Interior

1 de julho de 2020 16:15

Técnico premiado da MVV diz que Educação é o caminho para aliar extração e preservação

Jaédson Oliveira trabalha na mineradora e fala, em entrevista ao Tribuna Hoje, um pouco sobre suas atividades, a recente premiação na Revista Minérios & Minerales e até a criação de abelhas no CEA

↑ Jaédson trabalha na mineradora desde 2014 e no mês passado teve artigo premiado (Foto: Assessoria)

Recentemente reconhecido no dia 18 do último mês de junho com o Prêmio de Excelência da Indústria Minero Metalúrgica Brasileira 2020, na categoria “Meio Ambiente e Comunicação”, o técnico de Agropecuária da Mineradora Vale Verde (MVV) Jaédson Oliveira contou em entrevista ao Tribuna Hoje um pouco do trabalho que é realizado dentro do Projeto Serrote, situado entre os municípios alagoanos de Arapiraca e Craíbas – no Agreste, e do Centro de Educação Ambiental (CEA) da empresa.

Nascido em Aracaju, onde o pai trabalhava em construção civil, mas desde tenra idade vivendo em Arapiraca, Jaédson trabalha na mineradora desde 2014 e hoje é responsável pelo CEA, local que tem ampliado as ações de sustentabilidade da MVV.

Além das ações, ele também destaca a experiência como apicultor e com o grupo Abelhas Sustentáveis, que realiza várias ações como cursos, assistência técnica, consultoria e elaboração de projetos ligados à agropecuária e sustentabilidade. O CEA cria abelhas sem ferrão para reintrodução na natureza desde 2017.

Às vésperas de completar 30 anos, o técnico teve o reconhecimento em artigo seu sobre a troca de sacolas plásticas por tubetes na produção de mudas nos viveiros do CEA, na zona rural de Craíbas. Ele ressalta que é possível conciliar a extração de minérios com a preservação do meio ambiente e o caminho é apenas um: a Educação.

Confira a entrevista:

Tribuna Hoje – Relate para os nossos leitores sobre como funciona o trabalho de um técnico de Agropecuária dentro do funcionamento de uma mineração, a Vale Verde, e suas atividades no Centro de Educação Ambiental da empresa.

Jaédson Oliveira – Os técnicos em Agropecuária geralmente atuam com produção e gestão agropecuária. Em 2014, vim para a MVV para trabalhar com Assistência Técnica para os agricultores familiares das áreas de influência do Projeto Serrote, com o intuito de produzir meios de subsistência e gerar renda em pequenas propriedades, com pouca disponibilidade de água, o que se mostrou um grande desafio. No mesmo ano, ainda em 2014, surgiu outro desafio: atuar no Centro de Educação Ambiental (CEA) da MVV. O nosso trabalho no CEA possui hoje três pilares: o primeiro é desenvolver o Programa de Educação Ambiental com as pessoas residentes nas áreas de influência direta do Projeto, juntamente aos empregados. O segundo é propor soluções de geração de renda para a comunidade local por meio do Programa de Convivência no Semiárido e o terceiro, apoiar os Programas de Controle Ambiental do Projeto Serrote.

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Jaédson em suas atividades de Educação Ambiental com a comunidade local (Foto: Assessoria)

Tribuna Hoje – Recentemente, em 2019, o Projeto Serrote recebeu certificado internacional da UNESCO de Posto Avançado de Reserva da Biosfera da Caatinga. O que esse prêmio agora, da Revista Minérios & Minerales, representa para vocês? O caminho é esse?

Jaédson Oliveira – Todas essas conquistas, tanto o título de Posto Avançado da UNESCO, quanto o Prêmio de Excelência da Revista Minérios & Minerales mostram o compromisso que a MVV tem com o meio ambiente em suas áreas de atuação. Temos ciência que o objetivo da companhia é a produção de minérios, porém, acima de seus objetivos, está a preocupação com a sustentabilidade, todo esse compromisso de atuar de maneira respeitosa com o meio ambiente e as comunidades locais. Esses reconhecimentos externos nos fortalecem como instituição e pontuam que estamos, sim, no caminho certo. Precisamos seguir pensando diferente e fazendo mais.

