Interior

“Lapinha do Sertão”, Piranhas é história e beleza

Município encanta seus visitantes e é considerado uma parada obrigatória do roteiro Caminhos do São Francisco

Por Claudio Bulgarelli – Sucursal Região Norte com Tribuna Independente 02/11/2019 12h09
“Lapinha do Sertão”, Piranhas é história e beleza
Reprodução - Foto: Assessoria
No nosso Roteiro Caminhos do São Francisco, enfim chegamos a Piranhas, uma das joias mais raras do Baixo São Francisco alagoano. Conhecida como “Lapinha do Sertão”, assim carinhosamente apelidada por D. Pedro II quando este visitou o município em 1859, é uma cidade que não dá para esconder o fascínio e a paixão pelos visitantes que são cada vez mais numerosos. A história dessa cidade e suas atrações transformaram-na naqueles destinos encantadores que ninguém consegue esquecer. Difícil encontrar alguém que já não tenha ouvido falar em Piranhas. E mais difícil ainda encontrar alguém que não se encantou com o charme das casas coloridas, a fé nas escadas sem-fim que levam até a Igrejinha de Nosso Senhor do Bonfim e as águas do Rio São Francisco margeando a cidade. Mas como de Piranhas já falaram quase tudo, em livros, revistas e filmes, o melhor mesmo é traçar o roteiro das atrações turísticas. Infraestrutura A cidade conta com uma boa infraestrutura para o turismo, com uma quantidade razoável de pousadas e restaurantes, além de atrativos interessantes que rendem bons passeios pela cidade. Então um fim de semana inteiro é suficiente para conferir as principais atrações de Piranhas. Rota do Cangaço e Cangaço Eco Parque: Piranhas ficou conhecida nacionalmente por causa do cangaço. Muitas histórias sobre o bando de Virgulino da Silva, o Lampião, povoam a região. Foi inclusive ali pertinho, do outro lado do rio, em Poço Redondo, já em Sergipe, na Grota de Angicos, que os cangaceiros do bando de Lampião foram pegos em uma emboscada. O passeio de catamarã pela Rota do Cangaço tem saídas no atracadouro da cidade. A navegação em catamarã pelo Rio São Francisco segue por cerca de 30 minutos até se chegar ao Cangaço Eco Parque. A história do bando de Lampião é contada por um guia caracterizado, que conduz os visitantes por uma trilha de quase 2 km até a Grota de Angicos. No final da trilha se encontra o local da emboscada onde o grupo de Lampião foi surpreendido e morto pelos volantes da polícia. Torre do Relógio é de 1879 Torre do Relógio: Fica bem em frente ao Museu do Sertão. A torre foi construída em 1879 e sua arquitetura se destaca no centro de Piranhas. O local abriga o ‘Café da Torre‘, que funciona no alto do edifício. Mirantes: Para terminar, Piranhas, que tem um belo relevo, te presenteia com dois lindos mirantes. Prepare-se para subir as incríveis escadas da cidade. O Mirante da Igreja fica no alto de 250 degraus de uma escada íngreme e irregular. No topo fica a igreja de Nosso Senhor do Bonfim. O Mirante Secular fica no lado oposto ao Mirante da Igreja e abriga um obelisco que foi construído no final do século XIX para saudar o século XX, que se iniciava. A boa notícia é que, além da escadaria que o liga até a cidade (364 degraus), o mirante secular pode ser visitado de carro, pela estrada que sai de Piranhas em direção a Canindé. Por sua arquitetura, Centro Histórico é declarado patrimônio nacional Centro Histórico de Piranhas: Não é a toa que o Centro Histórico foi declarado Patrimônio Histórico Nacional, pois sua arquitetura é incrível, repleta de casinhas e casarões antigos e tudo muito colorido. Durante o dia dá para conhecer as antigas igrejas da cidade. No centro são duas: a Igreja Nossa Senhora da Saúde, construída no século XIX em estilo neoclássico e a Igreja de Santo Antônio de Lisboa, a mais antiga de Piranhas (1790), onde estão depositados os restos mortais dos fundadores da cidade. Dá para visitar ainda o Centro de Artesanato, Artes e Cultura de Xingó, que funciona na antiga Casa de Máquinas da Rede Ferroviária e tomar um banho de rio na prainha da Orla Altemar Dutra. De noite, o movimento fica por conta dos bares da cidade, como a clássica Pizzaria e Cachaçaria Altemar Dutra (batizado em homenagem ao cantor que também andou por ali). Nos fins de semana, bem no centrinho, embaixo de duas árvores, com mesas dispostas na rua, rola o tradicional forro típico do interior. Canoa de Tolda: É o símbolo do Rio São Francisco. A canoa de Tolda é uma das principais heranças da colonização holandesa no Nordeste e leva esse nome devido à cobertura em madeira na parte do convés. Ela remete toda a beleza e importância do Velho Chico e você a encontra apenas na região do Baixo São Francisco. Conservatório de Música Municipal Cacilda Damasceno: O casario que abrigou o Imperador Dom Pedro II durante sua passagem pelo município, é o local onde a população passa a ter contato com a música, tendo a oportunidade de construir seus próprios instrumentos. Museu do Sertão: Museu que documenta a história e a cultura do Cangaço e compõe o conjunto arquitetônico que justificou o tombamento da cidade de Piranhas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan.