Interior

30 de novembro de 2019 10:11

Piaçabuçu, último destino turístico do São Francisco

É exatamente a foz do Velho Chico que se apresenta como um dos maiores atrativos da Região Nordeste

↑ Enormes dunas fixas e móveis, de areias claríssimas, são algumas das atrações do município de Piaçabuçu (Foto: Prefeitura de Piaçabuçu)

Nosso último destino do roteiro turístico Caminhos do São Francisco finalmente aporta em Piaçabuçu, extremo sul do litoral alagoano e tendo como divisor comum entre Alagoas e Sergipe, a foz do Rio São Francisco. E é exatamente a foz do velho Chico que se apresenta como um dos maiores atrativos turísticos do Nordeste, onde o encontro de suas águas com o mar ganha uma moldura especial, formando um delta com coqueiros e imensas lagoas de cor azulada, tendo ao fundo suas enormes dunas fixas e móveis, de areias claríssimas. Somam-se a isso as praias desertas, a área de desova de tartarugas marinhas e a comunidade quilombola do Pixaim, que vive bem no meio das dunas, entre enormes cajueiros.

O município, bem como toda a região tem sua história ligada à exploração do Rio São Francisco, que começou em 1660 com o português André Dantas. Foi aqui, onde fica a foz do rio, que se deu a penetração rumo ao interior de Alagoas. O povoado surgiu a partir de uma capela que Dantas mandou construir em homenagem a São Francisco de Bórgia.

O nome Piaçabuçu tem origem indígena e significa “Palmeira Grande”. Em 11 de julho de 1859 foi criada a freguesia sob a invocação de São Francisco de Bórgia. Mas só em 1882 é que Piaçabuçu foi elevada à categoria de vila e desmembrada de Penedo. A mesma lei elevou a vila à categoria de município e transferiu a comarca para Coruripe. Antes de ser criada em 1952, a comarca de Piaçabuçu voltou a fazer parte, durante alguns anos, da comarca de Penedo.

Turismo

Atualmente a economia do município é quase totalmente voltada ao turismo, já que todos que visitam a cidade realizam o famoso passeio à foz do Rio São Francisco, feito em barcos particulares. Das embarcações é possível observar na cidade, a valorização e a preservação da sua natureza. Piaçabuçu possui duas extensas praias: a Praia de Pontal do Peba e a Praia do Peba, que se estendem desde a Vila do Pontal até o Pontal da Barra, com mais de 20 km de areias contínuas, sendo considerada uma das mais extensas do Brasil.

Praia do Peba

Toda a região de Piaçabuçu é uma verdadeira maravilha da natureza, começando no Delta de São Francisco, e claro, passando pelo Pontal do Peba.

Aqui tem todo um paraíso ecológico coberto de águas claras, animais silvestres, e santuário de tartarugas marinhas. Por ter sofrido bastante com o desmatamento no passado, atualmente é uma área de proteção ambiental, e por isso mesmo ainda preserva a sua paisagem. O mar da Praia do Pontal do Peba é bem calmo, e as águas são tão claras que dá para enxergar os peixes e corais.

Ainda pouco procurada e conhecida por turistas, mas já inserida no roteiro de receptivos de viagem, ela é frequentada a maior parte do tempo, pelos moradores da região e turistas de Arapiraca e Aracaju. O clima é bastante ameno, e por isso se torna o lugar perfeito para quem precisa descansar, e para quem necessita de passar um tempo longe da rotina. Tem uma faixa de areia grossa, de tons dourados, e de grande extensão. Se estende a sul por cerca de 20 Km de douradas dunas até chegar à foz do Rio São Francisco. Uma curiosidade: o nome “Peba” vem de tatupeba (tupi antigo) que quer dizer tatu achado. Na língua portuguesa esse animal também é conhecido como tatupeba.

Comunidade de quilombolas vive entre as dunas do município

Pode parecer estranho que diante do século 21 e de todas as possibilidades tecnológicas, numa região extremamente turística, exista ainda uma comunidade que vive quase a margem de tudo isso. Mas existe sim. É a comunidade do Pixaim, descendentes de quilombolas, que moram em casas rústicas e espartanas entre as dunas da área de proteção ambiental da Foz do São Francisco.

A comunidade, que não passa de 100 pessoas, quase todos adultos e velhos, já que os jovens acabam indo para as cidades, se consideram migrantes dentro do mesmo território, mudando de casa de tempos em tempos. Isso já virou uma rotina para as famílias da comunidade quilombola Pixaim, que vivem sobre dunas em uma área que fica nas proximidades da Foz do Rio São Francisco, no município de Piaçabuçu.

A migração dentro do mesmo espaço ocorre devido à necessidade dos moradores de se adequarem às condições do meio ambiente, já que a comunidade, que está instalada há décadas em cima das areias finas que se movem a todo momento com a força do vento, se modifica dia a dia assim como a dinâmica dos ‘morros vivos’ do lugar.

Fonte: Tribuna Independente / Claudio Bulgarelli – Sucursal Região Norte

Comentários

MAIS NO TH