Interior

29 de julho de 2019 12:00

Naufrágio em Maragogi: tragédia que poderia ter sido evitada

Embarcação já havia sido autuada por realizar "passeios clandestinos"

↑ Mais de 60 pessoas estavam no catamarã no momento do naufrágio, que vitimou duas turistas (Foto: Corpo de Bombeiros)

O naufrágio de um catamarã ocorrido na manhã do último sábado (27) em Maragogi, que resultou na morte de duas pessoas e de vários feridos, poderia sim ter sido evitado. Essa é a opinião unanime dos vários segmentos que, de certa forma, estão envolvidos com o turismo de exploração das piscinas naturais do famoso balneário do litoral Norte de Alagoas. O acidente, que acabou ganhando as páginas dos jornais, dos portais de notícias e até dos principais telejornais do país, trouxe a tona um sério problema: o serviço clandestino na exploração do principal atrativo turístico de Maragogi.

Para começar, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente afirmou em nota que o catamarã navegava “em local cuja visitação não era permitida” e que a embarcação já havia sido autuada por realizar “passeios clandestinos”, mas “de forma reincidente, desobedecendo dispositivos legais, insistiu em prosseguir ignorando até mesmo o Ministério Público. O secretário de Meio Ambiente de Maragogi, Gabriel Vasconcelos, disse que a embarcação, além de clandestina, não estava com manutenção em dia. O catamarã não tinha licença da prefeitura e nem do ICMbio, o Instituto Brasileiro de Conservação Ambiental Chico Mendes, que é responsável pela APA da Costa dos Corais e controla as piscinas naturais da região.

A Associação dos Proprietários de Catamarãs de Maragogi, afirmou, também em nota, que a empresa dona do barco não era afiliada à entidade, que luta para que clandestinos não levem mais passageiros para passeios na região. “A embarcação não possui registro do ICMBio, nem de prefeitura, e circula de forma clandestina e irregular. Tanto a associação como o município têm diversas ações judiciais contra operadores clandestinos, com decisões até transitada em julgado, que não podem estar realizando de passeios. Como há dificuldades de fiscalização, elas conseguem burlar a fiscalização”, afirma a nota.

O Ministério Público, responsável pela assinatura do TAC que controla o serviço de exploração das piscinas, através da promotora de Maragogi, Francisca Paula Santana, afirmou que entrou em contato com a delegacia da cidade e orientou que fosse pedida a prisão preventiva das pessoas responsáveis pela embarcação. Uma delas já estaria identificada como Simone Leite. Segundo ela, por várias vezes as autoridades já atuaram para evitar que barcos irregulares fossem ao mar na cidade, mas há reiteração de descumprimento. Por outro lado a Polícia Civil abriu inquérito para apurar as responsabilidades.

Todos afirmam que o acidente poderia ter sido evitado, primeiro porque o barco que afundou não estava em condições de operar, inclusive com falta de manutenção. Segundo, porque no momento do acidente, o tempo estava nublado, com mar alto e ventos fortes. A Capitania dos Portos tinha emitido um alerta de ressaca do mar, com ondas de até 3 metros de altura, recomendando que embarcações de pequeno e médio porte evitassem navegar entre 9h de sexta e 9h do sábado em todas as praias do litoral alagoano.

Para piorar, as piscinas naturais estavam fechadas para visitação por conta da maré muito alta, que segundo a tábua de marés da Marinha, a maré mais alta do dia, justamente em horário próximo ao do acidente, era de 1,7 metros, quando na verdade o passeio às piscinas naturais só ocorre com a maré até 0,6 metro, permitindo a navegabilidade.

Entrou também na polêmica o presidente da EMBRATUR, Gilson Neto, que estava na região, por possuir um sitio de coco em São Miguel dos Milagres e uma rádio em Maragogi, afirmando que o controle das piscinas naturais de Maragogi, bem como de toda a região da Costa dos Corais, deve ser muito mais controlado, para evitar acidentes fatais como o que matou duas turistas do Ceará.

Fonte: Tribuna Hoje / Claudio Bulgarelli - Sucursal Região Norte

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