Interior

30 de julho de 2019 09:09

Naufrágio: delegado vai ouvir proprietária do catamarã

A pedido do Ministério Público, um inquérito foi instaurado para apurar o caso

↑ Mais de 60 pessoas estavam no catamarã no momento do naufrágio, que vitimou duas turistas (Foto: Corpo de Bombeiros)

O delegado de Maragogi, Ailton Prazeres, vai ouvir ainda nesta terça-feira (30) ou no mais tardar na tarde de quarta-feira (31), a provável proprietária do catamarã que afundou no sábado (27) pela manhã, provocando a morte de duas pessoas e deixando outras 10 feridas. O delegado, que instaurou inquérito policial para apurar responsabilidades do naufrágio, a pedido da Promotora Francisca Paula de Jesus, vai ouvir a empresária Simone Leite, o piloto do catamarã e dois tripulantes. Ainda no sábado ele tomou o depoimento de todas as pessoas feridas no acidente e de testemunhas que presenciaram quando o barco afundou com 56 pessoas a bordo, além da tripulação.

O delegado também ouviu no sábado o ex-prefeito de Maragogi Marcos Madeira, que teve seu nome vinculado nas redes sociais e sites de notícia como proprietário da embarcação Tô a Toa logo depois do acidente. Segundo o delegado, o ex-prefeito esteve espontaneamente na delegacia para explicar os fatos, afirmando que o documento do barco esta na verdade em nome do seu irmão, Maciel Dias Viana, que vendeu para a empresária Simone Leite, que fazia o serviço de exploração turística para as piscinas naturais.

Por outro lado, a representante do Ministério Público em Maragogi, promotora Francisca Paula de Jesus Santana, disse que, apesar de haver um TAC para que o município se comprometesse a não mais deixar emitir nenhum Alvará, no final do mandato da gestão de Henrique Peixoto, foi editado um decreto aumentando o número de escunas, catamarãs, lanchas e serviços. O fato aconteceu em meados de 2016. No começo da gestão de Sérgio Lira, em 2017, esse Decreto foi revogado e o TAC voltou a ter validade.

“Houve um mandado de segurança requerido pelos proprietários de catamarãs, que entraram em descumprimento do TAC, e esse mandado de segurança ficou com liminar até o final do ano passado, foi julgado e denegada a ordem”, disse a promotora. “Transitou em julgado e eles não recorreram. Diante disso, o MP anexou o TAC à sentença denegatória e a multa da Secretaria de Meio Ambiente, e notificou exatamente a proprietária Simone Leite, para que ela não procedesse mais aos passeios”.

Envolvidos podem ser presos

Já a empresária Simone Leite alega ter uma liminar do Tribunal de Justiça. Só que essa liminar, segundo a promotora, tem outro objeto: é para cancelar dois decretos, e não para emitir alvarás.

A promotora Francisca Paula informou que ligou para a delegacia de polícia Maragogi e orientou para que fosse pedida a prisão preventiva das pessoas responsáveis pela embarcação. Uma delas seria a própria Simone Leite, oficialmente a dona do catamarã.

E ainda na tarde de domingo os corpos das turistas cearenses Maria de Fátima Façanha da Silva, de 65 anos e Lucimar Gomes da Silva, de 69, foram liberados pelo Instituto Médico Legal após necropsia e seguiram para sepultamento em Fortaleza, onde firam enterradas na manha da segunda-feira. Elas foram vítimas de um naufrágio de catamarã, no município de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, no dia 27.

O acidente ocorreu com ocupantes da embarcação Toa Toa e poderia ter havido mais mortes, visto que poucos ocupantes usavam colete salva-vidas. O filho de uma das vítimas, Tarcísio Gomes da Silva, afirmou que não foi disponibilizado o equipamento de segurança para nenhum integrante pela Maragales, empresa que responde pelo catamarã.

Fonte: Tribuna Independente / Claudio Bulgarelli

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