Interior

1 de julho de 2020 07:56

Erosão avança nas praias do Litoral Norte

Empresas privadas realizam obras de contenção na Praia de Marceneiro, em Milagres, e Praia do Patacho, em Porto de Pedras

↑ Na Praia do Patacho, Sítio Vila Patacho realiza obra de implantação de muro de gravidade tipo Sandbag para estabilização de terreno costeiro (Foto: Julian Ferino / Cortesia)

Nas últimas semanas uma grande polêmica se criou nas redes sociais com várias denúncias de moradores contra obras que estavam sendo realizadas em pelo menos duas praias da Rota Ecológica, no Litoral Norte. A primeira, na praia do Marceneiro, no Passo de Camaragibe, onde a população acionou inclusive a prefeitura para entender o que estava acontecendo, depois que um vídeo flagrou uma escavadeira abrindo um enorme buraco na praia. A segunda, na Praia do Patacho, em Porto de Pedras, onde em vários grupos de WhatsApp e também em dezenas de páginas do Facebook circulou um vídeo mostrando um enorme buraco na localidade, com derrubada de coqueiros e outras vegetações.

As imagens são, na verdade, de projetos particulares para contenção de erosão em área costeira e, em ambos os casos, com autorização do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL).

Na Praia do Marceneiro, a autorização está em nome da empresa São Miguel dos Milagres Fundo de Investimento Imobiliário, com sede em São Paulo e com situação cadastral junto a Receita Federal ativa e regular. A justifica na autorização do IMA é da implantação de muro de gravidade para contenção de erosão em área costeira.

Na praia do Patacho, a autorização está em nome de Leonardo Brito Caribe ou Sítio Vila Patacho com a justificativa de implantação de muro de gravidade tipo Sandbag para estabilização de terreno costeiro.

Em quase todas as praias do Litoral Norte, o avanço da erosão é grave, já que é um processo que vem ocorrendo ao longo da linha de costa de Alagoas, atingindo costões rochosos, falésias e praias. É uma erosão provocada pela ação das águas do mar, que atuam sobre os materiais da linha de costa, modificando-os através da sua ação química e da sua ação mecânica.

A erosão costeira é um processo natural decorrente de um balanço sedimentar negativo. Entretanto, quando esta se torna severa e perdura por longo período ao longo de toda a praia ou trechos dela, ameaçando áreas de interesse socioeconômico e ecológico, deve merecer atenção de cientistas e autoridades, pois o processo de erosão passa a configurar uma área de perigo e risco.

Na Praia do Patacho, por exemplo, o avanço do mar sobre a costa, sobretudo, nos últimos anos, vem causando derrubada de centenas de coqueiros e outras vegetações, além de enormes prejuízos em propriedades privadas.

Segundo o proprietário do Sítio Patacho, Leonardo Caribe, o trabalho de contenção foi baseado em estudos que mostram através de imagens de satélites de que nos últimos 20 anos a maré avançou em torno de 100 metros ao longo de toda a Praia do Patacho.

Fonte: Tribuna Independente / Claudio Bulgarelli

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