Interior

8 de agosto de 2019 09:31

Praias da Rota Ecológica estão infestadas de caracol africano

Praga vem avançando nas cidades litorâneas e atinge principalmente a região da Praia do Marceneiro, paraíso turístico da cidade

↑ Caramujo africano se reproduz rápido e pode provocar doenças (Foto: Divulgação)

Um hóspede nada desejado está invadindo regiões de praias da Rota Ecológica dos Milagres. Dizem que ele veio em navios de carga que atravessam o oceano da África em direção ao Brasil, e que passam pelo litoral alagoano antes de atracarem no Porto de Maceió. Ele já foi visto na Barra de Camaragibe e até nas proximidades da praia do Riacho, em São Miguel dos Milagres. Mas é na praia do Marceneiro, principal cartão postal do município de Passo de Camaragibe, que os moradores estão denunciando a invasão do tal hóspede indesejável.

É que nos últimos eles estão convivendo com uma praga: o caracol africano. O caramujo vem avançando nas cidades litorâneas e atinge principalmente a região da Praia do Marceneiro, paraíso turístico da cidade.

Com o avanço do caramujo nas regiões de praias, os moradores estão preocupados. E o poder público municipal também. Nas últimas semanas foi notado que o caracol africano vem se proliferando na cidade, sobretudo em terrenos baldios, esgotos e já infesta até as partes mais urbanas tanto na cidade de Passo, quanto na praia do Marceneiro.

Nas redes sociais e até em manifestação de rua, os moradores estão exigindo um mutirão de limpeza nas localidades. Até a página oficial da Prefeitura no Facebook reconheceu o avanço do caramujo e informou que está tomando providências para conter o avanço do caracol africano. A gestão municipal comunicou que ainda no mês de junho, após solicitação da Secretaria Municipal de Saúde, uma equipe de biólogos e técnicos da Vigilância em Saúde, do Laboratório de Entomologia do Lacen/AL e do Departamento de Epidemiologia da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) fizeram uma visita técnica ao município para averiguar os locais de incidência e elaborar um laudo com orientações sobre o controle da infestação.

A prefeitura ressaltou em sua página que as principais medidas apontadas são a manutenção dos terrenos desocupados nas localidades onde o caracol foi encontrado, a coleta dos espécimes para extermínio em solução de água e sulfato de cobre ou água sanitária e a aragem do solo nos terrenos onde os caracóis foram avistados, buscando expor os ovos ao sol. Segundo orientação dos órgãos competentes, as medidas devem ser adotadas após o período das chuvas, quando será possível debelar a infestação.

O caramujo-gigante-africano, Achatina fulica, conhecido como caracol africano, é um molusco oriundo da África, chegando a pesar até 200 gramas e medir cerca de 10 centímetros de comprimento e 20 de altura. De acordo com estudiosos, em um único ano, o mesmo indivíduo é capaz de dar origem a aproximadamente 300 crias. Além de destruírem plantas nativas e cultivadas, alimentando-se vorazmente de qualquer tipo de vegetação, e competir com espécies nativas, inclusive alimentando-se de outros caramujos, esses animais são hospedeiros de duas espécies de vermes capazes de provocar doenças sérias: a Angiostrongylus costaricensis responsável pela angiostrongilose abdominal, doença que provoca perfuração intestinal, de sintomas semelhantes aos da apendicite; e a Angiostrongylus cantonensis responsável pela angiostrongilíase meningoencefálica, de sintomas variáveis, mas muitas vezes fatal.

Fonte: Tribuna Independente / Claudio Bulgarelli

Comentários

MAIS NO TH