribuna Hoje / Claudio Bulgarelli - Sucursal Região Norte

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