Tribuna Hoje – É verdade que, além de premiado técnico da MVV, você também é apicultor? Você tem um grupo chamado Abelhas Sustentáveis, em que presta consultorias e dá palestras, certo? Conte um pouco sobre esse ofício e como isso se tornou uma paixão para você.

Jaédson Oliveira – Sim, é verdade! Meu interesse por abelhas surgiu da necessidade de me capacitar para orientar alguns agricultores locais. Nessa busca por informação, conheci o pesquisador e engenheiro agrônomo Pedro Acioli, que já atua nessa área há mais de 20 anos, e o técnico agropecuário Moisés Santos. Então, juntamos esforços e criamos o grupo Abelhas Sustentáveis, que realiza cursos, assistência técnica, consultoria e elaboração de projetos ligados à agropecuária e sustentabilidade. Para contribuir com o aprendizado dos nossos alunos e clientes, possuímos também o canal no Youtube “Abelhas Sustentáveis”. Já na MVV, atualmente, há no CEA um meliponário com abelhas nativas conhecidas popularmente como “mandaçaia” (Melipona quadrifasciata) e um apiário com abelhas chamadas “italiana” (Apis mellifera). Ambas as criações têm por objetivo aumentar o número de polinizadores na área de Reserva Legal da MVV.

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Em junho de 2019, o governador de Alagoas, Renan Filho, esteve no Projeto Serrote e provou do mel das abelhas sem ferrão (Foto: Assessoria)

Tribuna Hoje – Sua ligação com a natureza é notável. Por que escolheu trabalhar com agropecuária? Tem a ver com algo de sua infância? Você cresceu em Aracaju?

Jaédson Oliveira – Apesar de ser natural de Aracaju-SE, sempre vivi em Arapiraca-AL. Meus pais voltaram para Alagoas logo após o meu nascimento. A minha ligação com a natureza e a agropecuária se deu por causa realmente da minha infância no meio rural. Em Arapiraca, meu pai se dividia entre a profissão de pedreiro (nasci em Aracaju, enquanto ele trabalhava na construção civil) e a de agricultor. Daí que veio meu interesse pelo rural, pelo agro.

Tribuna Hoje – Quais os maiores desafios para manter o equilíbrio entre extração mineral e preservação da natureza? E como seguir desenvolvendo novas ideias dentro do CEA, buscando, quem sabe, novos prêmios futuramente?

Jaédson Oliveira – O primeiro desafio está em educar as pessoas, levar conhecimento sobre o meio onde vivem para que entendam que não há uma dicotomia entre a geração de riquezas e a preservação ambiental. Há possibilidade, sim, de manter o equilíbrio entre esses dois aspectos. Para isso, vejo apenas um caminho: a Educação. A MVV tem ciência disso – tanto que uma das metas do CEA é contribuir com a Educação Ambiental dos stakeholders do Projeto Serrote, incutindo a aplicação de ideias sustentáveis que proponham soluções aos problemas da região, por exemplo. O segundo desafio está no desenvolvimento de métodos de operação para projetos que promovam cada vez menos impactos ambientais, com menor uso de recursos naturais e maior eficiência. Uma ênfase que sempre damos nos treinamentos é remover essa ideia de que a mineração é um grande poluidor e que trará prejuízos ambientais para a cidade em que se encontra. Mostramos que possuímos processos e técnicas para que possamos atender a legislação ambiental vigente.

Tribuna Hoje – Os seres humanos têm uma grande tendência de acharem que estão separados da natureza. Com o tempo, nós fomos nos esquecendo que viemos da mãe-terra e que também somos animais. Na sua ótica, essa pandemia é um recado para retornarmos a hábitos mais saudáveis dentro dessa nossa relação com o verde?

Jaédson Oliveira – Pois é! Infelizmente, foi preciso de uma pandemia para voltarmos a refletir sobre nossas escolhas e decisões nos últimos anos. Somos parte da natureza e dependemos dela para continuar existindo. Não há como fugir disso. Acredito que devemos usar o que estamos vivenciando hoje como exemplo para uma real mudança – não só a nossa relação com o ambiente, mas também espiritual, a nossa relação conosco.

Fonte: Tribuna Hoje / Texto: Bruno Martins

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